POR QUE O PRÉ-SAL NÃO
PODE FICAR EM SEGUNDO PLANO
O pré-sal é um dos maiores patrimônios e uma
das maiores conquistas do Brasil. Nada mais coerente do que continuar a
explorá-lo
por Paulo Teixeira 4 de setembro de 2014
às 17:14
Não é à toa que Marina Silva já esteja sendo chamada de
candidata ioiô. Depois de defender a criminalização da homofobia e voltar
atrás, condenar a produção de transgênicos e voltar atrás, discursar contra o
agronegócio e voltar atrás, a candidata também recuou no que diz respeito à
exploração de petróleo na camada pré-sal. É importante que todos saibam os
riscos de colocar o pré-sal em segundo plano. Como deputado federal, pude me
debruçar largamente sobre o tema ainda em 2009, quando fui relator do caderno
"Os desafios do pré-sal", publicado pelo Conselho de Altos Estudos e
Avaliação Tecnológica da Câmara com coordenação do consultor legislativo Paulo
César Ribeiro Lima. Em seguida, apresentei ao Governo Federal a proposta de
substituir o sistema de concessão pelo sistema de partilha, o que garantiu ao
Estado a manutenção da propriedade do petróleo explorado e maior controle sobre
o ritmo de produção.
Essa experiência me permite
afirmar que, se o pré-sal não for priorizado, não haverá Plano Nacional de
Educação, por exemplo. Essa importante conquista minguará por inanição sem o
devido aporte de receitas proveniente dos royalties do petróleo. O baque não se
resume a isso. Com o pré-sal ignorado ou colocado em segundo plano, o Brasil
será duramente afetado em pelo menos sete eixos estratégicos. Vamos a eles:
1. Educação: Legislação
específica definiu que 75% dos royalties do pré-sal destinados à União devem
ser usados exclusivamente na Educação. Isso significa quase R$ 200 bilhões nos
próximos 10 anos, sem os quais será inviabilizada boa parte dos avanços
previstos no Plano Nacional de Educação.
2. Saúde: Os 25% dos royalties
do pré-sal destinados por lei à Saúde permitem recompor as perdas orçamentárias
provocadas pelo fim da CPMF.
3. Indústria Naval: Os
contratos já firmados de exploração do pré-sal provocaram a ressurreição da
indústria naval brasileira nos últimos anos. Há mais de 10 estaleiros
funcionando a todo vapor na produção de embarcações utilizadas no transporte de
pessoal e carga entre as plataformas. Ficarão sem demanda.
4. Tecnologia. Com a mudança do
regime de concessão para regime de partilha, proposto por mim na Câmara, ficou
estabelecido um mínimo de 60% de componentes nacionais na atividade de
exploração do pré-sal, o que ajuda a alavancar a transferência de tecnologia
para o Brasil, além de trazer mais empresas e mais empregos.
5. Municípios. Após o longo
processo de negociações que culminou com a redistribuição dos royalties do petróleo
entre os diferentes Estados e Municípios, e não mais somente para as
localidades onde é feita a extração, deixar o pré-sal em segundo plano
significa tirar recursos principalmente das prefeituras. Pode ser fatal para
muitos municípios.
6. Fronteiras. Desmobilizar a
estrutura policial e demais forças de vigilância permanentemente instaladas nas
porções da costa brasileira onde há plataformas de petróleo significa
fragilizar o controle sobre nossas fronteiras molhadas.
7. Meio ambiente. Por mais que
o Brasil invista em fontes alternativas de energia, a principal matriz mundial
continuará sendo o petróleo, que terá de ser produzido em algum lugar. O
pré-sal implica menos impacto ambiental do que a exploração do petróleo pesado
na Venezuela, das areias oleosas no Canadá ou do gás de folhelho (ou xisto) nos
Estados Unidos.
Em resumo, o pré-sal é um dos
maiores patrimônios e uma das maiores conquistas do Brasil. Graças ao pré-sal,
a produção de petróleo cresceu 14,8% em 12 meses e atingiu o recorde de 2,267 milhões
de barris por dia em julho. A expectativa é de que a produção chegue a 5
milhões de barris diários em 2020, e que sua exploração traga mais de R$ 1
trilhão para o país nas próximas três décadas.
Seu impacto será enorme, não
apenas na indústria de combustíveis, mas também na produção de plástico,
tintas, pneus, medicamentos e muitos outros produtos derivados do petróleo.
Nada mais coerente do que continuar a explorá-lo, sempre em paralelo com o aproveitamento
cada vez maior das fontes alternativas de energia, como a solar e a eólica,
hoje em plena expansão.
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 04.09.2014 18h10m
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