Governo quer exigir curso
no 1º pedido de seguro-desemprego
Hoje, exigência ocorre só na 2ª vez.
Objetivo é conter gastos
Aperto.
Segundo Mantega, algumas empresas podem estar fraudando o seguro-desemprego
Preocupado
com a deterioração das contas públicas, o ministro da Fazenda, Guido Mantega,
informou ontem que o governo vai adotar medidas para reduzir suas despesas com
seguro-desemprego e abono salarial. Uma delas é passar a exigir que
trabalhadores façam cursos de qualificação profissional já na primeira vez que
solicitarem o seguro-desemprego. Hoje, essa exigência é feita na segunda vez
que um trabalhador busca este benefício.
Segundo
Mantega, a regra ajudaria não apenas a reduzir a rotatividade no mercado de
trabalho, pois ele passaria a contar com pessoas mais qualificadas, mas também
a diminuir os gastos do governo:
Vamos
reduzir essa rotatividade que é muito grande no Brasil e qualificar mais. Além
disso, temos urgência de reduzir essa despesa ou pelo menos impedir que ela
continue crescendo.
Déficit
recorde no fat
No
radar da equipe econômica também está a alta dos desembolsos com o abono
salarial, que somam RS 24 bilhões por ano. Neste caso, o problema é a
vinculação do benefício ao salário mínimo. Por isso, alguns técnicos do governo
já defendem nos bastidores o fim dessa indexação. Juntas, as despesas com abono
e seguro-desemprego somam quase RS 47 bilhões.
O
abono deve alcançar RS 24 bilhões, uma cifra parecida com o Minha Casa Minha
Vida. Estamos avaliando o que pode ser feito disse Mantega.
O
aumento das despesas com seguro desemprego e abono salarial tem impacto nas
contas do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) que, como revelou O GLOBO na
última segunda-feira, terá déficit recorde de R$ 7,2 bilhões este ano.
O
ministro afirmou ainda que o governo trabalha com a possibilidade de algumas
empresas estarem fraudando o seguro-desemprego. Elas estariam demitindo os
empregados para que eles possam receber o benefício e continuar trabalhando
informalmente. O ministro sabe que mudanças no abono e no seguro-desemprego são
polêmicas e podem enfrentar resistência das centrais sindicais. Por isso, quer
debater o assunto com as entidades.
O
governo já vem adotando medidas para reduzir os gastos com seguro. Em outubro,
foi editado decreto determinando que o trabalhador procurasse qualificação já
na segunda vez que solicitasse o beneficio. Antes, isso só ocorria na terceira
vez.
O
desafio, porém, não se limita a reduzir as despesas. Poucos trabalhadores conseguem
se matricular nos cursos de qualificação profissional. Segundo levantamento do
Ministério do Trabalho, 7,7 milhões de pessoas receberam o seguro em 2012, mas
só 46.481 foram matriculadas. Em 2013, de 5,7 milhões de trabalhadores
beneficiados, só 50.803 apresentaram comprovante de matricula. Os cursos são
gratuitos (no Senai e Senac), do Pronatec, parceria entre os
ministérios da Educação e do Trabalho. Segundo o ministro, existem hoje quatro
milhões de vagas nesses locais.
Publicado em 01/11/2013 no O Globo.
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 02.11.2013 06h57m
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