Rotatividade alta explica
gasto crescente mesmo com taxa de desemprego baixa
Valor Econômico
O
seguro-desemprego tem sido uma despesa crescente para o governo mesmo diante
das taxas recordes (de baixa) na desocupação. Uma das razões é alta taxa de
rotatividade do mercado de trabalho. Em 2012, nada menos do que 44% do total de
vagas do mercado de trabalho trocou de "dono", sendo que a maior
parte ocorreu porque os trabalhadores foram demitidos. Outras trocas ocorreram
porque o trabalhador pediu dispensa, e um número menor, por aposentadoria ou
morte.
Deste
universo, 12,1 milhões foram dispensados sem justa causa e com isso adquiriram
o direito ao seguro-desemprego, caso permanecessem nessa condição. Desses, 7,8
milhões (65% dos demitidos por justa causa) realmente receberam o benefício.
Para
economistas que acompanham o mercado de trabalho, a busca das empresas por
redução de custos e a falta de qualificação dos trabalhadores explicam parte da
rotatividade de vagas no país.
Na
avaliação de Maria Beatriz de Albuquerque David, professora da Faculdade de
Ciências Econômicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), a
rotatividade alta tanto na indústria quanto em alguns serviços ocorre por
questões de redução de custos e é uma forma de as empresas aumentarem os seus
lucros, principalmente em períodos mais difíceis. "A rotatividade torna-se
uma questão séria em momentos de estagnação ou de baixas taxas de crescimento
econômico, que é o caso do Brasil agora", afirmou. "As altas taxas
acontecem mais em períodos em que não há forte aumento de produtividade. No
Brasil, nos últimos anos, a produtividade de uma maneira geral não
cresceu", destacou.

Maria
Beatriz disse ainda que em serviços com uma mão de obra pouco qualificada a
alta rotatividade é mais comum pela maior facilidade de substituição de
trabalhadores. Há como prática muitas vezes a demissão de pessoas com mais
tempo de trabalho para serem substituídas por novos funcionários, a um salário
mais baixo, numa operação de redução de custos para a empresa. Embora a multa
de 40% aplicada sobre o empregador em caso de demissão sem justa causa seja uma
tentativa de evitar esse tipo de rotatividade, a professora da Uerj lembra que
há muitos acordos entre empregados e empregadores que
driblam
essa multa. O empregado recebe o seguro-desemprego ao ser demitido, mas acerta
com o empregador devolver o dinheiro da multa da rescisão contratual.
Para
o professor da Universidade Federal Fluminense (UFF) André Nassif, a
rotatividade só deve diminuir quando o país engrenar em um processo de avanço
sustentável, quando mantiver taxas de crescimento maiores do Produto Interno
Bruto (PIB). "As demissões são um sinal claro de que as empresas não têm
expectativa de crescimento".
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 02.11.2013 06h44m
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