RENAN DIZ
QUE SENADO DERRUBARÁ DECRETO QUE CRIA CONSELHOS POPULARES
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL),
disse hoje (29) que “dificilmente” o decreto presidencial que cria a política e
o sistema nacional de participação popular será mantido na Casa.
Ontem (28), a Câmara dos Deputados aprovou um projeto de decreto legislativo
que derruba o decreto presidencial e agora o Senado vai votar o projeto. Se o
projeto de decreto legislativo for aprovado, o decreto presidencial será
revogado.
De acordo com Renan, os senadores também vão
aprovar o projeto de decreto legislativo aprovado pelos deputados. “Essa coisa
do decreto, eu não enxergo como derrota. Já havia um quadro de insatisfação com
a aprovação dessa matéria. Ela ser derrubada na Câmara não surpreendeu. Da
mesma forma que não surpreenderá se ela for, e será, derrubada no Senado
Federal.”
Ele lembrou que há muito tempo a proposta de
criação de conselhos populares enfrentava resistência, mas negou que a
tendência de rejeitá-la tenha relação com o resultado das eleições. O decreto
presidencial prevê a criação de conselhos com a participação de membros de
entidades da sociedade civil organizada, como sindicatos, por exemplo, para
auxiliar o governo na tomada de decisões, em contato direto com ministérios
para a formulação de políticas públicas.
Muitos parlamentares, no entanto, entendem que,
pela proposta, esses conselhos se sobrepõem às atribuições do Congresso
Nacional e podem evitar que alguns temas sejam debatidos no Parlamento. “Essa
dificuldade já estava posta desde antes das eleições. Apenas se repete. Essa
coisa da criação de conselhos é conflituosa, não prospera consensualmente no
Parlamento. Deverá cair”, reiterou Renan.
O senador criticou as declarações do
secretário-geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, que
considerou a derrubada do decreto presidencial na Câmara uma “vitória de
Pirro”, que “não significa nada, a não ser a vontade conservadora de impor uma
derrota política à presidenta”. A expressão "vitória de Pirro" é
usada no caso de conquistas obtidas por meio de esforços demasiado penosos.
Para Renan, o ministro não sabe do que está falando. “Sinceramente, mais uma
vez, o ministro Gilberto Carvalho não está sabendo nem o que está falando”,
afirmou.
O presidente do Senado admitiu, porém, que existem
muitos projetos prioritários na pauta da Casa e que ela precisará ser
“organizada” para definição das próximas votações. No entanto, Renan lembrou
que o projeto de decreto legislativo aprovado pela Câmara está tramitando em
regime de urgência e deverá ter prioridade, mas a data para a votação ainda
será marcada.
Outro projeto que deverá ser votado logo no Senado
é o que trata da troca do indexador das dívidas dos estados com a União. Ao
longo de todo o ano, os senadores discutiram o assunto e diversos governadores
estiveram em Brasília negociando para que suas dívidas sejam atualizadas com
juros menores. Segundo Renan, o projeto será finalmente votado.
Ele lembrou que
havia uma negociação com o governo para que, tão logo passasse o segundo turno
das eleições, fosse votada a troca do indexador das dívidas. "É um assunto
prioritário para a próxima semana. Há um compromisso em relação a esse
calendário tanto do Senado quanto do Ministério da Fazenda.”
Renan Calheiros falou também sobre as eleições para
presidente do Senado, em fevereiro do ano que vem, quando muda a legislatura e
os recém-eleitos tomam posse. O PMDB se manterá como o maior partido da Casa e,
por isso, tem direito a indicar um nome para a presidência. Ele negou, no
entanto, que seja candidato à reeleição neste momento. “Meu nome não está
posto. Nunca acontece de um nome ficar posto por decisão pessoal. Quando isso
ocorre, é produto da vontade da maioria da bancada. Mas essa é questão para
janeiro. Em janeiro, o PMDB senta, conversa e escolhe o candidato a
presidente."
AGÊNCIA BRASIL 29 de outubro de 2014 19:30
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 30.10.2014 08h26m
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