VIRADA
CÂMARA APROVA EMENDA À MP 664 QUE DERRUBA FATOR PREVIDENCIÁRIO
Líderes apelaram para discussão sobre tema ser
feita no fórum multissetorial, mas não convenceram. Resultado foi considerado
derrota para governo.Votação prossegue hoje
por Hylda Cavalcanti, da RBA
Em uma mudança radical da votação
da Medida Provisória 664, os deputados votaram, na noite de ontem (13), três
emendas que alteram o teor da matéria e já são consideradas a primeira derrota
real do governo em relação ao ajuste fiscal. A principal muda as regras do
polêmico fator previdenciário (cálculo feito atualmente para concessão de
aposentadorias) e dá alternativa ao trabalhador para aplicar a chamada regra
85/95 – que permite aposentadoria integral em vez do fator. A aprovação desta emenda
teve 232 votos favoráveis e 210 contrários.
A segunda
emenda aprovada, por sua vez, retira do texto o item que repassa para as
empresas a responsabilidade de bancar o valor integral do auxílio-doença dos
seus trabalhadores. A terceira regulamenta a pensão por morte para pessoas com
deficiência.
Com a
aprovação das emendas, o prosseguimento da apreciação da MP 664, a partir de
hoje, passa a ter um tom diferente em relação ao observado durante a apreciação
da MP 665, na última semana, quando os deputados mantiveram o texto original e
não aprovaram emendas propostas à matéria. No caso da MP 664, a medida corre o
risco de ter o texto bastante fatiado até sua tramitação final no Congresso.
A 664,
que integra as matérias legislativas referentes ao pacote de ajuste fiscal do
governo, altera as regras de pensão por morte e auxílio doença, impondo
carências e tempo de recebimento conforme a faixa de idade do beneficiário
(enquanto a 665, atualmente no Senado, altera regras referentes a
seguro-desemprego e abono salarial).
Larga
margem
Pouco
tempo antes da votação da emenda sobre o fator previdenciário, o governo tinha
comemorado a aprovação do texto base da MP 664 com uma larga margem de
votos. A regra 85/95, que com a emenda poderá ser usada em substituição
ao fator previdenciário, prevê que a mulher poderá se aposentar quando a soma
de sua idade aos 30 anos de contribuição for de 85 e, no caso do homem, a soma
da idade a 35 anos de contribuição somar 95.
Por essa
regra, a aposentadoria passa a ser integral em relação ao salário de contribuição,
sendo que, para os professores, haverá diminuição de 10 anos nesses totais.
O fator
previdenciário, criado no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso,
reduz o valor do benefício de quem se aposenta por tempo de contribuição antes
de atingir 65 anos, nos casos de homens, ou 60, para as mulheres (o tempo
mínimo de contribuição para aposentadoria é de 35 anos para homens e de 30 para
mulheres).
A medida
foi considerada, na época, uma alternativa para ajudar a conter o déficit da
Previdência Social e equilibrar as contas públicas, mas ao longo dos anos tem
sido criticada por centrais sindicais.
A votação
de ontem, no entanto, contou com uma situação inusitada, por ter tido, como os
maiores defensores do fim do fator os deputados do PSDB – partido que criou
esse instrumento – e mesmo em meio a declarações feitas por FHC de defesa do
ajuste fiscal e do fator previdenciário.
“Eles
estão mostrando o quanto são oportunistas e não ligam para os trabalhadores nem
para as contas da previdência. O que está valendo para esse pessoal que está
aqui é apenas derrotar o governo e fazer um discurso demagógico”, reclamou do
plenário o líder do PSC, deputado Sílvio Costa (PE), em relação aos
oposicionistas. Mas a aprovação da emenda contou, também, com votos da base
aliada.
Antes da
votação, o líder do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), pediu aos
partidos da base para seguir o compromisso assumido pelo governo, por meio de
negociações com o vice-presidente Michel Temer, de deixar o assunto para ser
tratado em 180 dias por meio do fórum multissetorial criado no início de maio –
e que reúne representantes das centrais sindicais, Executivo e Legislativo.
Horas
antes, Guimarães também tinha ponderado aos colegas que votar medidas
semelhantes seria o mesmo que “ajudar a Previdência a quebrar em poucos anos”.
Já o
autor da emenda, deputado Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) defendeu seu teor por
significar um avanço para o fim do fator 0. “O fator previdenciário reduz em
40% a aposentadoria dos trabalhadores e tem de acabar porque é uma grande
injustiça”, afirmou. A aprovação da emenda teve 232 votos favoráveis e 210
contrários, com duas abstenções.
Auxílio-doença
A segunda
emenda, retirou do texto da MP o item que determina que o pagamento do
auxílio-doença deverá ser bancado pelas empresas durante 30 dias. Pelas regras
de hoje, este pagamento é dividido com o governo que paga os primeiros 15 dias,
deixando os demais 15 dias para as empresas. Muitos deputados enfatizaram que,
mudar a regra, significaria “colocar os trabalhadores totalmente nas mãos dos
empresários nos casos de doença”. Como resultado, a emenda foi aprovada por 229
votos favoráveis contra 220 contrários.
“Algumas
microempresas não suportariam essa mudança e entrariam em processo falimentar”,
disse o deputado Edmilson Rodrigues (Psol-PA). “É uma falácia o governo dizer
que quem quer diminuir o tempo de auxílio-doença pela empresa defende a empresa
contra o trabalhador”, acrescentou Edmar Arruda (PSC-PR).
O líder
do governo, deputado José Guimarães (PT-CE), afirmou que a Medida Provisória do
Imposto de Renda (670/15) trará uma mudança para o pagamento do auxílio-doença
para a pequena e média empresa. Essas empresas terão de arcar com 20 dias do
auxílio-doença em relação aos 30 dias que estavam previstos na MP 664/14.
“Nenhum pequeno e médio empresário do Brasil, por essa medida, será
prejudicado”, explicou.
Com o
resultado, o plenário da Câmara prossegue nesta quinta-feira (14) a votação das
demais emendas em clima de expectativa e o governo, de alerta. Porque já se
sabe que, desta vez, a votação das emendas está sendo um páreo duro entre os
que apoiam e os que criticam o ajuste fiscal e porque muitos deputados que se
posicionaram favoráveis ao teor da medida, já mostraram que a apoiam, mas não
integralmente.
Os
deputados aprovaram, às 19h40, o texto-base da MP, que teve como relator o
deputado Carlos Zarattini (PT-SP), e as três emendas (a de alternativa ao fator
previdenciário; de regulamentação da pensão por morte para pessoas com
deficiência; e exclusão do prazo sobre o auxílio-doença). Outras 12 emendas
estão programadas para serem apreciadas hoje.
REDE BRASIL ATUAL 14 de maio de 2015 09h26m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 14.05.2015 10h02m
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