Governo
estuda medidas para cortar gastos com auxílio-doença
Em ano de
forte aperto fiscal, o governo está passando o pente-fino nas despesas para
identificar onde é possível reduzir gastos. Depois de prometer iniciativas para
amenizar os desembolsos com o abono salarial e seguro-desemprego, agora é a vez
do auxílio-doença. Os técnicos da área econômica estão estudando medidas para
conter esses gastos. A expectativa é que iniciativas sejam anunciadas ainda
este ano.
Segundo uma fonte da área econômica, o governo está preocupado com a trajetória
de crescimento das concessões de auxílio-doença. Essa despesa saltou de R$
18,09 bilhões em 2012 para R$ 22,9 bilhões no ano passado, uma expansão de
26,58%, números corrigidos pelo INPC.
Um dos
motivos que têm contribuído para a elevação dos gastos com auxílio-doença é o
aumento das indenizações pagas devido a acidentes de trânsito. Além disso, os
números estão sendo pressionados pela elevação de pedidos por usuários de
drogas. Para técnicos do Ministério da Previdência, uma forma de controlar o
ritmo de expansão da liberação de auxílio-doença é tentar dar mais efetividade
aos programas de reabilitação profissional. Dessa forma, os segurados receberão
o benefício por um período mais curto.
Uma das
ideias é fazer "ajustes" na legislação para que sejam criados
benefícios que incentivem o retorno ao mercado formal, assim como para que as
empresas contratem funcionários que tenham passado por requalificação.
Atualmente, o governo consegue reabilitar de 15 mil a 20 mil pessoas por ano.
Outra
conta pesada nas despesas da Previdência é com aposentadorias por invalidez. Em
2013, o desembolso foi de R$ 42,5 bilhões, ante R$ 35,29 bilhões do ano
anterior. Com a reabilitação do trabalhador, esse gasto também poderia ser
diminuído.
Para
reduzir despesas, o governo também prometeu medidas para diminuir o ritmo de
aumento de gastos com seguro-desemprego e abono salarial. Mas, por enquanto,
ainda não há nada decidido sobre o assunto. Em 2013, o Fundo de Amparo ao
Trabalhador (FAT) desembolsou R$ 31,9 bilhões com pagamento de
seguro-desemprego, o que representa uma elevação de 15,53% ante 2012. No caso
do abono salarial, o gasto saltou 18,8%, passando de R$ 12,336 bilhões em 2012
para 14,658 bilhões em 2013.
A busca
por redução de despesa está diretamente ligada ao fato de que a arrecadação não
está crescendo, pelo menos por enquanto, como o governo deseja. Além disso,
novos despesas primárias estão sendo contabilizadas. Na quinta-feira, o
ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou que o Tesouro Nacional fará um
novo aporte de R$ 4 bilhões para a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE).
Nesse caso, a despesa será compensada com aumento de impostos.
Em
fevereiro, a área econômica anunciou um corte no Orçamento de R$ 44 bilhões
para atingir a meta de superávit primário do setor público consolidado de 1,9%
do Produto Interno Bruto (PIB), ou R$ 99 bilhões, considerando os abatimentos
como investimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Sem controle
de gastos, o governo pode ter dificuldades para atingir esse objetivo.
Valor Online 17/03/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 17.03.2014 10h06m
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