População idosa vai triplicar nos próximos 20 anos
O Brasil está
envelhecendo numa velocidade maior que a das sociedades mais desenvolvidas, o
que produzirá grande impacto nos sistemas de saúde, com elevação dos custos e
do uso de serviços.
Segundo estimativas do IBGE, nos próximos 20 anos a população acima de
60 anos vai mais do que triplicar, passando dos atuais 22,9 milhões (11,34% da
população) para 88,6 milhões (39,2%).
No período, a expectativa média de vida do brasileiro deverá aumentar
dos atuais 75 anos para 81 anos.
"Essa longevidade é uma dádiva, mas traz desafios
importantes", afirmou o médico Alexandre Kalache, presidente do Centro
Internacional de Longevidade, em palestra no Fórum a Saúde do Brasil, da Folha.
Hoje há programas de atenção à saúde de pessoas idosas nas três esferas
de governo (federal, estadual e municipal), mas ainda atendem a poucos idosos e
nem sempre têm continuidade.
Também não existe coordenação efetiva dessas ações ou política
intersetorial. Uma questão discutida, por exemplo, é se cuidados como moradias
assistidas ou centros onde os idosos possam ficar enquanto o familiar trabalha
são responsabilidade da saúde ou da assistência social.
No âmbito da saúde, é unânime a opinião de especialistas de que o país
precisará readequar o modelo de atenção, ainda focado em quadros agudos e na
área materno-infantil, mesmo com a taxa de fecundidade em queda há mais de uma
década.
Isso incluiria, inclusive, a necessidade de as universidades formarem
mais profissionais especializados no cuidado de idosos e a de os sistemas de
saúde público e privado capacitarem os que estão no mercado de trabalho.
O envelhecimento está associado a uma maior prevalência de doenças
crônicas, que respondem por quase 70% das enfermidades nessa fase da vida.
Portanto, as políticas de saúde deveriam priorizar desde a prevenção de
doenças que vão incapacitar o idoso (uma hipertensão não cuidada pode resultar
em derrame) até a criação de serviços (de cuidado paliativo, por exemplo)
voltados ao fim da vida.
Pesquisa da USP mostra, por exemplo, que os idosos do município de São
Paulo estão vivendo mais, mas em piores condições de saúde.
Projeções feitas na mesma pesquisa sobre o impacto das doenças que mais
afetam os idosos revelam que, se a hipertensão e a diabetes fossem controladas,
os homens ganhariam até seis anos de vida livre de incapacidades.
"As condições de saúde dependem dos esforços públicos para, por
exemplo, combater o tabagismo, o alcoolismo, a obesidade, o sedentarismo e as
dietas pobres", diz o autor do trabalho, o geriatra Alessandro Campolina.
A falta de qualificação do atendimento ao idoso, tanto na atenção
primária quanto na hospitalar, é outra queixa dos profissionais da área.
Para Kalache, que já dirigiu o programa de envelhecimento da OMS
(Organização Mundial da Saúde), o país avançou na distribuição de medicamentos
(drogas para diabetes e hipertensão, por exemplo), o que tem contribuído para a
longevidade, mas a oferta de cuidados aos idosos ainda é precária.
"A população acima de 80 anos será a mais vulnerável e a com mais
incapacidades. As famílias estão fragmentadas, os filhos migram e não sobra
ninguém para cuidar dos mais velhos."
Em 20 anos, o número de idosos vivendo sozinhos mais que triplicou no
país, passando de 1,1 milhão (1992) para 3,7 milhões (2012). No mesmo período,
a população acima de 60 anos passou de 11,4 milhões para 24,8 milhões, um
crescimento de 117%.
MINISTÉRIO
DA SAÚDE
Deborah Malta, coordenadora de vigilância de agravos e doenças não
transmissíveis do Ministério da Saúde, diz que as políticas voltadas aos idosos
estão avançando.
Um dos programas federais que ela cita é o Melhor em Casa, que prevê
atendimento domiciliar com equipe multidisciplinar.
Embora o programa se destine também a outros públicos, 70% das pessoas
atendidas são idosas, das quais 31% têm acima de 80 anos.
Malta diz que o ministério também tem um programa específico para
prevenção de doenças crônicas, além do Farmácia Popular que oferece
medicamentos gratuitos para tratamento de osteoporose, glaucoma, asma,
hipertensão, diabetes, Parkinson e Alzheimer e subsídio para fraldas
geriátricas.
Também informa que o ministério investe nos cursos para qualificar
profissionais na atenção à pessoa idosa.
Folha.com 29/03/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 31.03.2014 16h23m
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