PRÉ-SAL: 1ª VÍTIMA DO PLANO DE GOVERNO DE MARINA
Produção em crescimento de 600 mil barris/dia
pela Petrobras no pré-sal não sensibiliza candidata Marina Silva, do PSB; em
programa de governo de mais de cem páginas, coordenado pela herdeira do banco
Itaú Neca Setúbal, acento na produção de combustíveis vai mesmo para o etanol,
extraído a partir da cana-de-açúcar por uma centena de usinas no País;
Petrobras prevê que vendas a partir da exploração das águas profundas possam
render mais de US$ 100 bilhões ao País nos próximos dez anos; presidenciável
que cresce nas pesquisas vê de outra maneira: "Costumo dizer que o
petróleo é um mal necessário. Temos que sair da idade do petróleo";
guinada de 180 graus em relação a estratégias implantadas ao longo de 12 anos
nos governos Lula e Dilma poderá ter alta velocidade

O programa de governo da candidata Marina Silva, do PSB – um
livro de de 100 páginas, que foi coordenado pela herdeira do banco Itaú Neca
Setúbal, como interface das ideias da presidenciável com o ex-governador
Eduardo Campos – já tem uma primeira vítima: o pré-sal. Num eventual governo
Marina, o acento tônico da presidente e seus principais auxiliares será na
direção de reerguer a cadeia produtiva do etanol, na qual sobressaem usinas que
extraem combustível a partir da cana-de-açúcar.
Manter na Petrobras a política
de "produção, produção e produção", expressada pela presidente da
estatal, Graça Foster, não é, definitivamente, intenção da candidata que
sucedeu Campos.
- Costumo dizer que o petróleo
ainda é um mal necessário, frisa Marina. Temos de sair da idade do petróleo.
Não é porque falte petróleo. É porque encontraremos e já estamos encontrando
outras fontes de suprimento de energia.
A partir deste ponto de vista,
a prioridade da candidata já está demonstrada na retomada da cultura da cana
para alimentar as usinas de etanol. Um compromisso firmado pessoalmente por
Marina, na quinta-feira 28, em Sertãozinho, no interior de São Paulo, pela
postulante do PSB.
O prenúncio de esvaziamento da
área de produção da Petrobras, em caso de vitória de Marina, como já apontam
pesquisas de intenção de votos para um possível segundo turno, representa uma
guinada de 180 graus na política pública exercida até aqui para a estatal de
petróleo. Mesmo tendo ocupado as manchetes em razão da criação da CPI para
investigar a compra da Refinaria de Pasadena, a Petrobras está dando um show
mundial em termos de obtenção de petróleo. A companhia é a única do mundo a ter
aumentado sua produção nos últimos anos. E, agora com um valor de mercado
estimado em US$ 100 bihões, voltou a ocupar a ponta no ranking das maiores
empresas da América Latina.
A presidente Dilma Rousseff
classificou como "leviandade" a maneira como a oposição vai tratando
a Petrobras. Ela e Graça Foster trabalham com a certeza de que a estatal já
passou pela fase mais difícil de sua história e estaria entrando, exatamente em
razão das descobertas e exploração do pré-sal, num círculo virtuoso. Em tempo
recorde, após os leilões de exploração em regime compartilhado, com prevalência
da empresa nacional, a Petrobras já vai extraindo 600 mil barris/dia em seus
poços de águas profundas.
A estatal trabalha com dados
objetivos de que está diante de uma reserva natural de 12 bilhões de barris de
óleo de boa qualidade. Para Marina, no entanto, o futuro está muito mais no
modelo de usinas que empregam cortadores de cana do que na alta tecnologia que
envolve a obtenção do "mal necessário".
BRASIL 347 29 de
agosto de 2014 às 14:15
Adaptado pelo Blog do
SINPROCAPE 30.08.2014 07h49m
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