DIANTE
DE CARTEL, DILMA USA A ESTRATÉGIA DE ALCKMIN
Ao admitir desvios na Petrobras e anunciar a
busca por reparações pelos desvios causados pelo cartel de empreiteiras, a
presidente Dilma Rousseff (PT) assume uma reação parecida com a do governador
reeleito de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB); diante do cartel de fornecedores
do metrô, com Siemens, Alstom e Bombardier, que atingiu o tucano Robson
Marinho, ele afirmou que e Estado era vítima e iria buscar a devolução do
dinheiro; para o tucano, a estratégia funcionou; será, contudo, eficaz para
Dilma, no escândalo deflagrado após a prisão de Paulo Roberto Costa?

Às vésperas da realização do
segundo turno das eleições, a presidente Dilma Rousseff (PT) reconheceu que
houve desvios na Petrobras e que os cofres públicos terão de ser ressarcidos
pelas empresas que supostamente formaram um cartel para se beneficiar nos
negócios com a estatal. A estratégia, ousada e de reflexos aparentemente
imprevisíveis, é semelhante à adotada pelo governador reeleito de São Paulo,
Geraldo Alckmin (PSDB), no calor das revelações de que as empresas Siemens,
Alstom e Bombardier formaram também um cartel (com anuências das autoridades
paulistanas) para participar das licitações do Metrô paulistano.
Se com
Alckmin o reconhecimento dos malfeitos deu certo (ele foi reeleito com
facilidade logo no primeiro turno), o mesmo não é possível afirmar em relação a
Dilma. O governador paulista contou mais do que com a docilidade da grande
mídia, que nunca deu amplo destaque ao caso do Metrô, mas que saudou com loas
seu denodo em não esconder a corrupção e exigir punição aos malfeitores. No
caso da presidente petista, a situação é inversa, já que enfrenta uma oposição
engajada nas redações dos maiores jornais e revistas do País.
Lideranças da oposição encontraram nesses veículos microfones
abertos para amplificar as críticas ao que qualificaram como uma “confissão de
culpa” de Dilma. O senador Agripino Maia (RN), coordenador da campanha do
tucano Aécio Neves (PSDB), gritou ao jornal o Globo que “todos os
posicionamentos do governo e da presidente em relação a esse tema (Petrobras)
são sempre tardios, como foi a demissão de Paulo Roberto Costa (o delator do
suposto esquema)”. A publicação da família Marinho deu amplo espaço para as
lideranças da oposição fuzilarem Dilma, já indicando como o assunto será
tratado pela campanha adversária (leia mais aqui).
Outro
ponto que levanta incertezas sobre a eficácia eleitoral da admissão do suposto
escândalo é o fato de que o tema é candente na imprensa neste período pré
segundo turno, insuflado por seu potencial de desgastar a candidatura petista.
Reconhecer sua existência é dar munição para que a crise persista até a
realização do segundo turno. Alckmin, quando assumiu que o cartel fora real e
exigiu o ressarcimento do Erário, o fez mais de um ano antes da realização do
primeiro turno, tempo mais do que suficiente para que as denúncias esfriassem e
caíssem no esquecimento. Foi também a produção de um antídoto para ser
utilizado quando o tema retornasse na campanha.
Hoje, o tema Petrobras apresenta uma novidade a cada dia, com
vazamentos seletivos desenhando um cenário diferente a todo momento e
fornecendo o combustível ao incêndio no Planalto. Talvez por isso, e por não
ter acesso ao conteúdo da delação premiada de Paulo Roberto Costa – como bem
destacou Dilma em sua entrevista coletiva do sábado (18) –, a campanha petista
tenha optado por uma solução global ao admitir que há corrupção e que os
culpados serão punidos (eia mais aqui). Sejam eles
os já nominados ou aqueles que vierem a surgir à medida que se aproxima o dia
26 de outubro.
BRASIL 247 19 de outubro de 2014 10:20
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 20.10.2014 11h15m
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