Na
Globo, Aécio evita 'medidas impopulares', não responde a denúncia e renega Azeredo
Mineiro adota tom
genérico sobre medidas econômicas, trata como vítima tio que se beneficiou de
aeroporto, e tenta escapar de associação com ex-governador acusado pelo
mensalão do PSDB em Minas
São Paulo – O candidato do PSDB à Presidência da
República, Aécio Neves, abriu hoje (11) a série de entrevistas promovida pelo Jornal
Nacional com o mesmo tom que o tem guiado nas primeiras semanas de
campanha, evitando posições claras sobre temas espinhosos e com ataques ao
governo de Dilma Rousseff (PT) principalmente no campo econômico.
Durante quinze minutos, o ex-governador de Minas
Gerais foi questionado na Rede Globo sobre posições contraditórias nos campos
da corrupção e da eficiência na administração pública, temas que considera
prioritários para se diferenciar do PT. A primeira questão sobre a qual não se
posicionou claramente foi a respeito do corte de gastos públicos e do reajuste
de tarifas de serviços básicos. “Tenho dito que vou tomar as medidas
necessárias para que o Brasil retome um ritmo de crescimento minimamente
adequado”, disse o tucano, evitando o “medidas impopulares” utilizado no começo
da campanha para se referir à necessidade de mudanças na política econômica que
poderiam levar a reflexos negativos sobre a população, como o aumento do desemprego.
Nas últimas semanas ele tem preferido falar na
necessidade de dar eficiência ao Estado, considerado excessivamente grande e
lento, e no corte no número de ministérios e nos cargos públicos comissionados.
Questionado pelo apresentador William Bonner sobre uma posição mais clara,
Aécio novamente evitou se comprometer. “Vamos tomar as medidas necessárias. É
óbvio que vamos ter de viver um processo de realinhamento desses preços. Como e
quando? Vou dizer quando tiver nas mãos os dados necessários para isso.”
O modo de governar voltou a ser o tema central da
parte final da entrevista, quando o candidato foi confrontado com dados de sua
administração em Minas Gerais que evidenciam problemas de administração – nas
últimas duas décadas, em apenas quatro anos o estado não foi governado pelo
PSDB. Primeiro, Aécio relativizou os números que mostram que o Índice de
Desenvolvimento Humano mineiro é o mais baixo do Sudeste e o 9º colocado no
Brasil, avaliando que há regiões que sofrem de déficit histórico nesta seara.
Depois, Bonner informou que os investimentos em
saúde em Minas foram guiados pela União e por municípios, e não pelo governo
estadual, e questionou se o tucano não considera este um tema prioritário. “O
que fizemos em Minas é transformador. Qualquer especialista nessa matéria
reconhece isso. Saúde é prioridade para qualquer governo responsável”, afirmou
Aécio.
Ao ser perguntado sobre por que os brasileiros
poderiam querer mudar de presidente, se o PSDB se compromete com a manutenção
dos principais programas sociais do governo Dilma, Aécio voltou a lançar mão do
apanhado de ideias que tem utilizado para se referir ao que considera um
panorama do país neste momento. “Todos perceberam de forma muito clara que o
Brasil deixou de crescer, que os empregos de qualidade estão deixando de
acontecer. A grande verdade é que administrar é transformar para melhor as boas
experiências.”
Corrupção
A corrupção foi o campo mais espinhoso para Aécio durante a conversa no
telejornal de maior audiência do país. A primeira pergunta a este respeito foi
sobre dois dos casos de corrupção mais famosos em que os tucanos se envolveram
nos últimos anos: o mensalão tucano em Minas e o esquema de propina e conluio
no sistema de trens em São Paulo.
Apesar da comparação feita pela apresentadora
Patrícia Poeta entre estes casos e a Ação Penal 470, o mensalão do PT, o tucano
afirmou haver uma diferença “enorme” entre as duas siglas no que se refere à
moralidade. “No caso do PT houve uma condenação por parte da mais alta Corte
brasileira. Estão presos líderes do partido por denúncias de corrupção”,
avaliou. “No caso do PSDB, se alguém for condenado não será, como foi no PT,
tratado como herói nacional, porque isso deseduca.”
Aécio foi em seguida confrontado com a informação de que o ex-governador
mineiro Eduardo Azeredo não foi punido pelo PSDB, apesar do envolvimento com o
mensalão em Minas. Azeredo renunciou ao mandato de deputado depois que o
Ministério Público Federal o denunciou ao Supremo Tribunal Federal (STF) como
participante do esquema de desvio de recursos públicos em 1998 para financiar a
campanha à reeleição ao governo estadual. Ao ser recordado de que Azeredo faz
parte de seu palanque, Aécio preferiu renegá-lo: “Ele está me apoiando. Não é o
inverso. É um membro do partido que tem a oportunidade de se defender na
Justiça. Mas eu não prejulgo.”
A entrevista abordou ainda a construção de um
aeroporto em uma área pertencente à família de Aécio em Minas Gerais com
recursos do governo estadual. A pista, de R$ 13,9 milhões, foi construída a
seis quilômetros de uma outra fazenda de propriedade da família Neves. O
candidato do PSDB reiterou ao Jornal Nacional que seu tio-avô
Múcio Guimarães Tolentino é vítima, e não beneficiado, porque não teria
recebido o dinheiro relativo à expropriação da área. “Neste caso, se houve
algum prejudicado foi esse meu tio-avô. Ele reivindica 9 milhões e não recebeu
nenhum real até hoje. Foi feito de forma transparente, absolutamente
republicana.”
Aécio afirmou ainda que este aeroporto é importante
para o desenvolvimento da cidade, localizada a 150 quilômetros de Belo
Horizonte, e não restou importância à informação de que utilizou a pista, até
hoje fechada, para voos privados. “Essa fazenda a que você se refere é uma
fazenda que está na minha família há 150 anos. Valorizado ou não, é um sítio em
que minha família vai nas férias. Nunca, na minha vida inteira, fiz nada que
não pudesse me defender de cabeça erguida.”
Rede Brasil Atual 11/08/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 12.08.2014 06h36m
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