ANTICANCERÍGENO
EXTRAÍDO DE SALIVA DE CARRAPATO SERÁ TESTADO EM HUMANOS
Rio de Janeiro, 30 out (EFE). Pesquisadores do Instituto Butantan testarão em humanos uma
substância de combate ao câncer desenvolvida a partir de uma molécula extraída
da saliva do carrapato e que já foi experimentada com sucesso em animais,
informaram fontes oficiais nesta quinta-feira.
Os responsáveis pelo estudo apenas esperam
a autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar
a primeira fase de experimentos em humanos, informou o centro de pesquisa
biomédica.
A substância com potencial anticancerígeno
foi extraída da saliva do carrapato-estrela ('Amblyomma cajennense') e até
agora se mostrou eficaz para combater tumores cancerígenos, especialmente de
pâncreas, rim e melanoma (câncer de pele).
Os experimentos realizados nos últimos dez
anos pelos pesquisadores do Instituto Butantan mostraram que o produto é capaz
de destruir totalmente os tumores sem causar dano nas células sãs.
Os estudos mostraram que a molécula é
rapidamente eliminada por animais saudáveis, mas que demora para ser expulsa
por animais com câncer.
'Quando analisamos as proteínas que induzem
à morte do tumor combatido concluímos que as células são acionadas pela
molécula com a qual estamos trabalhando. Estamos muito confiantes por isso',
explicou Ana Marisa Chudzinski-Tavassi, diretora do Laboratório de bioquímica e
biofísica do Butantan e coordenadora do projeto.
A pesquisadora admitiu que os estudos com
animais foram bem-sucedidos, mas em condições totalmente controladas. Os
experimentos com humanos ainda são uma incógnita.
'Com animais eu sei quando induzi o câncer
e quando comecei a tratá-lo. Isso não é possível para um paciente. É preciso
testar em pacientes em uma fase diferente da doença para ver se a molécula
funciona', afirmou.
De acordo com a pesquisadora, 'ainda não é
possível dizer' se será alcançado 'um resultado melhor em humanos apenas usando
a molécula'.
Ela explicou que, inicialmente, o Butantan
começou a investigar a possibilidade de desenvolver anticoagulantes com a
saliva do carrapato, já que o animal consegue impedir que o sangue dos animais
dos quais é parasita se coagule.
Os estudos permitiram identificar que uma
das moléculas da saliva do carrapato tinha a capacidade de atuar contra a
proliferação de células tumorais. A molécula identificada já foi patenteada no
Brasil e no exterior pelo Butantan.
MSN 03 de novembro de 2014 17:23
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 03.11.2014 09h12m
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