POR QUE MARIEL É “UM GOLAÇO” NA CUBA SEM EMBARGO
COMERCIAL?
por
Fernando Brito
A jornalista Patrícia Campos Melo,
especialista em assuntos internacionais, escreve na Folha um artigo sobre o “golaço” marcado
pelo Brasil ao financiar a construção do Porto de Mariel em Cuba, sobretudo
agora que os Estados Unidos reataram relações diplomáticas com a ilha e, ao que
tudo indica, o embargo comercial de 52 anos está por cair.
Foi o que bastou para uma legião de
comentaristas “coxinhas” começarem a xingar e ofender a colunista.
De fato, parecem ser tão pouco inteligentes
que não conseguem enxergar o óbvio.
Então, com a
paciência que devemos ter com este pessoal, vamos explicar.
A primeira vantagem – além de termos gerado
encomendas ao Brasil maiores que o valor financiado – é que, com o
provável fim do embargo, fica mais sólida a estrutura de financiamento,
organizada na base do “project finance”, onde a receita do empreendimento é que
paga o dinheiro nele invertido. Isso dá mais liquidez aos recebimentos e torna,
na prática, o financiador um “sócio” das receitas operacionais.
Mas este é o “de menos”.
Mariel é uma zona econômica especial em Cuba,
onde se permite até 100% de capital estrangeiro nas empresas. Com a
normalização das relações comerciais, será uma “plataforma de exportação” de
manufaturados e de semi-manufaturados para os EUA.
Mariel fica a menos de 200 km da costa da
Flórida.
É preciso falar das ventagens que terá sobre
outras zonas de processamento de exportação hoje usadas pelos EUA, como a de
Colón, no Panamá, que fica a 1.800 quilômetros de Miami. Outra plataforma
logística, a Península de Yucatán, no México, fica a 900 quilômetros…E
Barranquilla, zona especial da Colômbia, com as curvas necessárias para
contornar a própria Cuba, a uns 2.500 km.
Dá para entender também que o Brasil tem seu
porto mais próximo da costa oeste em Itaqui. Bagatela de 5 mil
quilômetros…
É possível entender que Mariel tem tudo para
funcionar tanto como um hub para conexões com portos do Golfo do
México e da costa oeste americana, tanto para
grãos e minérios quanto para peças e partes para montagem local.
Não é, claro, a vantagem de
carregar/descarregar/carregar ou montar por lá. É reduzir custo e aumentar
vendas, por ganhos de competitividade.
Será que agora eles vão entender que o
diretor internacional da Fiesp, Thomaz Zanotto, no video que posto abaixo,
não defende o financiamento brasileiro ao porto por ser comunista ou
“bolivariano”.
Mas talvez seja demais para os “lobetes”.
BRASIL 247 18 de dezembro de 2014 05:59
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 18.12.2014 06h18m
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