DE EXTRAVAGÂNCIA A EXCRESCÊNCIA: POR QUE O ELEITOR É OBRIGADO A
CONVIVER COM LEVY FIDELIX
por Natalia Mendes
“Pelo que eu vi na vida, dois
iguais não fazem filho. E digo mais, aparelho excretor não reproduz. Tem
candidato que não assume isso com medo de perder voto. Prefiro não ter esses
votos, mas ser pai, avô que instrua seu neto. Não vou estimular a união homoafetiva.
Se está na lei, que fique como está”, disse Levy Fidelix, no momento que
marcou o debate mais agressivo entre os candidatos à presidência.
“Se começarmos a estimular isso aí, a população do Brasil vai cair
de 200 milhões para 100 milhões. Vai andar pela Paulista pra você ver. Somos maioria vamos combater essa minoria.”
Em alguns minutos, Levy Fidelix foi de extravagância eleitoral a
excrescência. Pegou de surpresa quem acreditou em sua fantasia psicodélica de
tio do pavê obcecado por trens.
Levy
nunca teve plataforma e não tem condições de ser síndico. Seu destempero o transformou
em garoto-propaganda da lei antihomofobia. Para alguma coisa, serviu.
Fidelix,
do PRTB, disputa o Palácio do Planalto pela terceira — TERCEIRA — vez. “Vou
endireitar o Brasil e combater a presidente Dilma Rousseff”, avisou. Sua
sobrevivência depende dessas aparições. Em 2012, quando disputou a prefeitura
de São Paulo, entrou na Justiça para garantir a presença no debate da
Globo. Conseguiu uma liminar, mas o encontro foi cancelado.
A quantidade de pequena siglas é um absurdo sustentado por dinheiro
público. O fundo partidário dá 1 milhão à agremiação de Levy. Ele reclamou do
dinheiro no SBT. (A candidatura de Alckmin tem colocado dinheiro nos nanicos
que a apoiam. Segundo a Folha, o repasse de um milhão de reais para seis
partidos saiu de doações das construtoras Queiroz Galvão e OAS).
Esta é
sua décima aventura nas urnas. É uma doença com a qual você acaba se
acostumando porque parece inofensiva depois de tanto tempo. Não é. Levy resume
os problemas mais graves da nossa legislação eleitoral.
Como dono
do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro, não faz outra coisa da vida a não
ser se candidatar e surgir a cada dois anos para sua pantomima.
Sua
incompetência na área é assombrosa: começou em 1986, quando saiu para deputado
federal pelo PL. Em 1989, breve pausa para ser assessor de comunicação de
Collor de Mellor. Em 1990, lançou-se deputado federal pelo PTR. Nada.
Em 1994,
inventou sua legenda e saiu para presidente.
Prefeito,
vice-prefeito, deputado estadual, vereador –nunca foi eleito. Em 2010, presidência
novamente. Obteve 57 mil votos.
Como
sempre, os segundos de propaganda na televisão serão “negociados”. Está tudo à
venda. Em 2011, escutas telefônicas da Polícia Federal revelaram que
Carlinhos Cachoeira quis comprar o PRTB em Goiás.
“O Levy
não vence, mas as ideias vencem”, afirmou. Suas ideias, as poucas que podem ser
divulgadas, também estão vencidas. É patético que o eleitor brasileiro seja
obrigado a conviver com esse tipo de nanico, esfregando sua desfaçatez em sua
cara.
Em 2018,
tem mais.
REDE BRASIL ATUAL 29 de setembro de 2014 19:20
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.09.2014 08h35m
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