PRESSIONADA POR MALAFAIA, MARINA
RECUA NA CAUSA GAY
Menos de 24 horas depois de divulgar seu
programa de governo, que contemplava a defesa dos direitos do público LGBT,
Marina Silva volta atrás e solta nota para explicar que não era bem assim; o
motivo foi a reação irada de Silas Malafaia, evangélico como Marina, que disse
que o programa da candidata do PSB conseguia ser "pior do que o de PT e
PSDB"; "O texto do capítulo “LGBT”, do eixo “Cidadania e Identidades”,
do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao
conhecimento do público até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade
os resultados do processo de discussão sobre o tema durante as etapas de
formulação do plano de governo", diz a nota divulgada por Marina
O
programa de governo de Marina Silva, divulgado ontem, não durou um dia e já
começa a ser modificado no que tange aos direitos dos homossexuais.
O
motivo foi a gritaria de setores evangélicos liderados pelo pastor Silas
Malafaia. “O programa de governo do partido de Marina é pior que o PT e o
PSDB, no que tange aos direitos dos gays. Apóia descaradamente o casamento gay
e pede, inclusive, a aprovação do extinto PLC 122, que, entre outras coisas,
põe pastor na cadeia. É uma vergonha que prevê casamento, adoção de crianças e
etc”, disse ontem o religioso.
O
resultado foi que Marina recuou e voltou atrás. Neste sábado, ela divulgou nota
para dizer que seu programa não estava ainda fechado. Leia, abaixo, o texto
divulgado pelo PSB:
O
texto do capítulo “LGBT”, do eixo “Cidadania e Identidades”, do Programa de
Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, que chegou ao conhecimento do público
até o momento, infelizmente, não retrata com fidelidade os resultados do
processo de discussão sobre o tema durante as etapas de formulação do plano de
governo (comentários pela internet sobre as diretrizes do programa, encontros
regionais e as dinâmicas de escuta da sociedade civil promovidas pela
Coordenação de Programa de Governo e pelos candidatos à Presidência pela
Coligação).
Em
razão de falha processual na editoração, a versão do Programa de Governo
divulgada pela internet até então e a que consta em alguns exemplares impressos
distribuídos aos veículos de comunicação incorporou uma redação do referido
capítulo que não contempla a mediação entre os diversos pensamentos que se
dispuseram a contribuir
para sua formulação e os posicionamentos de Eduardo Campos e Marina Silva a
respeito da definição de políticas para a população LGBT.
Convém ressaltar que, apesar desse contratempo indesejável,
tanto no texto com alguns equívocos como no correto,
permanece irretocável o compromisso irrestrito com a defesa dos
direitos civis dos grupos LGBT e com a promoção de ações que eduquem a
população para o convívio respeitoso com a diferença e a capacidade de
reconhecer os direitos civis de todos.
Os
brasileiros e as brasileiras interessados em conhecer as verdadeiras ideias
defendidas pelos candidatos da Coligação Unidos pelo Brasil para a Presidência
da República, Marina Silva e Beto Albuquerque, já o podem fazer por meio do
site marinasilva.org.br ou
pelos exemplares impressos que serão distribuídos a partir de hoje.
O
documento que expressa as reais propostas da chapa para o capítulo “LGBT”
também pode ser lido abaixo:
LGBT
Ainda
que tenhamos dificuldade para admitir, vivemos em uma sociedade que tem muita
dificuldade de lidar com as diferenças de visão de mundo, de forma de viver e
de escolhas feitas em cada área da vida. Essa dificuldade chega a assumir
formas agressivas e sem amparo em qualquer princípio que remeta a relações
pacíficas, democráticas e fraternas entre as pessoas.
Nossa
cultura tem traços que refletem interesses de grupos que acumularam poder
enquanto os que são considerados minoria não encontram espaços de expressão de
seus interesses. A democracia só avança se superar a forma tradicional de
supremacia da maioria sobre a minoria e passar a buscar que todos tenham formas
dignas de se expressar e ter atendidos seus interesses. Os grupos LGBT estão
entre essas minorias que têm direitos civis que precisam ser respeitados,
defendidos e reconhecidos, pois a Constituição Federal diz que todos são iguais
perante a lei, independentemente de idade, sexo, raça, classe social. Assim
como em relação às mulheres, aos idosos e às crianças, algumas políticas
públicas precisam ser desenvolvidas para atender a especificidade das
populações LGBT.
A
violência que chega ao assassinato, vitima muitos dos membros dos grupos LGBT.
Dados oficiais indicam que, entre 2011 e 2012, os crimes contra esse grupo
aumentaram em 11% em nosso país. Outros sofrem tanto preconceito que abandonam
a escola e abrem mão de toda a oportunidade que a educação pode dar, o que
também, de certa forma, corresponde a uma expressão simbólica de morte.
É
preciso desenvolver ações que eduquem a população para o convívio respeitoso
com a diferença e a capacidade de reconhecer os direitos civis de todos.
Para
assegurar direitos e combater a discriminação:
·
Garantir
os direitos oriundos da união civil entre pessoas do mesmo sexo.
·
Aprovado
no Congresso Nacional o Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira –
conhecida como a Lei João W. Nery – que regulamenta o direito ao reconhecimento
da identidade de gênero das “pessoas trans”, com base no modo como se sentem e
veem, dispensar a morosa autorização judicial, os laudos médicos e
psicológicos, as cirurgias e as hormonioterapias.
·
Como
nos processos de adoção interessa o bem-estar da criança que será adotada, dar
tratamento igual aos casais adotantes, com todas as exigências e cuidados
iguais para ambas as modalidades de união, homo ou heterossexual.
·
Normatizar
e especificar o conceito de homofobia no âmbito da administração pública e
criar mecanismos para aferir os crimes de natureza homofóbica.
·
Incluir
o combate ao bullying, à homofobia e ao preconceito no Plano Nacional de
Educação.
·
Garantir
e ampliar a oferta de tratamentos e serviços de saúde para que atendam as
necessidades especiais da população LGBT no SUS.
·
Assegurar
que os cursos e oportunidades de educação e capacitação formal considerem
os anseios de formação da população LGBT para garantir ingresso no mercado de
trabalho.
·
Considerar
as proposições do Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos
LGBT na elaboração de políticas públicas específicas para populações LGBT.
BRASIL 247 30 de
agosto de 2014 às 13:49
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.08.2014 14h30m
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