PLEBISCITO POR CONSTITUINTE
TEM QUASE 8 MILHÕES DE VOTOS; RESULTADO SERÁ LEVADO A BRASÍLIA
Número de votantes chegou a 7.754.436, dos quais
97,05% favoráveis à constituinte exclusiva e soberana do sistema político, e
2,57% contrários
por Eduardo Maretti
O Plebiscito Popular por uma Constituinte Exclusiva e Soberana do
Sistema Político, realizado entre dias 1° e 7 deste mês, chegou a quase 8
milhões de votos no país. Com cerca de 95% das urnas apuradas, o número de
votantes atingiu 7.754.436 de votos, dos quais 97,05% votaram no “sim” e 2,57%
disseram “não”. Brancos (0,2%) e nulos (0,17%) não chegaram a 0,5%. Os números
foram divulgados na tarde de hoje (24), em entrevista coletiva que reuniu o
presidente da CUT, Vagner Freitas, um dos coordenadores nacionais do Movimento
dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Paulo Rodrigues, e Paola
Estrada, da Secretaria Operativa Nacional do movimento.
Embora o
objetivo inicial fosse atingir pelo menos 10 milhões de votos, marca do
plebiscito contra a Alca em 2002, os organizadores consideraram que a consulta
pela Constituinte foi vitorioso e superou as expectativas. “É um resultado
extraordinário, principalmente por ter sido ignorado pela mídia”, disse Vagner
Freitas.
“O (governador Geraldo) Alckmin come um pastelzinho ou toma
um cafezinho e vira notícia da mídia, e do plebiscito, que foi apoiado por
vários candidatos a presidente da República, não saiu nada”, criticou Paola.
Freitas lembrou que a consulta
sobre a Área de Livre Comércio das Américas contou com apoio de parcela do
empresariado e da igreja católica e não foi boicotado tão ostensivamente pela
imprensa como o da reforma política.
Rodrigues,
do MST, ressaltou o caráter “pedagógico” da consulta. “Além disso, teve grande
importância do ponto de vista organizativo.” Segundo ele, o resultado deve ser
comemorado por três motivos: ficou demonstrado, pela participação, que a
sociedade quer mudanças no sistema político; a realização, de acordo com o
dirigente, bem-sucedida do movimento, foi decorrente das mobilizações de rua
iniciadas em junho de 2013; e foi um incentivo para a continuidade das
mobilizações pela constituinte exclusiva.
Apesar de a convocação de um plebiscito ser atribuição do
Congresso Nacional, cuja composição pode ficar ainda mais conservadora com a
eleição de 2014, os organizadores acreditam que ele aconteça. "Nossa
disputa será junto com a sociedade. Com as forças organizadas e mobilização
vamos criar um clima e um debate por um novo processo constituinte e não deixar
a questão só com o Congresso", explicou João
Paulo Rodrigues.
O próximo
passo dos movimentos reunidos em torno do plebiscito popular agora é levar os
resultados para os principais representantes dos três poderes, nos próximos
dias 14 e 15: a presidenta Dilma Rousseff; o presidente do Supremo Tribunal
Federal, Ricardo Lewandowski; e o presidente do Congresso Nacional, Renan
Calheiros.
Os
organizadores lembraram que lideranças importantes, ao participar, deram
legitimidade ao processo. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além
dos candidatos à presidência Dilma Rousseff (PT), Marina Silva (PSB), Luciana
Genro (Psol) e até Pastor Everaldo (PSC) participaram da votação. Dilma, Lula e
Luciana votaram “sim”. Marina e Everaldo não revelaram seus votos. “Ainda
assim, é importante, porque eles participaram e assim também legitimaram o
movimento”, disse Paola Estrada.
Alckmin
Os
organizadores do plebiscito popular lembraram, na coletiva, que o governador
Geraldo Alckmin impediu que as urnas entrassem nas escolas da rede estadual de
ensino. Isso dificultou a participação da juventude da rede de ensino de São
Paulo no processo. “Até entendo, porque ele deve ser defensor do financiamento
privado de campanhas políticas”, ironizou o presidente da CUT. O governador
enviou ofício às escolas estaduais para que os professores evitassem a
discussão sobre o plebiscito em salas de aulas, além de ter solicitado que
diretores não autorizassem as urnas, segundo os organizadores da consulta.
O fim da
participação de empresas privadas como financiadoras de candidatos e partidos é
uma das principais bandeiras do movimento social.
“Eu acho
que se ele concordasse com as propostas do plebiscito ele teria facilitado a
coleta de votos nas escolas. Só consigo imaginar por uma posição contrária dele
ao que propunha o plebiscito. Como eu não sei a posição dele, penso que seja
isso. Não acredito que o governador do estado tenha feito isso apenas por um
ato de mesquinhez. Acho que ele deve ter mais coisas para fazer”, afirmou
Vagner Freitas.
REDE BRASIL ATUAL 24 de setembro de 2014 18:40
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 25.09.2014 05h50m
Nenhum comentário:
Postar um comentário