Aprovadas regras para aumentar transparência e democratizar gestão do
FGTS
A Comissão de Assuntos Sociais (CAS) aprovou nesta quarta-feira (19)
mecanismos de transparência e de prestação de contas aplicáveis ao Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de regras que democratizam a gestão
do fundo. Pela proposta (PLS 49/2012), de autoria do senador Paulo Bauer (PSDB-SC),
dirigentes do Conselho Curador do fundo terão de comparecer ao Senado após os
primeiros 60 dias do ano para apresentar relatório de gestão com informações
detalhadas sobre as atividades do período anterior.
A matéria estabelece uma estrutura mais equilibrada para o Conselho
Curador, que passa a ter composição paritária da representação compartilhada
entre empregados, empregadores e governo. Hoje, a representação do governo
supera a dos demais segmentos. Além disso, o projeto transfere a função de
gestor ao ministro das Cidades, em substituição ao ministro do Desenvolvimento
Social.
Uma das autoridades que devem participar da audiência no Senado é o
presidente do Conselho Curador. Esse posto é tradicionalmente ocupado pelo
ministro do Trabalho e Emprego, mas o projeto impõe que passe a ser rotativo
entre os conselheiros da representação paritária. Também deve comparecer o
presidente da Caixa Econômica Federal, órgão operador do fundo, assim como o
titular do Ministério das Cidades.
Na audiência, os expositores deverão apresentar os resultados anuais do
fundo, bem como o planejamento das ações a serem estabelecidas para os meses
seguintes. Ainda pelo projeto, o Conselho Curador passa a ser obrigado a
divulgar amplamente os motivos das resoluções e normas aprovadas.
Com a decisão em caráter terminativo na CAS, o projeto segue agora à
Câmara dos Deputados, a menos que seja apresentado recurso para votação final
no Plenário do Senado.
A comissão acompanhou o relatório da senadora Ana Amélia (PP-RS). No
debate, ela criticou resistências ao projeto.
– Por que tanto medo em relação a divulgar informações para quem
tem direito a elas? – indagou a relatora, ressaltando que o FGTS é um
patrimônio dos trabalhadores.
Em defesa de seu projeto, Bauer observou que a matéria não cria gastos
nem promove alterações nos padrões contábeis das contas e do fundo. Do mesmo
modo que a relatora, ele salientou que a única finalidade é assegurar
transparência. Segundo Bauer, hoje não se tem dimensão clara da aplicação dos
recursos do fundo, envolto em “cenário decadente” com respeito aos rendimentos
pagos aos cotistas.
No relatório, Ana Amélia ressalta que hoje o maior problema do FGTS é o
baixo rendimento de seus depósitos. A remuneração das contas vinculadas do
fundo corresponde à Taxa Referencial de Juros (TR) mais juros de 3% ao ano, o
que torna o FGTS um dos investimentos com a pior remuneração do mercado, abaixo
da inflação.
O FGTS foi criado em 1967 pelo governo para proteger o trabalhador
demitido sem justa causa. O fundo é constituído de contas vinculadas, abertas
em nome de cada trabalhador, quando o empregador efetua o primeiro depósito. O
saldo da conta vinculada é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo
empregador, equivalentes a 8% do salário pago ao empregado, acrescido de
atualização monetária e juros.
Agência Senado Comissões
- Assuntos Sociais 19/03/2014 - 17h30
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 20.03.2014 06h43m
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