COM A
CUMPLICIDADE DA MÍDIA, EDUARDO CUNHA AGE COMO SE NÃO HOUVESSE ACUSAÇÕES
GRAVÍSSIMAS CONTRA ELE
Vamos voltar alguns meses.
Eduardo
Cunha apareceu na célebre Lista de Janot.
Depoimentos de gente como o doleiro Youssef – um homem absolutamente acreditado
pela mídia quando cita o PT e ignorado quando fala em amigos do barões da
imprensa – colocaram Cunha numa situação insustentável.
Cunha,
numa palavra, achacou.
Uma
empresa que regularmente fornecia propina para ele e seu partido, a Mitsui,
fechou a torneira.
Youssef
disse que, diante disso, Cunha em retaliação mandou uma Comissão no Congresso
fazer uma devassa completa na Mitsui.
Repito: a
isso se dá o nome pouco edificante, mas certeiro, de achaque.
Não ficou
apenas no plano das palavras. Documentos que vazaram mostram que, de fato,
aliados de Cunha fizeram “pressão pública” – a expressão é do insuspeito Globo
– sobre a Mitsui.
Isto foi
em março.
Era presumível que Cunha enfrentasse algum tipo de problema por conta das
revelações.
Imagine
que ele fosse do PT.
Quantos
repórteres estariam envolvidos na investigação do caso? Que espaço a mídia
dedicaria ao assunto? Como o Jornal Nacional e a Veja se comportariam?
E a
Polícia Federal: quantos vazamentos ela deixaria escapar? E a Justiça, o que
faria?
Mas acontece que Cunha é inimigo
do PT, o que lhe dá imunidade para cometer qualquer delinquência.
É neste quadro que, num momento
em que Cunha deveria estar comprando livros para uma provável temporada na
cadeia, ele faz o que quer no
Congresso.
Fez uma
gambiarra indecente na questão do financiamento privado de campanhas, há pouco
tempo, e agora repetiu a trapaça no caso da maioridade penal.
Eduardo
Cunha deveria estar brutalmente acossado. Em vez disso, ele acossa – a
decência, as regras, tudo.
Até
Joaquim Barbosa se escandalizou.
“Matéria
constante de proposta de emenda rejeitada (…) NÃO pode ser objeto de nova
proposta na mesma sessão legislativa”, escreveu JB no Twitter.
(Um
internauta, daqueles que tratavam JB como herói, comentou o seguinte neste
tuíte: “Cala a boca … SEU DEFENSOR DE BANDIDO”. Barbosa está vendo agora o tipo
animalesco de admiradores que construiu com seu comportamento no Mensalão.)
Emergiram
denúncias vergonhosas. Um deputado federal que trocou de voto em 24 horas
afirmou que ameaçaram mandar “bandidos de 16 e 17 anos” para sua casa.
Algum
repórter vai levar essa denúncia adiante? Ora, quem acredita nisso acredita em
tudo.
Quem
melhor resumiu a esdrúxula situação de Eduardo Cunha foi Luciana Genro.
Também no
Twitter, ao comentar o golpe aplicado na questão da maioridade, ela colocou o
seguinte: “Cunha criminaliza a juventude para que esqueçam os crimes dele (…).
Quer jogar os jovens na cadeia enquanto ele tenta escapar.”
Seria uma
definição perfeita não fosse um detalhe.
Para
pessoas com o perfil de Cunha, defensores da plutocracia em quaisquer
circunstâncias, cadeia simplesmente não existe.
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO 03 de julho 2015
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 05.07.2015 07h10m
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