NOVA LEI ELEITORAL FAVORECE MAIS RICOS E
DESPOLITIZA
O texto básico da lei eleitoral aprovada nesta
quinta (9) pela Câmara, sob o comando de Eduardo Cunha (PMDB), peca em alguns
aspectos, avalia a colunista do 247, Tereza Cruvinel; "Quando o projeto
fixa o limite de gastos das campanhas de deputados em 70% do custo da campanha
mais cara havida na eleição passada, isso nivela os gastos por cima. A campanha
mais cara em 2014 foi a de uma deputada do Piauí, que custou R$ 7 milhões. Então,
em 2018 cada candidato a deputado poderá gastar até R$ 4,9 milhões. Isso é um
absurdo!", pontua ela, que ainda critica a limitação do tempo de campanha;
"A campanha como um todo será reduzida de 90 dias para 60 dias Isso reduz
custos mas ajuda a despolitizar o eleitorado", pondera; Cruvinel também
avalia que proibição de recursos audiovisuais e gravações externas empobrecerão
os programas, "afastando o telespectador-eleitor"
Por Tereza Cruvinel
Rodrigo Maia foi um esforçado relator da lei eleitoral aprovada
hoje pela Câmara, a chamada legislação infra-constitucional. Ouviu seus pares,
tentou aproximar-se da média do pensamento da Câmara. Mas a votação comandada
pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, podia ter esperado pela conclusão da
aprovação em segundo turno da emenda que constitucionaliza o financiamento privado de campanhas. Ainda há um destaque do PC do B
suprimindo esta forma de financiamento, com poucas chances de ser aprovado, é
verdade, mas terá que ser votado.
O texto
básico já aprovado, entretanto, peca em alguns aspectos. A ver.
1.
Limite de gastos – Quando o projeto fixa o limite de gastos das campanhas de
deputados em 70% do custo da campanha mais cara havida na eleição passada, isso
nivela os gastos por cima. A campanha mais cara em 2014 foi a de uma deputada
do Piauí, que custou R$ 7 milhões. Então, em 2018 cada candidato a deputado
poderá gastar até R$ 4,9 milhões. Isso é um absurdo! É estimular o
encarecimento das campanhas, a busca desenfreada por doações e tudo que disso
deriva. É excluir da disputa os mais pobres e os que não têm o apoio de
empresas ou de corporações, como sindicatos e associações de classe.
2.
Limitação do tempo de campanha no rádio e na televisão. A Abert e as empresas
de radiodifusão privada agradecem. Estavam no salão verde fazendo lobby e
ganharam. A campanha eletrônica será reduzia de 45 dias para 35 dias. A
campanha como um todo também é reduzia de 90 dias para 60 dias Isso reduz
custos mas ajuda a despolitizar o eleitorado. Discute-se menos a campanha, as
propostas, as candidatura, o futuro. Em campanhas vapt-vupt, ganham os mais
abonados.
3.
Formato dos programas – Ficam proibidos os recursos audiovisuais (infográfico e
animações, por exemplo) e gravações externas. Isso também empobrece os
programas, afastando o telespectador-eleitor. Programas mais baratos, porém mais
pobres, menos interessantes, menos pedagógicos. Não seria possível reduzir
custos de outra forma?
Há
outros pontos, como estes discutíveis. Mas todos eles são objeto de destaques
que ainda serão votados na próxima semana.
Fonte: BRASIL 247 09 de julho 2015 20h21m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 10.07.2015 05h22m
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