Poluição matou 7 milhões em 2012
Pelo menos 7 milhões
de pessoas morreram por causa de poluição do ar em 2012 e a situação piorou em
grandes cidades de emergentes, como São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a
Organização Mundial da Saúde (OMS).
O número de vítimas representa mais do dobro de estimativas anteriores e
confirma que a poluição do ar é agora um dos maiores riscos para a saúde,
causando uma entre oito mortes globalmente.
"No mundo inteiro a poluição do ar está matando mais", disse
ao Valor o coordenador de saúde pública e meio
ambiente da OMS, Carlos Dora. "Em grandes cidades de emergentes, como São
Paulo e Rio, a situação não é boa."
A OMS alerta que a nova estimativa não significa necessariamente que o
número de mortes dobrou desde 2008, data da última projeção. E sim que agora há
mais conhecimento sobre as doenças causadas pela poluição, e melhor avaliação
da exposição tanto urbana como rural, dentro e fora de casa.
Agora está mais claro o vínculo entre poluição do ar e problemas de
coração, cerebrovascular, além de câncer do pulmão e outras doenças. A OMS
conclui que a poluição do ar interna, causada, por exemplo, pelo uso de fogão
de lenha ou de lamparinas a diesel, causou 4,3 milhões de mortes em 2012. A
poluição externa teria feito 3,7 milhões de vítimas. Muitas pessoas são
expostas aos dois tipos de poluição, daí porque as duas cifras não podem ser
somadas e a OMC estima que no total as vítimas seriam em torno de 7 milhões.
Aproximadamente 5,1 milhões de mortes ocorreram na Ásia. Na América
Latina, cerca de 190 mil. A OMC diz estar ajustando as estimativas sobre as
1.600 cidades mais poluídas e com mais mortes, usando os novos modelos de
estudos e imagens de satélite.
"A excessiva poluição do ar é frequentemente subproduto de
políticas insustentáveis em setores como transporte, energia, gestão do lixo e
industrial", diz Carlos Dora.
Ele nota que no Brasil a poluição mais violenta é industrial e urbana,
causada por queima de lixo, uso individual de veículo porque o transporte
público é ruim, além de outros tipos, e tudo isso causa também prejuízos
econômicos.
"Todas as grandes cidades globais competem por grandes negócios e
têm que atrair mão de obra qualificada, e cidades muito poluídas não vão atrair
muito", diz ele.
Para Dora, a China é o país com os maiores problemas, mas também o que
tem mais reagido. "Medidas drásticas estão sendo tomadas e a motivação é
competição economica, diz. O governo chinês decidiu que nos próximos três anos
vai baixar a poluição do ar para 60 microgramas por metro cúbico de ar/dia, em
média, comparada a até 350 hoje em dia, e quando o padrão recomendado pela OMS
é de 25 microgramas.
Pequim promete usar US$ 227 bilhões para combater a poluição, lembra Dora. Isso
num cenário em que o número de carros na China aumentou de 16 milhões para 93
milhões entre 2000 e 2011.
Sua recomendação para o Brasil é clara: "Investir em transporte
público de qualidade, dar espaço para pedestres, produzir energia limpa. o
Brasil já tem 80% de energia de hidroelétricas, mas nos domicílios o
aquecimento de água vem de outros combustíveis, quando tem toda a capacidade de
energia solar para aquecer a água".
Valor
Online 25/03/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 25.03.2014 16h02m
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