MARINA, A MARCHA LENTA DO PRÉ-SAL E O PERIGO DE
RETROCESSO
por Marcelo Sereno 2 de
setembro de 2014 às 16:05
A declaração de Marina Silva de
que vai desacelerar a exploração de petróleo da camada do pré-sal, caso seja
eleita para a presidência da república, deixou o país em alerta. Essa política
colocada em prática pode descontinuar o ciclo de desenvolvimento no qual esta
vivendo o Brasil.
Hoje o
pré-sal responde por aproximadamente 22% do total da produção de 2,1 milhões de
barris de petróleo por dia. A expectativa é de que sejam instaladas 20 novas
plataformas ao longo dos 800 km que correspondem à região até 2018, o que deve
fazer com que o pré-sal seja responsável por 52% do total de petróleo produzido
daqui a 4 anos. O retorno desses investimentos deve alcançar R$ 350
bilhões/ano, dos quais 75% irão para a educação e 25% para a saúde.
Com o
pré-sal surgem oportunidades não só no setor de óleo e gás, mas também em toda
a cadeia de bens e serviços que ele movimenta. De acordo com o Senai, até 2015
devem ser gerados 46 mil empregos, desses, 84% (33,6 mil) serão ocupadas por
técnicos ou profissionais de nível médio, e os salários podem chegar a R$11 mil
em um mercado aquecido como o do Rio de Janeiro que concentra 75% da produção
do país.
A
estimativa é de que o setor seja responsável por R$ 143 bilhões em
investimentos no estado até 2016. A exploração do pré-sal é também de extrema
importância para a indústria naval fluminense, que beneficiada pela Lei de
Conteúdo Nacional, concentra 40% das 82 mil vagas criadas nos estaleiros do
país. No passado, o PSB e Marina Silva já se posicionavam contra o
desenvolvimento do Rio de Janeiro ao serem favoráveis à redistribuição dos
royalties do petróleo com os estados não produtores. Se a mudança de partilha
fosse adotada, o estado perderia mais de 4 bilhões de reais por ano.
Além
das perdas econômicas, nós sofreríamos um retrocesso na área de tecnologia. A
Petrobrás é hoje a maior detentora, no mundo, de conhecimento de exploração em
águas ultraprofundas. Além disso, empresas brasileiras e estrangeiras são
atraídas para o Parque Tecnológico Rio, na Ilha do Fundão, para investir em
pesquisas tecnológicas para o setor, que beneficia toda a indústria nacional.
Investimento
em exploração de petróleo não exclui o investimento em combustíveis mais
limpos, e o governo do PT vem trabalhando no desenvolvimento das duas
alternativas. Em 2008, o governo Lula criou a subsidiária Petrobrás
Biocombustível, que terá investido até 2018 mais de 2 bilhões de dólares na
produção de etanol e biodiesel.
O
governo federal também está fazendo uma revolução na produção de energia, se
voltando para as fontes renováveis que já correspondem a 45% da matriz
energética brasileira. Com a descoberta do pré-sal muitos questionaram se as
energias eólica e solar estariam nos planos do governo nos próximos anos. Mas o
governo Lula encarou o desafio de fortalecer o desenvolvimento do setor. De 2009
pra cá, já aconteceram sete leilões, com a contratação de 7,1 GW, e preços na
ordem de R$100,00/MWh. Hoje temos 131 parques eólicos em funcionamento e desde
2006 o crescimento da produção aumentou mais de 800%.
Só
neste ano o investimento na energia produzida pelo vento deve ficar em R$ 15
bilhões de acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeolica), e
em dez anos essa fonte deve corresponder a 11% da nossa matriz. Tanto que hoje
a produção brasileira de energia eólica já ultrapassa a nuclear. No mês de
agosto esta fonte atingiu a capacidade de 5 gigawatts de capacidade instalada,
o suficiente para abastecer uma cidade do tamanho de São Paulo. E a expectativa
é de que em 2017 tenhamos um volume de instalação de 8,8 GW.
Já o
governo Dilma iniciou o processo de desenvolvimento da energia solar no país.
No programa Minha Casa Minha Vida já foram contratadas mais de 215 mil unidades
habitacionais com sistemas de aquecimento solar. E em outubro projetos solares
poderão participar do novo leilão de reserva sem concorrência entre as fontes,
com a expectativa de um preço-teto entre R$230/Mwh e R$250/Mwh, e de que sejam
leiloados de 500 MW a 1Gw. Todas essas ações dos governos Lula e Dilma para
estimular o desenvolvimento do pré-sal, dos combustíveis alternativos e das
fontes renováveis de energia mostram que o Brasil é um país que garante o
presente trabalhando para o futuro.
BRASIL 247 2 de
setembro de 2014 às 16:05
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 03.09.2014 07h11m
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