O GLOBO DIZ QUE VERSÕES “NÃO BATEM”. NÃO, PORQUE O JATO
NÃO FOI “EMPRÉSTIMO”, FOI CRIME ELEITORAL
Por Fernando Brito 28
de agosto de 2014 |22:48
O jornal O Globo publica que as “explicações” de Marina Silva sobre a
situação do jato que caiu com Eduardo Campos se contradizem com as dadas pelo
PSB, em nota oficial.
Não há nenhuma contradição: tudo, inclusive a
escolha das palavras, é tortuosamente construído para não dizer a verdade: o
avião foi comprado, através de depósitos fraudulentos, feitos através de
empresas fantasmas, por um grupo de empresários encabeçado pelo senhor Apolo
Santana Vieira, um homem acusado de contrabando.
Nua e crua é esta a verdade e as tais “explicações”
vão ser aqui desmontadas de forma muito clara.
1. O “empréstimo”.
Em primeiro lugar, você empresta o que é seu. Se não é seu, não
pode emprestar. O avião não era dos empresários, para que pudesse ser
emprestado. Estava sendo adquirido não para o uso daqueles empresários ou de
suas empresas, mas específicamente para Eduardo Campos fazer sua campanha
presidencial. Tanto é que foi levado à sua aprovação, num voo de teste, em 8 de
maio, de Congonhas a Uberaba.
2- O “empréstimo” ia ser “ressarcido”
Empréstimo não é “ressarcido” nem pago. Se é pago, é aluguel, não
empréstimos. O seu senhorio não “empresta” o apartamento onde você mora nem
você o “ressarce” todo mês. Ele o aluga e você paga o aluguel.
3-Mas poderia haver “aluguel” do avião a Campos e ao PSB?
Poderia, se a AF Andrade ou a Bandeirantes Companhia de Pneus
fossem empresas de táxi aéreo, o que não são, Neste caso estariam exercendo uma
atividade ilegal, para a qual não habilitadas. Empresas de táxi aéreo poderiam
até doar horas de vôo ao candidato, desde que as declarassem assim,
contabilizando pelo valor que têm. Mas uma empresa só pode doar serviço se este
for um serviço que presta nas suas própria funções. Se for serviço de outra
empresa, estará pagando e, então, não pode fazer, tem de doar o dinheiro ao
candidato e ele que pague.
4- Quem pagou três meses de despesas do avião?
Um jato não voa centenas de horas sem custos significativos. São
milhares de litros de querosene de aviação, salários, alimentação e diárias de
hotel de dois pilotos, hangar, taxas aeroportuárias. Fazer cada uma estas
despesas significa assumir o controle operacional do avião e, até agora,
ninguem seque dignou-se a perguntar quem os pagou.
Vejam que sequer entrei na questão das
irregularidades da compra do avião, feita de maneira ardilosa e ilegal. Essa é
a questão de legislação fiscal e penal.
Trato apenas da questão sob o ponto de vista
da lei eleitoral, que está sendo esbofeteada publicamente pelo PSB e por sua
candidata.
Se o Ministério Público e a Justiça Eleitoral permitirem que isso siga sem uma
responsabilização, por medo “do que a mídia dirá”, porque boa parte
“marinista”, será melhor revogar toda a legislação que trata de doações e de
uso do poder econômico a candidatos. Qualquer um pode dar-lhes o que quiser, como
quiser e deixar para passar recibo ou assinar contratos lá no final, muito
depois de dados os votos do povo.
Eu não estou sugerindo que a candidatura
Marina seja cassada, que isso fique claro. Ela – e já se disse isso aqui – não
tinha a obrigação de saber dos detalhes do avião conseguido por Campos e seria
natural que aceitasse a sua versão. Marina é, e só depois que encampou esta
farsa,cumplice na ocultação de um crime eleitoral.
É isso o que precisa ficar claro: que há um
crime eleitoral. E quem o encobre, acoberta e deixa de agir diante dele
torna-se cúmplice deste embrulho que a fatalidade expôs ao Brasil
TIJOLAÇO 28 de agosto de 2014 22:48
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.08.2014 08h08m
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