NA BAND, DILMA “BRAVA” VAI BEM; MARINA APRESENTA
PROPOSTAS VAGAS; AÉCIO DIZ QUE BRASIL NÃO PODE VIVER “NOVAS AVENTURAS”
por Luiz
Carlos Azenha 27 de agosto de 2014 às 1:38

Diante de
uma bancada de jornalistas de direita ou de extrema-direita, jornalistas de
oposição que fizeram perguntas ao gosto dos patrões da TV Bandeirantes, ligados
ao agronegócio — questões sobre suposto ‘exagero’ na extensão de terras
indígenas ou regulamentação da mídia eletrônica, por exemplo –, a presidente
Dilma Rousseff se saiu bem sempre que adotou o tom agressivo, apesar da posição
desconfortável de ser a vitrine diante de seis adversários.
Sem
considerar o conteúdo político das respostas, a candidata que melhor articulou
sua participação foi Luciana Genro, do PSOL. “Quem diz que vai governar com paz
e amor está mentindo”, afirmou em sua fala final, se apresentando como
alternativa aos líderes das pesquisas, Dilma, Marina e Aécio.
Marina
Silva, do PSB, que segundo a mais recente pesquisa do Ibope ultrapassou seu
adversário do PSDB, Aécio Neves, foi vaga em suas propostas. Preferiu repetir
que o grande problema do Brasil é a polarização entre PT e PSDB. Não disse
absolutamente nada marcante sobre como pretende governar, a não ser
generalidades: adotaria, por exemplo, um certo “estado mobilizador”, que não
explicou detalhadamente. Na entrevista depois do debate, voltou a frisar sua
“dor” pela perda de Eduardo Campos.
Aécio Neves,
por sua vez, encerrou sua participação afirmando que o Brasil não pode viver
“novas aventuras, improviso”, no que nos pareceu uma clara alfinetada na
candidata Marina Silva. Aécio reafirmou que, em seu governo, a economia será
comandada pelo ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga.
Se houve
algum beneficiado pelo debate, dentro das circunstâncias políticas do momento,
foi Aécio: ele expôs com mais clareza suas propostas que sua competidora mais
direta, Marina Silva.
Um dos
pontos altos de Dilma foi o debate sobre a Petrobras com Aécio Neves. Ao fazer
a pergunta sobre a presença da empresa nas páginas policiais, deu oportunidade
a Dilma para que apresentasse uma defesa consistente do governo, fazendo
comparações com episódios importantes do passado, como a tentativa de trocar o
nome para Petrobrax e a plataforma P-36, que afundou sob os tucanos.
Outro ponto
alto de Dilma foi quando discutiu o Mais Médicos com Marina Silva, que se
referiu ao programa como “paliativo”. Dilma alfinetou de volta dizendo que não
se deve falar nunca do tratamento da saúde alheia como algo “paliativo”. O
número de 50 milhões de atendidos pelo programa foi enfatizado.
Sem entrar
no mérito sobre se os números são ou não verdadeiros, tanto Dilma quanto Aécio
foram eficazes ao apresentá-los como forma de enfatizar experiência
administrativa. Luciana Genro costurou sua participação de forma bem
articulada, apresentando propostas de forma clara e coerente.
Tudo indica
que, a partir de agora, com a atenção dos eleitores voltada cada vez mais para
detalhes das propostas dos candidatos, Marina Silva terá de ser mais específica
do que foi na Band. Ela convocou à união nacional, falou em aproveitar “os
melhores” e outras generalidades sem qualquer significado prático.
Durante o
debate, a candidata do PSB pregou inclusive a redefinição do significado da
palavra “elite”, colocando Chico Mendes lado a lado com banqueiros. Como
notou com fineza Luciana Genro, usando outras palavras, a socialista Marina
praticamente aboliu a luta de classes.
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 27.08.2014 07h30m
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