“FOI
UMA CONVULSÃO, NÃO UMA CONVENÇÃO”: O SURPREENDENTE DEPUTADO QUE DEFINIU À
PERFEIÇÃO O PSDB.
Por Paulo Nogueira
Jean Wyllys resumiu bem: a mais
perfeita descrição do PSDB veio de onde ninguém esperava.
Não de um
intelectual petista ou progressista, não de um político habituado a frequentar
primeiras páginas ou manchetes, não de um tucano revoltado com a trajetória
revoltante que o PSDB tomou nos últimos anos.
Veio, num jorro histórico, de um deputado federal virtualmente desconhecido, e
pertencente a um partido de segunda linha, o PSC. Não à toa, o vídeo viralizou
nas redes sociais.
Sílvio
Costa é o nome.
Certas
verdades, muitas vezes, esperam uma voz que as pronuncie.
Foi o que
aconteceu.
Costa, com humor, chamou a
convenção do PSDB de convulsão. Poderia ter chamado de confissão, uma vez que
Aécio afirmou que seu partido faz oposição ao Brasil, numa das raras verdades que
ele disse em muito tempo.
Costa
começou pela hipocrisia demagógica do PSDB.
Como o
mesmo partido que fez o diabo para aprovar a reeleição quando era de seu
interesse agora, tão pouco tempo depois, se volta contra ela?
É sabido
que deputados foram comprados para votar a favor da reeleição por 200 mil reais
em espécie, em valores da época. Hoje é coisa de três vezes mais.
O que era
menos conhecido foi a distribuição de concessões de rádios, sob o silêncio
cúmplice e criminoso da imprensa.
Costa
lembrou também o ataque oportunista que o PSDB faz, agora, a medidas econômicas
acertadas que ele próprio tomou no poder.
Um
exemplo é o chamado fator previdenciário, que disciplina as aposentadorias.
Sem coerência não se tem nada,
disse Costa. E o PSDB se tornou visceralmente incoerente.
Como
matraquear sobre os 39 ministérios de Dilma quando o governo Alckmin, com muito
menos atribuições, tem 29?
Costa
definiu brilhantemente também os líderes tucanos.
O
problema de FHC é a inveja que sente de Lula, porque este é amado pelo povo, e
ele desprezado.
Aécio é o
“Menino do Rio”, já não tão menino assim, a rigor. As pessoas mangam dele, disse
Costa. (Mangar é zombar, no linguajar do Norte.)
Mangam
porque ele se comporta como um vencedor de Waterloo depois de ter fracassado
miseravelmente nas eleições.
Não
apenas perdeu para Dilma, mas viu os mineiros, que ele dizia amá-lo
incondicionalmente, enxotá-lo.
O PSDB age, em sua fase terminal,
como se o Brasil fosse uma República das Bananas, em que você pode buscar
qualquer pretexto para anular dezenas de milhões de votos.
Conte as
razões, ou desrazões, citadas pelos tucanos desde sua derrota para tentar dar
um golpe na democracia.
Isso não
colou? Tentemos aquilo. Não pegou? Ah, então experimentemos isso aqui.
É
patético, é canalha, é indecente.
O Brasil não é uma
República das Bananas. O PSDB sim: tem a alma viciada de um daqueles partidos
vendidos de direita que abundavam em países como a Guatemala na década de 1950.
Volto a
Costa, e termino com mais uma de suas frases irretorquíveis.
“O
inacreditável é que o PSDB acredita que os brasileiros acreditam nele.”
Parece
poesia.
Palmas.
Palmas de pé.
Clap,
clap, clap.
Fonte: DIÁRIO DO CENTRO DO MUNDO 09 de julho 2015
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 09.07.2015 13h48m
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