Terceirização,
negociação coletiva e conflitos de representatividade foram os temas debatidos
na segunda parte do Simpósio Organização e Garantias Sindicais
TST
Mais
de 500 ouvintes, entre sindicalistas, trabalhadores, advogados, magistrados,
procuradores do trabalho e autoridades, participaram da segunda parte do
Simpósio Organização e Garantias Sindicais, organizado pelo Tribunal Superior
do Trabalho (TST) nesta segunda-feira (25). Os temas debatidos nos painéis da
tarde foram: terceirização, a negociação coletiva e os conflitos de
representatividade. Entre os palestrantes, a opinião era unânime: é fundamental
fortalecer a atividade sindical para a manutenção dos direitos trabalhistas.
No
painel sobre conflitos de representatividade, o secretário de Relações do
Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Manoel Nascimento Melo,
destacou o fortalecimento da atividade sindical afirmando que existem mais de
dois mil pedidos para registro de novos sindicatos dentro do Ministério. De
acordo com o secretário, houve um aumento considerável no número de sindicatos
de ofício, seja pela regulamentação de novas profissões ou pela especialização
das categorias, o que demonstra o crescimento da atividade sindical. Por outro
lado, diante deste movimento, o Ministério do Trabalho não pode se negar a
discutir o desmembramento dos sindicatos, ponderou Osmani Teixeira de Abreu,
presidente do Conselho de Relações de Trabalho da Federação das Indústrias do
Estado de Minas Gerais (FIEMG). "Essa discussão sobre o desmembramento
deveria estar no âmbito da autoridade ministerial e não da justiça. Somos a
favor de sindicatos específicos e de uma base territorial menor, pois
acreditamos que dessa forma ele tem uma representatividade maior",
completou. Na opinião do deputado federal Roberto Santiago, presidente da
Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público da Câmara dos Deputados,
o problema do conflito de representatividade vai além da questão da unicidade
de representação. "É um problema na cultura de associativismo do
brasileiro. A maior parte das pessoas não vai nem a uma reunião de condomínio,
quanto mais em reunião de sindicato. Por isso há dúvidas quanto à legitimidade
de representação", ponderou.
Sobre a negociação coletiva,
o advogado da Força Sindical, César Augusto Mello, destacou que essa é a maior
atribuição de um sindicato. Melo enfatizou a importância da
"autocomposição", encontro entre as partes e um facilitador do MTE,
que ajuda na busca pela solução de um conflito. "Nós louvamos a
autocomposição e incentivamos a negociação e as assembleias sindicais",
afirmou Mello. Para o consultor de Relações do Trabalho e Negociações Sindicais
do grupo Santander, Alencar Rossi, as negociações coletivas são pouco
estimuladas e, quando acontecem, os acordos coletivos são "criticados e
alterados na justiça, subestimando a sua legitimidade", disse. O
desembargador Luiz Eduardo Gunther completou dizendo que sem a negociação
coletiva não há direito do Trabalho.
No
último painel, sobre a Terceirização, o professor da UFMG e da PUC/MG, Márcio
Túlio Viana, destacou que o trabalhador se tornou uma mercadoria. "Agora
as empresas contratam funcionários de outras empresas para se esquivar das
responsabilidades sobre esse trabalhador. Isso é uma precarização",
enfatizou. De acordo com o professor, a única forma de mitigar esse problema é
fortalecer os sindicatos.
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 25.11.2013 20h05m
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