Reflexão sobre os 25 anos da
Constituição
Publicado em Terça, 29 Outubro 2013 14:22
Sempre que a
Constituição Brasileira de 1988 faz aniversário – e agora está em seu 25º - a
sociedade costuma refletir sobre as conquistas nela incorporadas, lembrando o
momento político, as mobilizações, as lutas e disputas havidas no período
Constituinte, nos anos de 1987 e 1988.
Cinco aspectos
foram determinantes para os avanços, especialmente na área social:
a) a
redemocratização, após 25 anos de ditadura; b) o método de elaboração da
Constituição; c) a unidade de ação e a mobilização popular; d) o foco do
governo apenas dois aspectos do texto em debate; e) o fato de ter
acontecido antes do Consenso de Washington.
A Constituinte foi
o coroamento do processo de redemocratização, com o povo participando
ativamente da construção do novo ordenamento jurídico. O desabrochar da
cidadania, após 25 anos de ditadura, representou uma força simbólica
imensurável. Foi nesse clima que todas as camadas da sociedade, em
particular, os assalariados, lutaram pela remoção do entulho autoritário e pelo
reconhecimento de direitos, inclusive os sociais, sufocados ao longo do período
autoritário.
O método de
elaboração da Constituição, sem um projeto prévio e com intensa participação
popular, foi outro elemento determinante para os avanços em matéria de direito
e cidadania. O PMDB, o maior partido da Constituinte, teve a prerrogativa de
indicar os relatores e negociar a presidência das oito comissões temáticas as
24 subcomissões temáticas, três para cada comissão, além da presença
majoritária na comissão de sistematização, a instância que antecedia às
votações de plenário. Os relatores, sem exceção, eram parlamentares
progressistas dos pontos de vista político e social, contribuindo para a
constitucionalização dos direitos.
A intensa
participação popular, feita de modo coordenado, teve papel decisivo. Além das
emendas populares, com milhares de assinaturas, os setores organizados se
fizerem presente nas audiências públicas. No mundo do trabalho, por exemplo, o
DIAP, com apoio das centrais, confederações, federações e sindicatos existentes
à época, coordenou a emenda consensual do movimento sindical, cuja integra foi
incorporada ao relatório da subcomissão dos direitos dos trabalhadores e
servidores públicos.
O Governo Federal,
por sua vez, estava focado apenas em dois temas: o sistema de Governo e a
duração do mandato do então Presidente da República. Tendo sido vitorioso em
ambas as propostas, deixou os constituintes livres de pressão governamental em
relação aos demais temas.
Nos dois temas em
questão, o Presidente Sarney atuou fortemente para manter o presidencialismo e
reduzir a duração do mandato de seis para cinco anos, derrotando a tendência da
Constituinte pelo sistema parlamentarista e por quatro anos de mandato.
A Constituição
Brasileira, especialmente na ordem econômica e nos aspectos sociais – em
particular a seguridade – incorporou conquistas importantes, contrariando a
política neoliberal dos Governos Ronald Reagan, nos Estados Unidos, e Margaret
Thatcher, na Inglaterra.
A reação dos
organismos internacionais, defensores do Estado mínimo, foi imediata: apenas um
ano após a promulgação da nossa Constituição, chegaram ao consenso sobre
um receituário neoliberal de dez itens, oConsenso de Washington, que
deveria ser imposto aos países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento,
sugerindo, inclusive, que fossem incorporados à própria Constituição, via
reforma.
As circunstâncias
fazem o momento.
Não fossem
aquelas circunstâncias favoráveis, certamente nossa Constituição, a
exemplo da do Chile e de outros países latino-americano, teria tido um viés
neoliberal, sem proteção às empresas e a economia nacional e, principalmente,
sem previsão constitucional de direitos sociais e trabalhistas, mas com a
privatização da saúde e da previdência social, motores da política de proteção
social no Brasil.
Viva a
Constituição de 1988!!!
Celso Napolitano
Presidente
do Diap
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 04.11.2013 07h40m
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