MARINA, O MATA-PAU
por Fernando Brito
Poucas pessoas
deixam tão evidentes, em tão pouco tempo, sua natureza desagregadora.
É algo que vai
além de julgar se melhores ou piores as posições dos grupos se se alinham em
torno de Roberto Amaral – o futuro morto – e de Beto Albuquerque, um homem que
fez carreira política com o apoio dos petistas Olívio Dutra,Tarso Genro e Lula.
Trata-se de ver
que Marina, incapaz de controlar o PV e de formar seu próprio partido, a Rede,
firmou um pacto com o grupo familiar pernambucano e seu vice para assumir o
controle total do PSB, esmagando qualquer diversidade que tenha a pretensão de
sobreviver no partido.
A família Campos,
com todo o respeito que se possa ter pela dor de sua perda, não se vexa em
tratar o PSB como uma herdade, sobre a qual teria o direito natural de
manter o controle e fruir das vantagens políticas.
Roberto Amaral não
é um louco e jogou a cartada da eleição partidária antes das eleições porque o
frio da lâmina em seu pescoço era cada vez mais cortante.
E, quando Beto
Albuquerque, candidato a vice e porta-voz de Marina e da família Campos nos
“assuntos internos” do PSB anuncia de público que “apoiará uma candidatura de
oposição” se Amaral não desistir da votação marcada, está deixando claro
que já recebeu a ordem do “cortem-lhe a cabeça” da nova regente do PSB e
do núcleo herdeiro.
Não é provável que
Amaral consiga fazer a eleição interna ou, se a fizer, tenha de aceitar um
acordo onde terá posição decorativa.
Vai ter o destino
que Monteiro Lobato, em seu antológico “O Mata-Pau” deu à pobre árvore que deu suporte “ao fiapo de
planta”:
“Aquele fiapinho de
planta, ali no gancho daquele cedro – continuou o cicerone, apontando com dedo
e beiço uma parasita mesquinha grudada na forquilha de um galho, com dois filamentos
escorridos para o solo. – Começa assinzinho, meia dúzia de folhas piquiras;
bota p’ra baixo esse fio de barbante na tenção de pegar a terra. E vai indo,
sempre naquilo, nem p’ra mais nem p’ra menos, até que o fio alcança o chão. E
vai então o fio vira raiz e pega a beber a sustância da terra. A parasita cria
fôlego e cresce que nem embaúva. O barbantinho engrossa todo dia, passa a
cordel, passa a corda, passa a pau de caibro e acaba virando tronco de árvore e
matando a mãe, como este guampudo aqui – concluiu, dando com o cabo do relho no
meu mata-pau.”
Neste caso, o
“fiapo de planta”, já vindo de outros troncos, foi turbinado pela fatalidade.
TIJOLAÇO 25 de setembro de 2014 07:42
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 25.09.2014 15h49m
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