MARINA
RECONHECE ‘FALHAS’, MAS PERDE APOIO GAY
Em entrevista ao Jornal da Globo, a candidata à
presidência pelo PSB Marina Silva procurou amenizar polêmica sobre a mudança de
rumo no apoio à causa gay; disse que é a candidata que mais defende os direitos
civis da comunidade LGBT, mas não o casamento entre pessoas do mesmo sexo;
recuo provocou a saída de Luciano Freitas da campanha, secretário nacional do
comitê LGBT do então candidato Eduardo Campos; ex-senadora também reconheceu
falha em plano que sinalizava que ampliaria a participação da energia nuclear
na matriz energética do Brasil; e reafirmou que Bíblia é sua fonte de inspiração
A segunda-feira terminou mais
tarde para a presidenciável do PSB, Marina Silva. Após o debate realizado pelo
SBT, pelo jornal Folha de S. Paulo, pela rádio Jovem Pan e pelo portal Uol, a
candidata concedeu entrevista ao Jornal da Globo.
Logo no
início da entrevista, a pessebista foi questionada sobre as alterações no seu
programa de governo menos de 24 horas após o lançamento, entre elas um recuo em
relação a algumas reivindicações do movimento LGBT, e se esse comportamento
correspondia a uma concessão à religião num estado laico.
Marina
explicou que houve um erro de processo e que a equipe do programa de governo
foi responsável pela correção. "Eu nem interferi nesse processo.
Aconteceram duas falhas", explicou a candidata do PSB, citando o trecho do
plano que sinalizava que o governo de Marina ampliaria a participação da
energia nuclear na matriz energética do Brasil.
A outra
falha apontada pela presidenciável foi que "o documento que foi
encaminhado como contribuição pelo movimento LGBT, não foi considerado
documento da mediação do debate, foi um documento tal qual eles enviaram",
reforçando que foi feita uma correção, porque houve uma mediação no debate.
"Os direitos civis da comunidade LGBT, o respeito à sua liberdade
individual, o combate ao preconceito, isso está muito bem escrito no nosso
programa, melhor do que dos outros candidatos", completou.
Pressionada
sobre sua posição em relação ao casamento gay, Marina voltou a dizer que
respeita a liberdade das pessoas, independente da condição social, de raça ou
de orientação sexual. Ela acrescentou que o seu programa de governo defende a
união civil entre pessoas do mesmo sexo, mas não o casamento.
Bíblia: fonte de inspiração
Indagada
sobre as especulações de que recorreria à Bíblia em momentos cruciais e se isso
poderia intervir em suas decisões como governante, Marina explicou que todos
agem com a avaliação realista dos fatos, mas defendeu que todos têm uma
subjetividade.
"Uma
pessoa que crê, obviamente que tem na Bíblia uma referência, assim como tem na
referência a arte, a literatura", disse a ex-senadora, acrescentando que
as pessoas estão tentando atribuir à ela uma imagem de fundamentalista.
"A
Bíblia é uma fonte de inspiração pra qualquer pessoa que é cristã ou que é um
judeu, mas existem outras fontes de inspiração, às quais eu já me referi. As
decisões são tomadas com base racional pra todas as pessoas", afirmou a
candidata do PSB.
Crise política
Questionada
sobre a crise da democracia representativa citada em seu programa de governo, a
presidenciável sinalizou que tem criticado a crise política e que as pessoas
não deveriam fazer vistas grossas para o que está acontecendo. "A gente
precisa aprofundar a nossa democracia. É preciso ampliar a participação das
pessoas, ao mesmo tempo melhorar a qualidade da representação e das nossas
instituições", relatou a pessebista.
Durante
a entrevista, Marina disse ainda que pretende aperfeiçoar a democracia,
democratizá-la, combinando a participação correta e legítima dos cidadãos
assegurada pela Constituição. "Nós somos eleitos para representar, não é
para substituir o representado", resumiu.
Economia em 2015
No
segundo bloco de perguntas, a pessebista foi questionada sobre como conduziria
a economia brasileira no ano que vem, caso sua vitória fosse confirmada nas urnas.
Marina foi contundente ao dizer que é preciso recuperar o tripé da política
macroeconômica do país.
"A
presidente Dilma ganhou o governo dizendo que ia fazer a baixa dos juros, que
iria reduzir a inflação e que iria fazer o nosso país crescer. O nosso país não
está crescendo, a inflação está aumentando e os juros estão subindo. É
fundamental que o país tenha estabilidade econômica para que a gente não perda
as conquistas que já alcançamos, inclusive as conquistas sociais, e que a gente
possa aumentar o investimento. E, para aumentar investimento, é fundamental que
se readquira confiança", explicou.
A
candidata do PSB ao Planalto reiterou o compromisso de não aumentar os impostos
e que pretende dar eficiência ao gasto público. "Tem muitos desperdícios,
inclusive o desperdício da corrupção, e quando o país volta a crescer, a gente
vai conseguindo o espaço fiscal para poder fazer os investimentos
sociais", disse Marina.
Pré-sal é uma das prioridades
A
ambientalista explicou ainda que assim como educação e saúde, o pré-Sal também
é uma de suas prioridades e reforçou quer dar um passo à frente em sua gestão.
"Vamos investir em energia limpa com o uso da biomassa, o uso do vento, o
uso do sol", pontuou a pessebista. "O petróleo é uma necessidade do
planeta. Ainda não se conseguiu a fonte de geração de energia que vai
substituir esse combustível fóssil", complementou.
Além
disso, Marina foi questionada sobre quando aumentaria o preço da gasolina para
salvar o etanol, do qual é uma entusiasta declarada. A candidata do PSB não
poupou críticas ao governo em sua resposta. "Essa política desastrosa do
governo, que está subsidiando gasolina, inclusive fazendo a importação desse
combustível com um preço elevado, acabou destruindo a indústria do
etanol", defendeu a presidenciável. "Espero que os preços
administrados pelo governo possam ser corrigidos pelo próprio governo e
criarmos os mecanismos", acrescentou.
Coordenador do programa LGBT
deixa o PSB
O recuo da campanha de Marina Silva nas
propostas à comunidade gay provocou a perda do apoio de Luciano Freitas,
secretário nacional do comitê LGBT do PSB.
BRASIL 247 2 de
setembro de 2014 às 06:19
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 02.09.2014 07h07m
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