O PROGRAMA DE TV DE DILMA E O ESCLARECIMENTO
DO ELEITOR
As pessoas devem ser alertadas de que o
discurso mudancista da candidata do PSB é apenas um biombo eleitoreiro para
esconder o retrocesso social que um eventual governo de Marina provocaria
por Bepe Damasco 3 de setembro de 2014 às 10:30
Durante todo o primeiro turno
das eleições de 2010, a tática adotada pelo comando da campanha de Dilma
Rousseff à presidência pode ser comparada à daquele time que toca a bola para
os lados e para trás, esperando o tempo passar e garantir a vitória. Mesmo
diante de todos os indícios e alertas da militância de que a consequência
daquela não campanha seria a disputa ser levada para o segundo turno, o grupo
dirigente formado pelos três coordenadores (José Eduardo Dutra, José Eduardo
Cardoso e Antônio Palocci) se manteve inflexível, afinal as tais pesquisas
qualis do marqueteiro João Santana asseguravam a vitória no primeiro turno. Deu
no que deu. E o que isso tem a ver com as eleições deste ano? Muita coisa. O
programa eleitoral de TV da presidenta Dilma do último sábado disparou o sinal
de alerta.
Primeiro
é importante assinalar que a concepção técnica, a edição e os recursos gráficos
do programa são primorosos. Ponto para João Santana. Está correto também exibir
em ritmo frenético as realizações do governo Dilma, para tentar compensar
minimamente o boicote do monopólio midiático dos últimos quatro anos. Contudo,
se o cenário mudou, se o quadro eleitoral foi sacudido pela disparada de Marina
nas pesquisas, por que diabos o programa tem de continuar rigorosamente o
mesmo, na mesma linha, no mesmo tom?
Não
defendo que o programa deva deixar de informar o eleitor sobre os inúmeros
programas sociais exitosos do governo Dilma, as obras fundamentais para a
infraestrutura do país e a geração de emprego. Tampouco que abandone as
comparações com os países do capitalismo central e com a era FHC. Isso deve ser
mantido até o final. Mas não custa o programa dedicar metade do seu tempo ao
confronto com Marina, apontando suas enormes contradições, incoerências e
inconsistências.
A parte
do eleitorado que pretende votar em Marina porque acredita nas suas boas
intenções e qualidades precisa ficar sabendo de sua ligação com os banqueiros,
do seu fundamentalismo religioso, de sua visão retrógrada na área do
comportamento. Os que até agora se deixaram levar pelo discurso vazio e
empobrecido da "nova política" merecem tomar conhecimento de que não
existe nada mais velho e conservador do que a independência do Banco Central
preconizada pela candidata, pois significa juros altos, recessão e desemprego,
com a banca e os rentistas passando a dar as cartas da política econômica.
As
pessoas devem ser alertadas de que o discurso mudancista da candidata do PSB é
apenas um biombo eleitoreiro para esconder o retrocesso social que um eventual
governo de Marina provocaria. É só olhar os economistas neoliberais e tucanos
que a cercam e aconselham. No que se refere a projetos estratégicos para o
país, a situação é ainda mais grave. Sem meias palavras, quem não prioriza o
pré-sal se coloca contra os interesses estratégicos da nação. Quem pretende
ignorar a matriz hidrelétrica da produção de energia do país, na prática,
sabota o desenvolvimento econômico e social do Brasil.
No
tocante à governabilidade, deve se tornar de domínio público os riscos de um
governo com bancada reduzida de parlamentares e sem apoios consistentes no
Congresso Nacional. Nesse aspecto, a candidata se encontra diante de uma
encruzilhada. Se eleita, ou jogará o país numa crise permanente ou promoverá o
maior toma-lá-dá-cá da história republicana.
Senão
vejamos. Quantos deputados o PSB elegerá ? Com certeza, um número pouco
expressivo de parlamentares. Não lhe restará outra saída que não seja atrair o
PSDB como principal aliado. Só que as expectativas sobre a eleição de deputados
e senadores tucanos são as piores da história do partido. Aí não restará
alternativa à Marina fora da negociação no varejo com os partidos menores, sedentos
por um naco de poder.
Em
síntese, penso que, desde já, o programa eleitoral da presidenta Dilma tem a
obrigação de enfrentar esse debate. Só com o esclarecimento dos eleitores será
possível frear o avanço de Marina nas pesquisas.
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 03.09.2014 16h41m
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