CONJUNTURA
COM
CHINA E BANCO DOS BRICS, GEOPOLÍTICA APONTA PARA VIRADA DO BRASIL
Investimentos que
a China anunciou para o país e a consolidação do banco dos Brics faz frente à
conspiração midiático-judicial-tucana financiada pelos EUA, em especial pelas
indústrias Koch
por Miguel do
Rosário, de O Cafezinho publicado 22/05/2015
ALGUMAS ESPECULAÇÕES GEOPOLÍTICAS
Antes de reproduzir uma notícia importante, sobre a aprovação na
Câmara do banco dos Brics, permitam-me algumas especulações. Algumas podem
parecer paranoicas, mas estamos diante de uma virada geopolítica tão grande,
com movimentos tão definidos, que podemos nos dar ao direito de suprir o que
não sabemos com um pouco de imaginação.
Mesmo que
nos faltem elementos para fechar o quebra-cabeça, isso não afetará o resultado
final da análise, que é baseado em fatos: a China está trazendo para o Brasil
os recursos que os EUA estão tirando. Exemplo: enquanto o sistema judiciário
americano tenta ferrar a Petrobras, a China está assinando acordos sucessivos
para emprestar dinheiro à estatal, já anunciou investimentos aqui da ordem de
R$ 200 bilhões para cima, e acertou com o Brasil a criação do banco dos Brics,
que alocará outros bilhões na infra-estrutura brasileira.
Passei uma tarde inteira, na quarta, conversando com
parlamentares, da Câmara e do Senado, e uma das teorias que circulam naqueles
ambientes é a seguinte: a conspiração midiático-judicial-tucana para destruir a
cadeia de indústrias do setor de petróleo é financiada pelos EUA, em especial
pelas indústrias Koch, de propriedade dos irmãos Koch, os empresários mais
ricos dos Estados Unidos.
Os irmãos Koch atuam em quase todas as etapas do setor, e são
grandes especuladores no mercado mundial de petróleo. Os Koch são ainda os
principais financiadores do partido republicano, em especial de suas franjas
mais radicais, como o Tea Party.
Outra teoria, e essa é a mais plausível de todas, porque há mais fatos: vários desses grupos
“jovens”, que organizam marchas antigoverno no Brasil recebem dinheiro
americano. Vem pra rua, Revoltados on Line, Movimento Brasil Livre, essa turma
toda recebe, em alguns casos até sem o saber, dinheiro dos Koch ou de outro
grupo vinculado à direita americana e às suas empresas de petróleo.
Os irmãos
Koch fazem lobby pelo fim da lei de conteúdo nacional, e pelo fim do monopólio
da Petrobras como operadora, para que eles mesmo possam oferecer seus serviços
e produtos à Petrobrás. Ou mesmo substituir a Petrobrás.
Corre à
boca pequena no congresso que os tucanos não estão preocupados com a crise na
cadeia de indústrias ligada ao petróleo e à construção civil, sob ataque
político violentíssimo de setores conspiracionais do Ministério Público, porque
o dinheiro deles já está garantido pelo Tio Sam.
O alto
tucanato foi aos EUA, dias atrás, e seus membros foram homenageados num
regabofe com bilionários.
Não me
entendam mal. Ao contrário do clichê que se tem de um blogueiro progressista,
não sou nenhum esquerdista antiamericano. Ao contrário, acho que o Brasil deveria
desenvolver muito mais parcerias com os EUA, sobretudo nos campos da tecnologia
da informação, ciências e cultura.
Mas
evidentemente não faz sentido destruir a indústria brasileira de petróleo e
substituí-la por empresas controladas pelos irmãos Koch, que representam o que
existe de mais golpista, corrupto e reacionário nos EUA. Se existia corrupção
na relação entre as indústrias brasileiras e a Petrobras, com a entrada dos
Koch essa corrupção seria alçada a uma magnitude muitíssimo superior.
A relação
entre o dinheiro americano e a política brasileira ficou clara durante as
eleições de 2014. Sempre que Dilma caía nas pesquisas, as ações da Petrobrás
subiam, empurradas por pressões especulativas exercidas a partir da bolsa de
Nova York.
O capital
internacional, que ainda existe e não é delírio de mentes paranoicas
esquerdistas, tem sede nos EUA e defende, em primeiro lugar, os interesses
econômicos e políticos dos EUA.
É aí que
mora o problema: os EUA nunca tiveram uma visão generosa para com o Brasil, porque
nunca dependeram de nós para nada. Com exceção, talvez, do café, que não tem
importância estratégica nenhuma.
Já a
China realmente precisa do Brasil, porque depende de nossos produtos
agropecuários e minerais. Interessa à China que o Brasil se mantenha forte,
estável e em crescimento, com uma política independente dos EUA, e por isso ela
está ajudando o Brasil a superar a atual crise.
Os
fundamentos da indústria brasileira foram lançados na década de 40, quando o
então presidente Getúlio Vargas usou a geopolítica da época para obter grandes
financiamentos dos EUA.
Dilma
está fazendo a mesma coisa. Está jogando o jogo macro da geopolítica para
trazer ao Brasil grandes investimentos em infra-estrutura.
E de
quebra ainda conseguirá desinfetar a maioria dessas conspirações
midiático-judiciais, cuja principal arma seria espremer e ressecar a economia
brasileira.
A
história do poder americano sugere fortemente que mantenhamos o nível de
paranoia em estado de alerta. Mas se quisermos nos ater estritamente aos fatos
públicos, nossa análise não muda muita coisa.
Em termos
gerais, as pressões políticas que vem dos EUA continuam negativas. E não é
porque os EUA são malvados e os chineses, bonzinhos.
Os EUA, à
diferença da China, não têm interesse, por exemplo, em financiar a nossa
infra-estrutura.
No frigir
do bolinho de arroz, isso é o que importa: obter recursos, muitos recursos,
para financiar nossos trens, metrôs, portos e estradas.
Conseguimos
isso com a China, o que forçará os EUA a também alocarem recursos aqui, se não
quiserem perder influência e negócios.
Enfim,
parece que Dilma, desta vez, soube ficar do lado certo do vento.
Leia a notícia abaixo:
Câmara aprova Banco do Brics que tem como prioridade financiar
infraestrutura
22 de
Maio de 2015
O
plenário da Câmara dos Deputados aprovou nesta quinta-feira (21) a criação de
um banco de desenvolvimento com atuação internacional ligado ao Brics – bloco
formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Os países representam
42% da população mundial, 26% da superfície terrestre e 27% da economia
mundial. O principal objetivo do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD) é
financiar projetos de infraestrutura e de desenvolvimento sustentável –
públicos e privados – dos próprios membros do bloco e de outras economias
emergentes.
O NBD
será uma instituição aberta a qualquer membro das Nações Unidas. Os sócios
fundadores, no entanto, manterão poder de voto conjunto de pelo menos 55%. Além
disso, nenhum outro país individualmente terá o mesmo poder de voto de um
membro dos Brics.
Para o
secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Orçamento
e Gestão (MP), Claudio Puty, a aprovação do banco representa uma nova fonte de
recursos para financiar projetos em áreas estratégicas aos países do bloco. “O
investimento em infraestrutura é essencial ao desenvolvimento e à retomada do
crescimento econômico brasileiro”, afirma. O secretário lembra que a criação do
NBD “é ainda mais relevante em um momento que o Brasil está prestes a lançar um
plano de investimentos em infraestrutura”, comentou. Os recursos da nova
instituição, acredita o secretário, poderão ajudar no financiamento privado dos
empreendimentos.
“Uma
condição necessária ao planejamento de investimento de longo prazo é reconhecer
os limites orçamentários que os países em desenvolvimento enfrentam. Assim é
preciso buscar formas distintas e inovadoras de financiamento que combinem
recursos públicos e privados. É nesse sentido que o NBD se institui como
instrumento estratégico para o desenvolvimento dos países do bloco”, destaca
Puty.
O acordo autoriza o novo banco a operar com um capital de US$ 100
bilhões. Este valor pode ser alterado a cada cinco anos pelo Conselho de
Governadores, órgão máximo da administração do NBD, formado por ministros dos
países fundadores.
Além dos
empréstimos, o NBD poderá fornecer assistência técnica para a preparação e
implementação de projetos de infraestrutura e desenvolvimento sustentável
aprovados pela instituição; criar fundos de investimento próprios; e cooperar
com organizações internacionais e entidades nacionais, públicas ou privadas.
REDE BRASIL ATUAL 24 de maio de 2015 12h54m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 25.05.2015 07h05m
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