INTERESSES DOS EUA E DE SOROS NA AMÉRICA LATINA
Por *Wayne Madsen, Strategic Culture 19/8/2014
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
As eleições presidenciais no Brasil marcadas para outubro estavam sendo
dadas como resolvidas, com a reeleição da atual presidenta Dilma Rousseff.
Isso, até a morte, num acidente de avião, de um candidato sem força eleitoral, economista e ex-governador de Pernambuco,
Eduardo Campos. Dia 13/8, noticiou-se que o avião que levava Campos – candidato
de centro, pró-business, que ocupava o 3º lugar nas pesquisas, atrás até
do candidato do partido mais conservador (PSDB), Aécio Neves, também economista
e defensor da ‘'austeridade'’ – espatifara-se numa área residencial de Santos,
no estado de São Paulo, Brasil. Campos era candidato do Partido Socialista
Brasileiro, antigamente da esquerda, mas hoje já completamente convertido em
partido pró-business.
Como aconteceu nos partidos trabalhistas da Grã-Bretanha, da Austrália e
Nova Zelândia, nos liberais e novos partidos democráticos canadenses, e no
Partido Democrata dos EUA, interesses corporativos e sionistas infiltraram-se
também no Partido Socialista Brasileiro e o converteram num partido da
“Terceira Via”, pró-business e só muito fraudulentamente ainda
denominado partido “socialista”.
Já é bem visível que os EUA tentam desestabilizar o Brasil, desde que a
Agência de Segurança Nacional dos EUA espionou correspondência eletrônica e
conversações telefônicas da presidenta Dilma Rousseff do Partido dos
Trabalhadores (PT) e vários de seus ministros, o que levou ao cancelamento de
uma visita de estado que Rousseff faria a Washington; e com o Brasil hospedando
o presidente russo Vladimir Putin e outros líderes do bloco econômico dos BRICS
em recente encontro de cúpula em Fortaleza.
O Departamento de Estado dos EUA e a CIA só fazem
procurar pontos frágeis no tecido social do Brasil de Rousseff, para criar aqui
as mesmas condições de instabilidade que fomentaram em outros países na América
Latina (Venezuela, Equador, Argentina – na Argentina mediante bloqueio de
créditos para o país, em operação arquitetada por Paul Singer,
capitalista-abutre sionista) – e na Bolívia.
Mas Rousseff, que antagonizou Washington ao anunciar, com outros líderes
BRICS em Fortaleza, o estabelecimento de um banco de desenvolvimento dos países
BRICS, para concorrer contra o Banco Mundial (controlado por EUA e União
Europeia) parecia imbatível nas eleições de reeleição. A atual presidenta era,
sem dúvida, candidata ainda imbatível quando, dia 13 de agosto, Campos e quatro
de seus conselheiros de campanha, além do piloto e copiloto, embarcaram no
avião Cessna 560XL, que cairia em Santos, matando todos a bordo.
A queda do avião empurrou para a cabeça da chapa do PS a candidata que
concorria como vice-presidente, Marina Silva. Em 2010, Silva recebeu inesperados
20% dos votos à presidência, como candidata de seu Partido Verde. Esse ano, em
vez de concorrer sob a legenda de seu partido, Marina optou por agregar-se à
chapa pró-business, mas ainda dita “socialista” de Campos. Hoje, Marina
já está sendo apresentada – talvez com certo exagero muito precipitado! – como
melhor aposta para derrotar Rousseff nas eleições presidenciais de outubro
próximo.
Marina, que é pregadora cristã evangélica em país predominantemente
cristão católico romano, também é conhecida por ser muito próxima da
infraestrutura da “sociedade civil” global e dos grupos de “oposição
controlada” financiados por George Soros, capitalista e operador de hedge
fund globais. Conhecida por sua participação nos esforços para
proteção da floresta amazônica brasileira, Marina tem sido muito elogiada por
grupos do ambientalismo patrocinado pelo Instituto Open Society [Sociedade
Aberta], de George Soros. A campanha de Marina, como já se vê, está repleta de
palavras-senha da propaganda das organizações de Soros: “sociedade
sustentável”, “sociedade do conhecimento” e “diversidade”.
Marina exibiu-se ao lado da equipe do Brasil na cerimônia de abertura
dos Jogos Olímpicos de Londres em 2012. O ministro dos Esportes do Brasil, Aldo
Rebelo, disse que a exibição de Marina naquela cerimônia havia sido aprovada
pela Família Real Britânica, e que ela “sempre teve boas relações com a
aristocracia europeia”.
Marina também apoia com muito mais empenho que Rousseff as políticas de
Israel para a Palestina. Como se vê também nas Assembleias de Deus de cristãos
pentecostais, Marina participa de uma facção religiosa que acolhe, não raro nas
posições de comando organizacional, membros do movimento mundial dos “Cristãos
Sionistas”, tão avidamente pró-Israel quanto organizações de judeus sionistas
como B'nai B'rith e o World Jewish Congress. As
Assembleias de Deus creem no seguinte, sobre Israel:
Segundo a Escritura, Israel tem importante papel a cumprir no fim dos
tempos. Por séculos, estudiosos da Bíblia ponderaram sobre a profecia de uma
Israel restaurada. “Eis o que diz o Senhor Soberano: Tirarei os israelitas das
nações para as quais foram. Reuni-los-ei de todas as partes e os porei juntos
na sua própria terra”. Quando o moderno estado de Israel foi criado em 1948, e
os judeus começaram a ir para lá, de todos os cantos do mundo, os estudiosos da
Bíblia viram ali a mão de Deus em ação; e que nós viveremos lá os últimos dias.
Em 1996, Marina recebeu o Prêmio Ambiental Goldman, criado pelo fundador
da Empresa Seguradora Goldman, Richard Goldman e sua esposa, Rhoda Goldman, uma
das herdeiras da fortuna da empresa de roupas Levi-Strauss.
Em 2010, Marina foi listada, pela revista Foreign Policy,
editada por David Rothkopf, do escritório de advogados Kissinger
Associates, na lista de “principais pensadores globais”.
O mais provável é que jamais se conheçam todos os detalhes do acidente
que matou Campos. Participam hoje das investigações sobre o acidente a National
Transportation Safety Board (NTSB) e a Federal Aviation
Administration, do governo dos EUA. Membros dessas duas organizações com
certeza serão informados do andamento das investigações e passarão tudo que
receberem para agentes da CIA estacionados em Brasília, os
quais tudo farão para ter o título “Trágico Acidente” estampado no relatório
final.
A CIA sempre conseguiu encobrir sua participação em outros acidentes de
avião na América Latina que eliminaram opositores do imperialismo
norte-americano naquela parte do mundo. Dia 31/7/1981, o presidente Omar
Torrijos, do Panamá, morreu quando o avião da Força Aérea panamenha no qual
viajava caiu perto de Penonomé, Panamá. Sabe-se que, depois que George H. W.
Bush invadiu o Panamá em 1989, os documentos da investigação sobre o acidente,
que estavam em posse do governo do general Manuel Noriega foram confiscados por
militares norte-americanos e desapareceram.
Dois meses antes da morte de Torrijos, o
presidente Jaime Roldós do Equador, líder populista que se opunha aos EUA,
havia também morrido num acidente de avião: seu avião Super King Air (SKA), operado como principal aeronave de transporte
oficial pela Força Aérea do Equador, caiu na Montanha Huairapungo na província
de Loja. No avião, também viajavam a Primeira-Dama do Equador, e o Ministro da
Defesa e esposa. Todos morreram na queda do avião. O avião não tinha Gravador
de Dados do Voo, equipamento também chamado de “caixa preta”. A polícia de
Zurique, Suíça, que conduziu investigação independente, descobriu que a
investigação feita pelo governo do Equador encobria falhas graves. Por exemplo,
o relatório do governo do Equador sobre a queda do SKA, não
mencionava que os motores do avião estavam desligados quando a aeronave colidiu
contra a parede da montanha.
Como o avião de Roldós, o Cessna de Campos também não
tinha gravador de dados de voo. Além disso, a Força Aérea Brasileira anunciou
que duas horas de conversas gravadas pelo gravador de voz da cabine de voo do
Cessna em que viajava Campos não incluem qualquer conversa entre o piloto,
copiloto e torre de controle naquele dia 13 de agosto. O gravador de voz da
cabine a bordo do fatídico Cessna 560XL foi fabricado por L-3
Communications, Inc.de New York City. Essa empresa L-3 é
uma das principais fornecedoras de equipamento de inteligência e espionagem
para a Agência de Segurança Nacional dos EUA, a mesma empresa que fornece
grande parte das capacidades de escuta de seu cabo submarino, mediante contrato
entre a ASN (Agência de Segurança Nacional – NSA em inglês) e a Global
Crossing, subsidiária da L-3.
Embora Campos não fosse inimigo dos EUA, sua morte em circunstâncias
suspeitas, apenas poucos meses antes da eleição presidencial, substituído, como
candidato, por elemento importante na infraestrutura política coordenada por
George Soros, cria alguma dificuldade eleitoral para a presidenta Rousseff, que
Washington, sem dúvida possível, vê como adversária.
Com Rússia e África do Sul absolutamente inacessíveis para esse tipo de
ardil, restam Índia e Brasil, como alvos dos esforços da CIA e
de Soros para fazer rachar e desmontar o grupo BRICS. Embora o governo do
direitista Narendra Modi na Índia esteja apenas começando, há sinais de que
pode vir a ser a cunha de que os EUA precisam para desarticular os BRICS. Por
exemplo, a nova Ministra de Relações Exteriores da Índia, Sushma
Swaraj, é conhecida como empenhada e muito comprometida aliada
de Israel.
No Brasil, hoje governado por Rousseff, a melhor oportunidade para
infiltrar no governo um dos “seus” parece ser, aos olhos da CIA e
Soros, a eleição de Marina Silva. Seria como um “Cavalo de Tróia” infiltrado no
comando de um dos países do grupo BRICS, em posição para atacar por dentro
aquele bloco econômico, mais importante a cada dia.
A queda do avião que matou Eduardo Campos ajudou a empurrar para muito
mais perto do Palácio da Alvorada, em Brasília, uma agente-operadora dos grupos
financiados por George Soros.
Wayne Madsen é
jornalista investigativo, autor e colunista. Tem cerca de vinte anos de
experiência em questões de segurança. Como oficial da ativa projetou um dos
primeiros programas de segurança de computadores para a Marinha dos EUA. Tem
sido comentarista frequente da política de segurança nacional na Fox
News e também nas redes ABC, NBC, CBS, PBS, CNN, BBC, Al
Jazeera, Strategic Culture e MS-NBC. Foi convidado a depor
como testemunha perante a Câmara dos Deputados dos EUA, o Tribunal Penal da ONU
para Ruanda, e num painel de investigação de terrorismo do governo francês. É
membro da Sociedade de Jornalistas Profissionais (SPJ) e do National
Press Club. Reside em Washington, DC.
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 26.08.2014 13h31m
Nenhum comentário:
Postar um comentário