CUNHA ROMPE COM PT E FALA EM 'EXPLODIR O GOVERNO'
"Saiba que o presidente da Câmara agora é
oposição ao governo. Eu, formalmente, estou rompido com o governo.
Politicamente estou rompido", disse Eduardo Cunha (PMDB-RJ) nesta manhã, a
poucas horas de seu pronunciamento em cadeia nacional; ele disse que, como
político, vai tentar convencer o PMDB a seguir o mesmo caminho; a decisão
foi motivada pela acusação, ontem, de que o peemedebista teria recebido US$ 5
milhões em propina; o deputado disse que a operação Lava Jato "é uma
orquestração do governo" e que ele tem direito a ser julgado no STF;
"Vamos entrar com uma reclamação para que venha [o processo] para o
Supremo e não fique nas mãos de um juiz que acha que é dono do país",
atacou, em relação a Sérgio Moro; a aliados, ele tem dito que irá
"explodir o governo"
Por Carolina Gonçalves – Repórter da Agência Brasil
A poucas horas de
pronunciamento em cadeia nacional de TV, previsto para as 20h30 de hoje (17), o
presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), anunciou
rompimento com o governo e disse que, como político, vai tentar no Congresso do
PMDB, em setembro, convencer a legenda a seguir o mesmo caminho. Cunha garantiu
que, apesar da decisão, vai manter a condução da Câmara dos Deputados "com
independência".
A
decisão foi motivada pela acusação de que o peemedebista teria recebido US$ 5
milhões em propina para viabilizar um contrato de navios-sonda da Petrobras
para a empresa Toyo Setal, segundo denúncia feita pelo empresário Júlio Camargo
em depoimento ontem (16) ao juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
Cunha
reafirmou que há uma tentativa por parte do governo de fragilizá-lo. "Está
muito claro para mim que esta operação [Lava Jato] é uma orquestração do
governo", disse. Ele lembrou que, desde junho, o Executivo iniciou uma
'devassa fiscal' contra ele e incluiu seu nome na delegacia de maiores
contribuintes do país. "Esse tipo de devassa, de cinco anos é um
constrangimento para um chefe de Poder".
O
parlamentar disse que a delação de Camargo é "nula" por ter sido
feita à Justiça de primeira instância e lembrou que, como parlamentar, tem foro
privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Cunha
disse que seus advogados vão pedir a transferência do processo de investigação
para o STF. "O juiz não poderia conduzir o processo daquela maneira. Vamos
entrar com uma reclamação para que venha [o processo] para o Supremo e não
fique nas mãos de um juiz que acha que é dono do país".
Ontem, o presidente da Casa disse que está tranquilo e não teme
acusações. Ele já havia negado seu envolvimento no esquema investigado pela
Operação Lava Jato e acusou o Planalto de articular contra o Congresso
Nacional, diante das mobilizações em torno de um processo de impeachment da
presidenta Dilma Rousseff. Segundo ele, Camargo foi "obrigado" a
mentir sob orientação do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e deve perder o direito à delação porque está dando
uma versão diferente do que havia dado anteriormente.
O
peemedebista lembrou que, desde a divulgação da lista de Janot com nomes de
políticos suspeitos de participar de irregularidades na Petrobras, tem
"estranhado" o envolvimento de seu nome e voltou a afirmar que há uma
clara motivação política encabeçada pelo governo para fragilizá-lo.
Eduardo
Cunha disse ainda que a delação de Camargo é "nula" por ter sido
feita à Justiça de primeira instância. Ele lembrou que, como parlamentar, tem
foro privilegiado e só pode ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em
nota, a Procuradoria-Geral da República (PGR) esclareceu que o depoimento não
tem relação com as investigações do STF e que "a PGR não tem qualquer
ingerência sobre a pauta de audiências do Poder Judiciário, tampouco sobre o
teor dos depoimentos prestados perante o juiz".
Fonte: BRASIL 247 17 de julho 2015 11h53m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 17.07.2015 13h28m
Nenhum comentário:
Postar um comentário