Governistas reagem a Conselho do FGTS com
rotatividade
Um projeto de lei do
senador Paulo Bauer (PSDB-SC) que propõe alternância a cada dois anos no cargo de
presidente do Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)
vem dividindo trabalhadores, empresários e governo federal. Hoje, o posto é
ocupado exclusivamente pelo ministro do Trabalho.
O fundo, usado também para o governo investir em infraestrutura e saneamento,
rendeu cerca de R$ 60 bilhões em 2013 e possui um patrimônio estimado em R$ 360
bilhões. Segundo Ramalho Junior, representante da Força Sindical no conselho,
os ministérios da Fazenda e das Cidades demonstram grande resistência à
possibilidade de o governo perder o assento permanente na presidência do
colegiado. Procuradas, essas Pastas não comentaram o tema.
"Se o projeto passar pelo Congresso, considero bem provável que a
presidente Dilma Rousseff não sancione, porque o governo quer ter controle
sobre os recursos bilionários do fundo", afirmou Ramalho Junior, que apoia
a rotatividade na presidência, assim como todas as centrais sindicais.
Após tramitar por dois anos, o projeto foi aprovado na semana passada em
caráter terminativo na Comissão de Assuntos Sociais do Senado e deve seguir
agora para a Câmara dos Deputados sem passar pelo plenário do Senado. Mas,
apesar de o Ministério do Trabalho não se pronunciar a respeito, o governo deu
sinais de que está disposto a protelar a tramitação da proposta e não tem
interesse em vê-lo aprovado.
No dia 18, um dia antes de ser aprovado o projeto, o líder do PT no Senado,
Humberto Costa (PE), propôs um requerimento para também debater a proposta na
Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). Sem obter sucesso, o senador procurou
fazer uma manobra para esvaziar a votação do projeto. Mas também não teve
êxito. Agora, Costa aposta que o requerimento seja aprovado no plenário do
Senado.
"A bancada do PT e o governo entendem que é não é adequada a alternância,
pois o volume de recursos do FGTS é bem expressivo e o governo não topamos
abrir a possibilidade do recurso não ser administrado pelo governo",
explica Costa.
O presidente nacional do PDT, o ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, disse ao Valor PRO, serviço de informações em tempo real do Valor, que o conselho precisa continuar sob o comando
do ministro da pasta. "Eu sou contra a alternância, porque a
responsabilidade de tudo recai sobre o ministro e é muito difícil distribuir a
responsabilidade com trabalhadores e empresários", destacou ele, que
deixou o ministério em meio a denúncias de irregularidades. "Como ter um
banco público operador do FGTS, como a Caixa [Econômica Federal], e na
presidência ter um órgão que não é do governo? Não vejo que isso seja
possível", criticou.
Hoje, o conselho é formado por 24 integrantes. A maioria é de representantes do
governo: 12 de órgãos governamentais, seis dos trabalhadores e seis de
entidades empresariais como as confederações nacionais da Indústria (CNI) e do
Comércio e Serviços (CNC).
Claudio Conz, representante da CNC no Conselho e empresário do ramo de comércio
de material de construção, também questiona a proposta. "A alternância
pode ser salutar. Agora, o eventual presidente teria que ter estrutura de
equipe, assim como o ministro hoje. Tenho dificuldades em enxergar como isso
seria", ponderou.
Valor Online 25/03/2014
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 25.03.2014 15h48m
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