AÉCIO MURCHA JUNTO COM O
PSDB
por Afonso Benites, El País
O PSDB caminha para uma transformação inesperada neste ano. De
grande e protagonista, o partido possivelmente passará a ser uma legenda média,
coadjuvante. Uma das razões é o mau desempenho que o
candidato presidencial
Aécio Neves deve ter nas próximas eleições. Se as pesquisas eleitorais se
confirmarem, pela primeira vez em 20 anos o PSDB estará fora do segundo turno
na luta pelo Palácio do Planalto.
Será
também a primeira derrota eleitoral de Aécio, que desde 1987 ocupa cargos
eletivos. Foi deputado federal por quatro mandatos, governador de Minas Gerais
por duas vezes e atualmente é senador. Além disso, o desempenho dos tucanos nos
Estados tende a ser fraco, em comparação com as últimas cinco eleições.
Conforme as últimas pesquisas eleitorais, o PSDB lidera a disputa para o
Governo de quatro Estados. É exatamente a metade dos governos que elegeu em
2010. De 1994 a 2010, o PSDB elegeu pelo menos seis governadores por eleição.
“Sem um candidato a presidente forte, sem governadores o partido
perde competitividade. Por isso, a bancada de deputados e senadores, que já
vinha caindo desde o início dos governos do PT, tende a cair ainda mais”,
ponderou o cientista político Fernando Azevedo, professor da Universidade
Federal de São Carlos.
Após a entrada de Marina Silva (PSB) na corrida presidencial, Aécio caiu
cinco pontos percentuais nas pesquisas. No último levantamento, divulgado nesta
quarta-feira, ele cravou 15% das intenções de votos e se distanciou ainda mais
do segundo turno, que deverá ficar entre a ambientalista e a atual presidenta, Dilma Rousseff (PT).
“Ainda que seja de uma maneira mais lenta, os tucanos terão o
mesmo caminho do DEM, que hoje não tem quase nenhuma força”, afirmou Gonzalo
Rojas, doutor em ciência política pela USP (Universidade de São Paulo) e
professor da Universidade Federal de São Carlos.
O DEM (Democratas), citado pelo especialista, sempre foi um
partido auxiliar ao PSDB. Antes de se chamar Democratas era o PFL (Partido da
Frente Liberal) e chegou a eleger sete governadores, em 1998. Nos últimos anos,
porém, enfrentou uma debandada de seus quadros políticos. Neste pleito, tem
apenas um candidato com chances de se eleger governador (Paulo Souto, na Bahia)
e nacionalmente se aliou a Aécio.
Santo de casa
Nem mesmo em seu próprio quintal, Minas Gerais, Aécio Neves tem
tido sucesso neste ano. Ele enfrenta dificuldade para eleger o seu candidato ao
governo. Conforme o Datafolha publicado na semana passada, o tucano tem 22%
dos votos dos mineiros, fica atrás de Roussef (35%) e Marina (27%). Enquanto
foi governador Aécio desenvolveu o choque de gestão, uma política marcada pela
diminuição dos gastos do Estado e a modernização dos serviços públicos. As
taxas de homicídio reduziram, nos primeiros anos de sua gestão, mas voltaram a
subir quando ele passou o bastão para o seu sucessor, o afilhado político
Antonio Anastasia (PSDB).
El País 10 de setembro de 2014 às 20:39
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 11.09.2014 08h31m
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