CUNHA
AJUDOU ROSA WEBER A NÃO DAR LIMINAR CONTRA GRANA DE EMPRESAS?
por Fernando Brito
Como se sabe, a Ministra Rosa Weber
negou a liminar contra a PEC do financiamento privado das candidaturas,
aprovada numa “segunda época” de votação pra lá de capciosa, por artes de
Eduardo Cunha.
A Ministra é aquela que disse que não
precisava de provas cabais para condenar José Dirceu, pois “a literatura
jurídica” assim o permitia.
Sobre esta decisão, que não impedirá o
julgamento de mérito, convém recordar que, pelo que escreveu semana
passada o insuspeito Lauro Jardim, da Veja, o tipo de “literatura
jurídica” que Cunha fez chegar à ministra foi um grosso e alto volume de
ameaças, na base do “vai ter troco” se acaso tivesse dado a liminar.
Vejam que mimo os métodos, segundo
Jardim, de convencimento do presidente da Câmara:
Lauro Jardim, na Veja
Eduardo Cunha exerceu
ontem, mais do que nunca, o seu lado “Dom Eduardo I, o imperador”.
Ousado
como poucos, Cunha mandou um recado para a ministra do STF Rosa Weber, relatora
do mandado de segurança impetrado por 63 deputados, em que se pede a anulação
da votação da Câmara que aprovou o financiamento empresarial de campanhas.
Por
meio de um ministro do STF (Cunha é atrevido, repita-se), ele disse que se Rosa
deferir a liminar, “vai ter troco”.
Cunha
argumentou, com ênfase e gesticulando muito, que uma decisão neste sentido
seria uma interferência indevida em assuntos do Legislativo. Não precisou dizer
que o tal “troco” que promete dar seriam projetos de interesse do Judiciário
que ele poderia engavetar.
Hoje,
um dia depois da ameaça, Cunha irá conversar com Rosa Weber. Imagina-se que não
falará neste tom – até porque mandou a mensagem malcriada na véspera tendo como
portador um colega da ministra. O ministro com quem Cunha
conversou, aliás, está indignado com o tom empregado por ele.
Como
de hábito, Cunha tentará negar via Twitter a ameaça feita ontem. É uma
característica marcante de Cunha, aliás, negar, negar, negar sempre. Em breve,
é capaz até de negar o próprio nome de batismo.
A
propósito, reconheça-se a mais uma a vez audácia do presidente da Câmara: ele é
capaz de confrontar até magistrados que poderão julgá-lo, caso as investigações
da Lava-Jato avancem sobre ele.
TIJOLAÇO 17 de junho 2015 22h50m
Adaptado pelo Blog do SINPROCAPE 18.06.2015 07h33m
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