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MANIFESTO DE JEAN WYLLYS CONTRA EDUARDO CUNHA E SEU ‘ÓDIO HOMOFÓBICO’
De Jean Wyllys, no facebook 19 de maio de 2015 às 3:47 am
Pela primeira vez em doze anos, o
Seminário LGBT do Congresso Nacional não terá os convites oficiais enviados
pela presidência e não será publicizado pelo site oficial da Câmara dos
Deputados. Eduardo Cunha proibiu qualquer tipo de divulgação oficial do
seminário, que já foi realizado sob a presidência de parlamentares do PT, do
PMDB, do PP e do PCdoB ao longo de mais de uma década, sem restrições. Cunha
proibiu inclusive que sejam colados os cartazes de divulgação do seminário
dentro do prédio do Congresso — cartazes que já foram colados e eu não penso
pedir para retirar — e essa decisão antidemocrática, antirregimental,
inconstitucional e autoritária obedece a uma única razão: HOMOFOBIA.
O que
incomodou Cunha foi a foto do (quase) beijo entre Daniela Mercury e Malu
Verçosa que está nas peças aprovadas pelas comissões de Cultura, Legislação
Participativa e Ciência e Tecnologia, que dividem a organização da XIIª edição
do seminário. Ele fez de tudo para censurar o beijo. Primeiro, falou que era
necessária uma autorização de uso da imagem assinada por Daniela, mesmo ela
tendo divulgado a arte no seu site oficial. Daniela enviou a autorização por
escrito, mas mesmo assim, ele disse não. Não! Ele não vai permitir um beijo
lésbico em cartazes e convites oficiais da House of Cunha, o poder legislativo
que ele acha ser de sua propriedade pessoal.
O tema do
seminário é a empatia, um sentimento do qual o presidente da Câmara dos
Deputados carece, pelo menos no sentido humano. Ele tem empatia com as empresas
que financiaram sua campanha com “doações” que somaram 6.832.479,98 reais, para
as quais quer aprovar uma emenda à constituição que lhes garanta a
possibilidade de continuar “investindo” em candidatos patrocinados que as
representem no executivo e no legislativo. Ele tem empatia com os deputados que
lhe deram o voto para a presidência em troca de aumento de salário e verba
parlamentar e outras regalias que ofendem o povo trabalhador em época de crise
e ajustes.
Ele tem
empatia com as igrejas caça-níquel que se valem do discurso de ódio — contra
LGBTs, adeptos das religiões de matriz africana, mulheres que fazem aborto e/ou
usuários de drogas ilegais — para disputar o mercado das almas, arrecadar o
dízimo e as “ofertas” e até vender vassouras “ungidas”. Ele tem empatia com as
máquinas partidárias fisiologistas, as legendas de aluguel, os cabos eleitorais
pagos e outros beneficiários da “contrarreforma” política que pretende aprovar
nesse ano para fazer menos democrática a democracia.
Ele tem
empatia com os fabricantes de armas, para os quais o Congresso prepara uma
reforma do estatuto do desarmamento que pode aumentar a violência e a morte num
país que já tem violência e morte demais. Ele tem empatia com planos de saúde,
para os quais conseguiu o perdão de multas milionárias e o engavetamento de uma
CPI. E por aí vai…
Mas ele
não consegue ter empatia com as pessoas que se amam. Não consegue sentir
empatia por um (quase) beijo entre duas mulheres — fica revoltado, indignado,
assustado, enjoado, raivoso. Não basta ele pretender que o Congresso aprove um
estatuto contra as famílias que não são como a dele, não basta o discurso de
ódio homofóbico. Ele precisa, também, usar seu poder — que acredita ser
absoluto, monárquico — para censurar um beijo. Isso diz, também, o que ele
pensa das instituições da República, e o pouco respeito que ele tem pela
democracia.
Daniela e
Malu continuarão se beijando, como outros milhares de casais de todo tipo. E
farão isso no Congresso, se quiserem, na cara do censor, na porta do seu gabinete,
ou onde for necessário. ALIÁS, EU CHAMO TODOS OS CASAIS A VIR SE BEIJAR NO
SEMINÁRIO, NO CONGRESSO NACIONAL! EU CONVOCO VOCÊS A DENUNCIAR A CENSURA E
RECLAMAR À MÍDIA QUE NOTICIE ESTE ATO ANTIDEMOCRÁTICO! Nenhum e nenhuma de nós
vai voltar ao armário, senhor Cunha!
E eu te
garanto: quando chegar o momento, vamos cobrar com juros todo esse amor
reprimido e esse silêncio que você quer nos impor. Se não for a “Lava-Jato” a
nos dar essa oportunidade, certamente haverá outra!
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 19.05.2015 10h35m
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