NASSIF: CHEGA AO FIM A 'VERGONHOSA ERA CUNHA'
"A queda de Cunha era questão de tempo.
Figuras como ele são eficientes para agir nas sombras, não na linha de frente.
Ainda mais com a megalomania que sempre o acompanhou, acima de qualquer limite
de prudência", diz o jornalista Luis Nassif; "Com o fim de Cunha, o
PMDB volta às mãos de figuras moderadas e responsáveis, como o vice presidente
Michel Temer, e de figuras polêmicas mas cautelosas, como Renan Calheiros"
O fim da saga de Eduardo Cunha coloca um ponto final em um dos
mais constrangedores episódios políticos da história da República, desde a
redemocratização.
O vácuo político produzido
pelos erros da presidente Dilma Rousseff promoveram uma abertura inédita da
porteira e abriram espaço para oportunistas da pior espécie.
A crise colocou Cunha no papel
de touro conduzindo o estouro da boiada. E, atrás dele, a malta do congresso, o
universo dos pequenos políticos sem expressão, o chamado baixo clero, cuja
atuação, em outros tempos, era moderada por lideranças de maior fôlego.
A cada eleição, os grandes
políticos - à esquerda e à direita - foram se afastando do Congresso,
permitindo que políticos de grande habilidade e nenhum escrúpulo - como Cunha -
assumissem a liderança, bancados por contribuições milionárias de campanha
garantidas pelo negocismo amplo que se implantou no Congresso.
A queda de Cunha era questão de
tempo. Figuras como ele são eficientes para agir nas sombras, não na linha de
frente. Ainda mais com a megalomania que sempre o acompanhou, acima de qualquer
limite de prudência.
Em ambiente democrático, não há espaço para os superpoderosos. Tanto
assim, que um dos truques históricos da mídia, quando quer marcar um inimigo, é
superestimar seus poderes. O sujeito entra na marca de tiro, torna-se alvo não
só de jornais como de outros poderes.
No início adulado pela mídia, Cunha não precisou de nenhum
empurrão para expor sua falta de limites. As demonstrações inúteis e abusivas
de músculos incumbiram-se de quebrar a blindagem e transformá-lo em uma ameaça
às instituições, ainda mais liderando um exército de parlamentares que parecia
emergia das profundezas do preconceito.
Com o fim de Cunha, o PMDB
volta às mãos de figuras moderadas e responsáveis, como o vice presidente
Michel Temer, e de figuras polêmicas mas cautelosas, como Renan Calheiros, até
que seja colhido pela Lava Jato. Pacifica-se, assim, uma das frentes que
impedia a volta à normalidade política.
No plano Jurídico, com a parte
mais relevante da Lava Jato sendo assumida pelo STF (Supremo Tribunal Federal),
e com os conflitos internos na Polícia Federal, haverá menos espaço para o show
midiático.
Na outra ponta, caiu a ficha do
PSDB quanto à irresponsabilidade política de Aécio e a loucura que seria o
impeachment da presidente. Não interessa nem a José Serra nem a Geraldo
Alckmin, em suas pretensões presidenciais, nem a quem tem um mínimo de
vislumbre do caos que se instalaria no país, caso o golpe fosse bem sucedido.
Para retomar a normalidade,
falta Dilma começar a governar.
Nos últimos dias, a Fazenda
passou a desovar projetos mais consistentes, de simplificação tributária. Há
boas iniciativas na Agricultura e no MDIC (Ministério do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior). Ainda há o risco de um Banco Central descontrolado,
praticando uma taxa de juros que poderá criar uma dinâmica insustentável na
dívida pública. E Dilma, que ainda não pegou a batuta de maestrina para
articular um plano de ação integrado do segundo governo.
Fonte: BRASIL 247 18 de julho 2015 06h03m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 18.07.2015 07h09m
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