TSE DIZ QUE 'VEJA' MANIPULA
INFORMAÇÃO E ATUA DE FORMA PARTIDÁRIA CONTRA DILMA
Ministro Admar Gonzaga dá direito de resposta
imediato à presidenta e ao PT e afirma que revista busca interferir no processo
eleitoral. Reportagem da revista semanal foi utilizada pelo Jornal Nacional
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concedeu hoje (25) direito de
resposta a Dilma Rousseff e à coligação “Com a Força do Povo” para que sejam
reparadas informações mentirosas difundidas pela revista Veja em reportagem publicada na edição
desta semana. A decisão do ministro Admar Gonzaga determina que a versão da
candidata do PT à reeleição seja publicada imediatamente na página da
publicação na internet, independente de recurso.
Na
sentença, Gonzaga afirma que o conteúdo da revista “não ostenta, por si só,
caráter absoluto ou de veracidade”, ao afirmar que Dilma e o ex-presidente Luiz
Inácio Lula da Silva tinham conhecimento sobre um esquema de pagamento de
propinas utilizando a Petrobras. Ele observa ainda que a edição baseia-se “em
depoimento do qual não se tem conhecimento sobre o real conteúdo – o que certamente
o torna incerto/duvidoso”.
O direito
de resposta deve ser colocado na internet no “mesmo lugar e tamanho em que
exibida a capa do periódico, bem como com a utilização de caracteres que
permitam a ocupação de todo o espaço indicado”.
Na
decisão, o ministro assinala ainda estranheza com o fato de a revista ter
começado a circular na sexta-feira, com um dia de antecedência em relação ao
período usual de distribuição, e adverte ainda sobre o oferecimento do conteúdo
de maneira livre na internet, uma operação normalmente garantida apenas a
assinantes. Somadas, as duas atitudes sugerem “a ocorrência de manipulação de
informação com nítido caráter eleitoral, traduzindo-se em claro abuso do
direito de informação”.
O texto da decisão liminar diz que a revista Veja “desbordou do seu direito de bem
informar”, agiu de forma ofensiva e sem qualquer cautela, e que “as
circunstâncias demonstram a conduta facciosa do periódico”.
Antes da liminar, a Procuradoria-Geral
Eleitoral havia se manifestado a favor do acolhimento do pedido da coligação
encabeçada pelo PT. O vice-procurador-geral Eugênio José Guilherme de Aragão
afirmou que na reportagem da Veja “não se trata de fato verídico, já
apurado por autoridades públicas. E são muito graves as colocações efetuadas em
tal matéria, dando um viés de certeza a um depoimento cujo teor é desconhecido,
e que configura calúnia”.
Na
resposta, a coligação de Dilma afirma que “a democracia brasileira assiste,
mais uma vez, a setores que, às vésperas da manifestação da vontade soberana
das urnas, tentam influenciar o processo eleitoral por meio de denúncias
vazias, que não encontram qualquer respaldo na realidade, em desfavor do PT e
de sua candidata”.
E
continua: “A publicação faz referência a um suposto depoimento de Alberto
Youssef, no âmbito de um processo de delação premiada ainda em negociação, para
tentar implicar a presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula
da Silva em ilicitudes. Ocorre que o próprio advogado do investigado, Antônio
Figueiredo Basto, rechaça a veracidade desse relato, uma vez que todos os
depoimentos prestados por Yousseff foram acompanhados por Basto e/ou por sua
equipe, que jamais presenciaram conversas com esse teor.”
Mais cedo, em Porto Alegre, Dilma voltou a manifestar indignação
com a atitude da revista. "Vou investigar a fundo. Doa a quem doer.
Manifesto meu repúdio a esse processo, que é um processo golpista. Tenho uma
vida inteiro de repúdio à corrupção", afirmou. "Por que isso não
apareceu antes? Que história é essa? Minha indignação é proporcional à
injustiça que estão cometendo contra mim", desabafou.
O direito de resposta, porém, foi concedido
pouco antes de o Jornal Nacional dar eco às denúncias trazidas pela Veja. O pretexto do telejornal
da Globo, o mais assistido do país, foi a pichação do prédio da Abril promovida
ontem à noite por militantes, que escreveram em paredes inscrições como “Veja
mente”.
Sob essa
perspectiva, a reportagem aproveitou para falar sobre a denúncia, dando voz ao
candidato do PSDB à presidência da República, Aécio Neves, que se posicionou
como defensor da liberdade de expressão e afirmou que o ataque não deveria ser
direcionado à Abril, mas aos grupos que desviam recursos do Estado.
Embora a
reportagem tenha exibido fala de Dilma a respeito, foi dado à revista o direito
de replicar a resposta da petista, que não teve direito a tréplica. No dia
anterior, quando haveria tempo para uma nova resposta da petista, inclusive
pela via judicial, o tema foi ignorado pelo telejornal da Globo, que preferiu
deixar a exibição da denúncia para a noite anterior ao início da votação.
De
imediato usuários de redes sociais reagiram à reportagem, colocando a hashtag
#GolpeNoJN no topo dos assuntos mais comentados no Twitter em todo o mundo.
Entre as postagens surgiram recordações sobre a manipulação da eleição de 1989,
quando, em um pleito acirrado, a Globo divulgou informações falsas sobre Lula e
editou o debate ocorrido no dia anterior de forma a favorecer Fernando Collor
de Mello, que acabaria eleito.
Também pelo Twitter, a deputada Benedita da Silva (PT-RJ)
manifestou indignação com a reportagem exibida pela Globo: "Não existe
covardia maior do que golpe pelas costas. Quando não há tempo hábil para
responder povo brasileiro vocês já viram esse filme."
REDE BRASIL ATUAL 25 de outubro de 2014 21:33
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 26.10.2014 07h28m
Nenhum comentário:
Postar um comentário