JEAN WYLLYS: ‘CUNHA PASSOU DOS LIMITES’
O
deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) criticou, nesta segunda (25), a
decisão do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de cancelar a votação do
relatório da reforma política; "Os desmandos do presidente da Câmara,
Eduardo Cunha, passaram dos limites! Cunha já tinha humilhado o deputado
Marcelo Castro antes em entrevista, tratando-o como um qualquer sem condições
de produzir o relatório que ele, Cunha, desejava. Castro se calou diante da
humilhação", afirma; o parlamentar do PSOL ressalta que Cunha deseja
a todo custo aprovar o sistema eleitoral batizado aqui de
"distritão", que é o pior dos sistemas possíveis, em vigor apenas no
Afeganistão
O deputado federal Jean Wyllys
(PSOL-RJ) criticou, no Facebook, nesta segunda-feira (25), a decisão
do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB), de cancelar a votação do
relatório da reforma política.
"Os
desmandos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, passaram dos limites! Cunha
já tinha humilhado o deputado Marcelo Castro antes em entrevista a O Globo,
tratando-o como um qualquer sem condições de produzir o relatório que ele,
Cunha, desejava. Castro se calou diante da humilhação", afirma.
O
parlamentar do PSOL ressalta que Cunha deseja a todo custo aprovar o
sistema eleitoral batizado aqui de "distritão", que é o pior dos
sistemas possíveis, em vigor apenas no Afeganistão. "Trata-se de um
sistema em que é eleito apenas quem tem dinheiro e popularidade prévia: se
aprovado, o parlamento ficará mais cheio de pastores fundamentalistas e
comerciantes da fé, empresários ricos, apresentadores de programas
sensacionalistas de tevê e rádio e jogadores de futebol do que já está no
momento; além disso, se aprovado, qualquer governo terá que lidar com um varejo
de deputados defendendo interesses privados que só poderá ser vencido mediante
"mensalões" e outros esquemas hoje repudiados pela mídia em suas
investidas contra o governo do PT. Já pensaram nesse horror?! Os partidos
desaparecerão, as ideologias políticas idem e os movimentos sociais não terão
qualquer chance de eleger representantes!", alerta.
Abaixo
o texto na íntegra:
Os
desmandos do presidente da Câmara, Eduardo Cunha, passaram dos limites!
Estava
agendada para agora (a partir das 18h) a sessão da Comissão de Reforma Política
que votaria o relatório do deputado Marcelo Castro (PMDB) - este relatório
embora não seja aquilo que nós do PSOL e organizações da sociedade civil como
OAB, CNBB, MCCE e outras de igual relevância queremos é, contudo, fruto de
exaustivas discussões, audiências públicas e oitivas realizadas pela comissão
especial ao longo dos últimos meses.
Eis
que, a caminho do plenário onde se realizaria a sessão, sou surpreendido com a
informação de que esta fora cancelada por decisão de Eduardo Cunha, que não
está contente com o relatório do deputado Marcelo Castro.
Segundo
informações que circulam pelos corredores da Câmara, Cunha reuniu, na
residência oficial do presidente, um grupo reduzido de deputados aliados seus
e, com estes, decidiu que o relatório de Castro não seria votado na comissão
especial, mas, sim, no Plenário da Câmara amanhã. As mesmas informações
antecipam que Cunha destituirá Marcelo Castro da função de relator e nomeará
Rodrigo Maia (DEM-RJ), seu aliado, o novo relator da matéria em plenário.
Cunha
já tinha humilhado o deputado Marcelo Castro antes em entrevista a O Globo,
tratando-o como um qualquer sem condições de produzir o relatório que ele,
Cunha, desejava. Castro se calou diante da humilhação.
Eduardo
Cunha deseja a todo custo aprovar o sistema eleitoral batizado aqui de
"distritão", que é o pior dos sistemas possíveis, em vigor apenas no
Afeganistão. APENAS NO AFEGANISTÃO! Trata-se de um sistema em que é eleito
apenas quem tem dinheiro e popularidade prévia: se aprovado, o parlamento
ficará mais cheio de pastores fundamentalistas e comerciantes da fé,
empresários ricos, apresentadores de programas sensacionalistas de tevê e rádio
e jogadores de futebol do que já está no momento; além disso, se aprovado,
qualquer governo terá que lidar com um varejo de deputados defendendo
interesses privados que só poderá ser vencido mediante "mensalões" e
outros esquemas hoje repudiados pela mídia em suas investidas contra o governo
do PT. Já pensaram nesse horror?! Os partidos desaparecerão, as ideologias
políticas idem e os movimentos sociais não terão qualquer chance de eleger
representantes!
Ou
seja, o que Cunha propõe - com a complacente cobertura de boa parte da mídia de
propriedade privada - é uma contra-reforma política que apenas colocará mais
raposas (organizações empresariais, banqueiros, especuladores financeiros,
porta-vozes das indústrias farmacêutica, automobilística, de bebidas e
armamentista e do agronegócio, empreiteiras e construtoras) livres no
galinheiro.
BRASIL 247 25 de maio de 2015 21h56m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 26.05.2015 05h30m
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