POR QUE IBOPE E DATAFOLHA NÃO
PESQUISARAM 2º TURNO ENTRE AÉCIO E MARINA?
Enquanto Marina não for questionada com severidade estará consolidando a
posição de segunda colocada no primeiro turno e estará acumulando forças para o
segundo turno
Por Eduardo Guimarães 27/08/2014 às 07:12
Desde o dia 18 último que uma pergunta ficou rondando a mente do
blogueiro. Para não sentir-se obcecado, porém, este que vos escreve não deu
muita atenção ao fato. Agora, porém, com a repetição do fenômeno a dúvida
ganhou significação.
O que aconteceu no dia 18 de
agosto passado? Saiu uma pesquisa Datafolha que, tal qual a de terça-feira, do
Ibope, inexplicavelmente não pesquisou o embate em segundo turno entre Marina
Silva e Aécio Neves.
E daí? Este seu servo, leitor, é
que pergunta: por que, diabos, os dois maiores institutos de pesquisa do país
não pesquisaram a possibilidade de, por exemplo, Aécio ultrapassar Dilma
Rousseff e disputar o segundo turno com Marina?
Impossibilidade estatística?
Alguma lei da natureza ou dos homens impede que tal confronto possa ocorrer?
Na noite de terça, logo após
noticiar a sondagem do Ibope, o Jornal Nacional deu a informação, porém sem
qualquer explicação: assim como o Datafolha, o Ibope não pesquisou esse
cenário.
Logo vem à mente uma dúvida: a
lei permite que uma mesma pesquisa eleitoral não submeta um ou mais candidatos
a escrutínios aos quais submete outros?
É só para saber…
Mesmo que a lei permita, ainda
seria de bom alvitre que os que encomendaram a pesquisa Ibope – bem como o
próprio instituto – explicassem por que não foi pesquisado um cenário que pode
até ter pouca chance de ocorrer, mas que de maneira alguma é impossível que
ocorra.
Hoje, é pouco provável que Aécio
passe para o segundo turno com Dilma, mas isso não impediu que o Ibope
pesquisasse um eventual segundo turno entre os dois. Por que não Marina e
Aécio?
Se houver uma explicação, ela
deveria ser dada. Fica parecendo que não é do interesse de quem encomendou as
pesquisas Ibope e Datafolha que seja exposta a possibilidade maior de que Aécio
fosse massacrado em um confronto direto com Marina.
Ah, mas Aécio poderia vencer,
dirão. Tudo pode acontecer, mas se ele perde de Dilma por boa margem no segundo
turno o mais lógico é supor que sua derrota para Marina seria acachapante em um
eventual segundo turno.
Esse parece ser o problema de
quem encomendou as pesquisas Ibope e Datafolha: não querer expor mais de um
péssimo resultado de Aécio numa mesma pesquisa. Queriam um mau resultado para
ele (cair para terceiro lugar) e outro para Dilma (perder de Marina no segundo
turno).
Pergunta: quanto mais de
manipulação têm essas pesquisas?
Mas é claro que se o dileto
leitor tiver uma teoria melhor para explicar esse troço tão esquisito, que
fique à vontade para expor.
Debate na Band
O debate na Band começou tarde
(22 horas) e terminou já no rastro da segunda hora da madrugada desta quarta.
De certa forma, foi surpreendente
ver Dilma sendo alvo de todos os adversários, inclusive de Aécio e Marina. A
lógica era a de que Marina fosse a mais atacada, mas nem o principal
interessado em desgastá-la – Aécio – fez dela seu alvo principal, preferindo
focar em Dilma.
Menos surpreendente foi Marina ir
para o ataque contra Dilma e Aécio, repisando, vez após outra, o papo da
“polarização” entre PT e PSDB.
Dilma se defendeu como pôde.
Particularmente, o Blog julga que passou bem pelo corredor polonês dos adversários.
Manteve postura digna, apesar do nervosismo que não a abandona nunca.
Marina foi, de longe, a mais
serena. Parece muito segura de seu bom momento. Contudo, enrolou o tempo todo.
Fugiu dos problemas que seus correligionários banqueiros e mega empresários têm
com o fisco, fugiu de quase todos os temas polêmicos.
Aécio fala bem, mas abusa do
caradurismo. Continua fazendo acusações éticas ao PT e ao governo Dilma apesar
da montanha de problemas que ele mesmo e seu partido têm nessa seara. E acha que
ninguém questiona tal contradição. Por isso está tão mal nas pesquisas.
Mas o mais interessante é que
Aécio só podendo crescer, a esta altura, se tirar votos de Marina, preferiu
atacar Dilma. Pode-se especular que ele acredita que pode estar no segundo turno
com a petista, mas há hipótese mais provável.
Será que Aécio não tentou simular
que acredita que pode voltar o segundo lugar na disputa? Parece mais provável.
Seja como for, esse debate não
deverá ter maiores desdobramentos por si mesmo. Só quem viu foram os
convertidos de cada lado. O povo não viu. O que for dito na mídia, portanto, é
que terá influência. E, aí, todo mundo sabe o que acontecerá.
Não existe, porém, nenhum
naufrágio disponível. Mesmo Dilma, alvo de todos os adversários, manteve-se
firme, digna. E à versão antipetista da mídia é óbvio que blogs e redes sociais
farão o contraponto.
De uma coisa, porém, pode-se ter
certeza: enquanto Marina não for questionada com severidade estará consolidando
a posição de segunda colocada no primeiro turno e estará acumulando forças para
o segundo turno.
Nesse aspecto, parece que Aécio
já está jogando a toalha. Intimidou-se diante da concorrente ao segundo lugar
no primeiro turno. É óbvio que pretende apoiá-la com quando ela passar ao
segundo turno – e Marina não passar ao segundo turno é uma possibilidade cada
vez mais distante.
As escolhas de Aécio, porém, não
escondem outro fato que este Blog vaticina e que ainda está por confirmar-se:
se o PSDB apoiar Marina oficialmente no segundo turno, com direito a Aécio
aparecer em seu programa de tevê e tudo, irá fazê-la perder muito apoio à
esquerda.
Era isso.
BRASIL 247 27/08/2014
07:12
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 27.08.2014 08h03m
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