SARDENBERG
MERECE GANHAR O PRÊMIO IG-NOBEL DE ECONOMIA POR SEU COMENTÁRIO SOBRE A CRISE
GREGA
Por
Paulo Nogueira
Está sobrando ódio no debate
político brasileiro.
E,
consequentemente, está faltando humor.
Por isso, é mais que bem-vinda a resposta que Lula deu ao jornalista Carlos
Alberto Sardenberg a propósito de uma análise dele que atribuía a culpa da
encrenca grega ao PT.
Sardenberg
fez uma bizarra conexão entre encontros entre o premiê grego Tsipras com Lula e
Dilma, algum tempo atrás.
Tsipras
teria sido induzido a acreditar que você pode enfrentar uma crise econômica sem
ajuste fiscal. Daí, segundo Sardenberg, a tormenta grega e europeia.
Lula, em
sua conta no Facebook, colocou uma montagem em que Sardenberg aparece culpando
o PT por coisas como o frio, além, é claro, da crise grega.
A foto é
brincadeira, disse Lula, mas a análise é real.
Espirituosamente,
Lula lembrou os múltiplos microfones dados pela Globo a Sardenberg: Globonews,
CBN, jornal O Globo etc etc.
É assim
com quem, como Sardenberg, poderiam ter um cartão escrito assim. Profissão:
atacar o PT.
Porque
isso virou a melhor forma de fazer carreira na imprensa desde a ascensão de
Lula: atacar o PT.
Jornalistas
de trajetória mediana até o PT chegar ao Planalto cresceram brutalmente ao
entender a demanda dos donos das empresas jornalísticas e oferecer seus
serviços.
Sardenberg
é um caso. Reinaldo Azevedo, outro. Diogo Mainardi, mais um. Até Augusto Nunes
ressuscitou ao topar agredir sistematicamente Lula.
Aqui, um
parêntese. Augusto consegue fazer piada com o apelido Brahma – ele que se
gabava de ter conquistado o cargo de chefe de redação do Estadão ao derrotar,
em mesas de bar, os Mesquitas em duelos para ver quem aguentava encher mais a
cara.
Considerada
a tradição dos Mesquitas neste quesito, você pode imaginar quanto Augusto era
bom em beber. (Nos anos 1980, quando trabalhávamos ambos na Veja, tomei na
companhia de Augusto e outros grandes fogos pós-fechamento no bar do Alemão,
perto da redação. Eu até que era bom para beber, mas Augusto era simplesmente
imbatível.)
Eis algo,
aliás, comuníssimo entre jornalistas, o que não inibe ninguém de usar o apelido
Brahma para tentar desmoralizar Lula entre leitores preconceituosos e
moralistas.
Sardenberg
não precisou de Lula para virar piada.
Antes que
Lula se manifestasse, sua análise já viralizara nas redes sociais e provocara
uma mistura de gargalhadas e desprezo.
Com
graça, Lula lembrou que Nobéis de Economia como Krugman defendem a estratégia
de Tsipras.
Piketty,
o célebre economista francês que escreveu O Capital no Século 21, um formidável
tratado sobre a desigualdade – um assunto ignorado por Sardenberg e congêneres
–, também.
Piketty
lembrou que jamais a Alemanha pagou suas dívidas externas. Depois da Segunda
Guerra, no início da década de 50, a Alemanha simplesmente não pagou o que
devia aos credores internacionais por conta dos estragos nazistas.
Mas nada
disso conta para Sardenberg.
Pobres
ouvintes, ou espectadores, ou leitores de Sardenberg. Vão depois reproduzir as
tolices que engoliram.
Talvez um
dia, se despertarem, fiquem com raiva de quem os leva a um mundo paralelo.
Mas torço
que, caso acordem, reajam como Lula: com bom humor.
Basta
deixar de ler, ouvir e ver Globo, Globonews, Veja, CBN, Jovem Pan e por aí vai.
Quanto a
Sardenberg, para encerrar, acho que agora ele faz jus ao Prêmio Ig-Nobel de
Economia — uma paródia consagrada do Nobel — pela sua fantástica teoria sobre a
Grécia.
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO 08 de julho 2015
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 08.07.2015 09h59m
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