COMO
DILMA RESISTE A MAIS DE DOIS ANOS DE PANCADARIA
Em meio a toda sorte de críticas e ataques,
pela direita e à esquerda, na política, economia e administração do governo,
presidente Dilma Rousseff resiste e cresce nas pesquisas; eppur si muove; mesmo sob a névoa de cobertura francamente
de oposição na mídia tradicional e com inimigos nos clãs mais ricos da
bilionária comunicação brasileira; institutos convergem em colocar Dilma no
caminho dos 40% de intenções, cerca de dez pontos adiante de Marina Silva, do
PSB; sobre a 2ª volta, aferições informam fim da larga vantagem da adversária e
o estabelecimento de empate técnico; base de sustentação é atribuída aos
efeitos dos programas sociais como Bolsa Família, mas só eles teriam sido
capazes de trazer Dilma sã, salva e forte até aqui?; há mais

Tratada como fenômeno, a verdadeira surpresa
da eleição presidencial até aqui, no sentido de ter mais e crescente confiança
da opinião pública neste primeiro turno, não é, já se sabia desde a semana
passada, Marina Silva. Falta, porém, os adversários reconhecerem, o que é
duro, que esse fenômeno é mesmo a presidente Dilma Rousseff.
Quem tem
conseguido resistir e, para irritação dos que lhe são contra, ainda avançar
diante da maior saraivada de críticas e ataques despejada diariamente nos
veículos de comunicação de maior faturamento publicitário do País pelo menos
nos últimos dois anos? Nenhuma pessoa de presidente da República, a não ser
pelos exemplos históricos dramáticos de Getúlio Vargas, em 1954, e Jango
Goulart, em 1961, apanhou tanto da mídia quanto Dilma. Com a diferença que ela
tem sofrido por mais tempo e a partir de máquinas bilionárias com altíssimo
poder de destruição. E, repita-se, ela está de pé.
A simples
atribuição de todas e cada uma das forças da presidente ao programa Bolsa
Família, com 14 milhões de beneficiários, não explica o verdadeiro fenômeno de
resiliência que ela encerra. Dilma não tem interlocutores éticos na cúpula da
pirâmide patronal da mídia, mas vai sabendo, como primeiro anotou, em 247, o
editor Paulo Moreira Leite, voltar ao seu estado natural de favorita à
vitória,mesmo após todas as iniciativas para a deformação de sua imagem.
Para quem só
acredita em números de pesquisas, ainda que estas tenham apresentado falhas
grosseiras nas eleições municipais de 2012, todas convergem para colocar Dilma
numa posição, longe de ser confortável, perto da que os adversários não
queriam. Vai se lembrar que, se Dilma jamais baixou de 30 pontos nas pesquisas
para primeiro turno, também faz tempo que não apresenta 40. No momento, porém,
tanto Datafolha como Ibope apresentam a presidente com seu caminhão de campanha
na direção de voltar ao patamar inicial. Um subido íngreme, mas que a campanha
do PT está sabendo, sem grandes retrocessos, escalar.
Em janeiro
do ano passado, os veículos conhecidos genericamente como 'formadores de
opinião' associaram em suas capas, manchetes e matérias de televisão e rádio
Dilma à "inflação do tomate". Montagens, charges, caricaturas,
editorialistas, economistas e fontes de toda espécie se somaram, então, no
maior movimento de depreciação que um governo que manteve a inflação dentro da
meta e a taxa de desemprego em níveis históricos de baixa já havia sofrido.
Neste e em muitos outros medidores macroeconômicos, Dilma e seu governo
entregaram resultados absolutamente razoáveis e facilmente compreensíveis
dentro do contexto global, mas não houve taxa ou percentual que barrasse a onda
crescente de notícias escolhidas a pior, projeções catastrofistas e análises
que não se combinaram com a realidade.
De Dilma e
seu governo, voz corrente entre os analistas, tem o País o Ministério mais
fraco de todos os tempos, na expressão cunhada pelo 'pauteiro' José Serra. As
escolhas políticas da presidente são acusados de serem, sempre, as piores. Os
programas sociais de seu governo sofrem boicote. Basta lembrar, neste sentido o
que se passou com a repercussão dada aos achincalhes ao Mais Médicos – além da
vigilância crítica permanente sobre o mundialmente reconhecido programa Bolsa
Família. Vitórias globais de Dima foram minimizadas, como a a eleição, por
articulação pessoal da presidente, do brasileiro Roberto Azêvedo para o comando
da OMC. Ou a resposta dura dada ao presidente Barack Obama por espionar o
governo, as empresas e os cidadãos brasileiros. Isso tudo, assim como
espetacular e brilhantemente executada manobra de criação do Novo Banco de
Desenvolvimento, com verbas de US$ 100 bilhões dos Brics. Um ou outro
inevitável elogio, e olhe lá, foram dados com saliente má vontade. Percalços
nacionais, com a mão pesada de quem bate, foram amplificados. Foi assim que uma
ofensa contra Dilma na abertura da Copa do Mundo, feita a partir do setor
de camarotes, ganhou dimensão nacional por dias a fio.
EPPUR SI MUOVE - Tudo
foi contra Dilma. E tudo continua contra ela. Eppur si muove. Num país que, a
cada eleição, fica cada vez mais dependente das pesquisas de opinião de
precisão discutível para entender o presente e projetar o futuro, a presidente
está ganhando no critério que mais se leva em consideração: as próprias
pesquisas.
Já está
ocorrendo de um contingente em ascensão acreditar que Dilma é uma boa
presidente e uma candidata extremamente competitiva. Se mostrou
ter 'casca grossa' para chegar sã e salva até aqui, como evitar devolver a ela
o favoritismo que sempre exibiu?
BRASIL 247 19 de setembro de 2014 14:36
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 19.09.2014 19h27m
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