E AGORA
AÉCIO ?
Senador tucano Aécio Neves (PSDB-MG) enfrenta
um duplo desafio: evitar traições e defecções entre os tucanos, que já aderem a
Marina, e não perder em Minas Gerais, onde seu candidato, Pimenta da Veiga,
está muito atrás do petista Fernando Pimentel; ontem, mudou o comando da
campanha em Minas; para o senador tucano, é vital preservar a máquina
mineira, que lhe dá poder e influência em âmbito nacional; ainda dá para virar
o jogo nessas duas partidas ou em pelo menos uma delas?
Em queda nas
pesquisas após o surgimento do fenômeno Marina Silva na sucessão presidencial,
o senador Aécio Neves (PSDB) está se desdobrando para evitar traições no ninho
tucano e cessar a migração de recursos de doações para a adversária do PSB. Não
bastasse a complexidade dessa operação, Aécio ainda precisa evitar uma derrota
em Minas Gerais, seu principal bunker político, onde o candidato tucano Pimenta
da Veiga corre o risco de ser derrotado ainda no primeiro turno pelo petista
Fernando Pimentel.
As contramedidas de Aécio nos dois flancos já começaram a
ser implementadas.
Nos estados, a coordenação nacional da campanha solicitou
maior espaço para o presidenciável na grade regional da propaganda gratuita de
rádio de TV dos candidatos tucanos. Um dos fieis apoiadores de Aécio, o
governador de Goiás Marconi Perillo, líder nas pesquisas, atendeu de pronto à
solicitação.
Em São Paulo, porém, maior colégio eleitoral do País, o
governador Geraldo Alckmin (PSDB) seguiu em rota contrária, exibindo um vídeo do
deputado Beto Albuquerque (PSB), vice de Marina.
É em São Paulo onde Aécio enfrenta mais dificuldades em
enquadrar seus correligionários, à revelia de ter na sua vice o senador Aloysio
Nunes (SP). Muito, é provável, pelo fato de Alckmin e do ex-governador José
Serra atribuírem parte das derrotas nas disputas presidenciais de 2006 e 2010
ao “pouco empenho” de Aécio na campanha.
Na bruma de uma semana difícil, Aécio chegou a ser traído
pelo desânimo na última quarta-feira (27), após receber a informação de levantamentos,
confirmados pelo Datafolha, de que estava em declínio nas pesquisas. “Olha,
Aloysio, eu não sei aonde nós vamos chegar, mas saber que vou chegar junto com
você já é uma vitória”, disse, em agradecimento aos incentivos de seu vice.
Depois disso, não deu mais sinais de pessimismo, pelo menos não em público.
Nacionalmente, Aécio pretende se apresentar como a
alternativa segura entre a presidente que “fracassou" e uma candidata
cheia de boas intenções, mas ainda "incipiente" para executar suas ideias.
As críticas continuam vigorosas contra a petista Dilma Rousseff, candidata à
reeleição, especialmente em relação ao rumos da economia. Mas pode não ser o
suficiente, o que levaria a campanha tucana a elevar o tom contra Marina.
Em Minas, onde a manutenção do poder é vital para Aécio
continuar figurando comoliderança de expressão nacional, o comando da campanha
local mudou. Saiu o deputado federal Alexandre Silveira (PSD) e entrou o
ex-secretário estadual de Governo Danilo de Castro, principal articulador
político de Aécio no Estado e coordenador das campanhas vitoriosas de 2002,
2006 e 2010 (com Antonio Anastasia).
Em Minas o candidato de Aécio, o ex-ministro Pimenta da
Veiga, oscila entre 14 e 17 pontos percentuais abaixo do petista Fernando
Pimentel, a depender da pesquisa. Andrea Neves, irmã de Aécio e coordenadora da
comunicação nacional, dará maior atenção ao Estado. A estratégia da campanha de
Pimenta da Veiga é intensificar os ataques a Pimentel numa campanha já bastante
tensa com acusações mútuas.
Aécio deve aparecer com maior freqüência na campanha de
Pimenta. Antes, porém, o presidenciável terá de dobrar seu staff nacional, que
quer vê-lo em mais viagens pelo Brasil.
brasil 247 30 de
agosto de 2014 às 10:32
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.08.2014 11h01m
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