COMO RECUPERAR A CONFIANÇA NA ECONOMIA
BRASILEIRA
por Luis Nassif
Tanto em 2003 quanto em 2015, as
empresas brasileiras têm planos de investimentos na gaveta aguardando o cenário
desanuviar. Em 2003 a situação era pior, com desemprego batendo em 12%, o
câmbio explodindo e as contas fiscais em pandareco.
Lula tratou de acalmar as expectativas
do mercado. Adotou um discurso ortodoxo, clareou as contas públicas e
implementou uma série de medidas de destravamento do crédito bancário.
Para 2015, tem-se um contexto mais
favorável. O Brasil possui, hoje em dia, o maior pipeline de projetos do mundo
- um montante estimado em R$ 1,2 trilhão, entre concessões, obras de
infraestrutura etc. O desemprego está baixo. Há uma expectativa positiva em
relação à recuperação da União Europeia e os Estados Unidos.
A reconquista da confiança não é
tarefa complexa. Depende apenas de atos individuais de Dilma Rousseff, caso
seja reeleita, para que o setor privado tire da gaveta os planos de
investimento.
Passa, inicialmente, pela montagem de
uma equipe de primeiro nível no Ministério da Fazenda, especialmente no cargo
de Ministro, na Secretaria de Política Econômica (SPE) e na Secretaria do
Tesouro.
Depois, definir estratégias claras
para o Tesouro e para o BC.
Para o Tesouro, o desafio de clarear
definitivamente as contas públicas.
O Tesouro contabiliza suas contas em
regime de caixa; os bancos em regime de competência .
No caso do subsídio agrícola, o
Tesouro tem uma dívida de R$ 8 bilhões (corrigida pela Selic) que entra na
contabilidade do BB como ativo mas só entrará nas contas do Tesouro quando ele
quitar a dívida. Faz o mesmo com os programas gerenciados pela CEF (Caixa
Econômica Federal) com o agravante de não corrigir os atrasados.
Os cálculos extraoficiais, somadas
isenções e incentivos fiscais, falam em uma conta total entre R$ 50 a R$ 150
bilhões.
Bastará o Tesouro emitir um título no
valor dessas contas, explicitar o passivo e parar de espertezas para o cenário
clarear.
O segundo desafio é o BC.
Um dos erros centrais do governo
Dilma foi ter entregue a um funcionário, Alexandre Tombini, um cargo cujo
limite de competência extrapolava seu perfil.
Assim como o Secretário do Tesouro
Arno Agustin, Tombini fechou-se em copas durante toda sua gestão, para não
expor seu medo pânico de avançar além do manual.
Na política monetária, adotou um
conjunto de medidas - as tais medidas prudenciais - justamente para não elevar
os juros. Na primeira piscada do mercado, em um choque de oferta provocado
exclusivamente por fatores externos, voltou a elevar os juros.
Foi pior. Não tomou nenhuma medida
para reduzir os spreads e a concentração bancária. Pouco fez para descontaminar
a dívida pública dos juros de curto prazo da política monetária.
Tanto na Fazenda quanto no BC haverá
a necessidade de comandantes de fato, explorando melhor o potencial dos quadros
técnicos para comandar a transição do quadro atual - de amplo protagonismo dos
bancos públicos - para uma posição mais equilibrada, com maior concurso da
poupança privada para o financiamento dos grandes projetos de infraestrutura.
JORNAL GGN 24 de setembro de 2014 06:00
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 25.09.2014 13h13m
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