Recomendação para Brasil
fazer a reforma trabalhista divide opiniões
08/09/2013 - 11h14
Wellton Máximo
Repórter da Agência Brasil
Brasília – Apontada
pelo Fórum Econômico Mundial como uma das medidas necessárias para o Brasil melhorar
a competitividade, a liberalização do mercado de trabalho divide opiniões.
Especialistas divergem sobre a necessidade de o país flexibilizar salários e
demissões, ações defendidas pelo Relatório de Competitividade Global de
2013–2014.
O diretor técnico do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese),
Clemente Ganz Lúcio, discorda da avaliação. Ele diz que o diagnóstico do Fórum
Econômico Mundial está errado e reflete um desconhecimento em relação à
realidade do Brasil. “O mercado de trabalho brasileiro é flexível, com
rotatividade média de 40% [40% dos trabalhadores trocam de emprego em um ano] e
grande informalidade. Uma forma de melhorar a produtividade seria reduzir a
informalidade e a rotatividade”, alega.
O economista do
Dieese questiona os fatores que determinam a competitividade de um país. Ele
ressalta que, na Alemanha, quarta colocada no ranking, os salários
são cinco vezes maiores que no Brasil e existem dificuldades para demitir um
empregado. “A Alemanha é um país com mercado interno forte, renda alta e que
investe em inovação e tecnologia. Daí vem a produtividade deles, não da
precarização do mercado de trabalho”, destaca.
Para Ganz Lúcio, o
Brasil deve atuar em outras frentes para aumentar a competitividade da
economia, como melhorar a qualidade das instituições e investir em educação e
em tecnologia. Essas recomendações também foram sugeridas ao Brasil no
relatório do Fórum Econômico Mundial.
O diretor do Dieese
reconhece que a produtividade da economia brasileira caiu nos últimos anos, mas
não por causa de perda de competitividade e, sim, pela queda da demanda
provocada pelo baixo crescimento econômico. “Isso está relacionado ao próprio
conceito de produtividade, que é volume produzido por tempo trabalhado. A
produção cresceu menos, mas os empresários não demitiram. Daí uma queda
meramente conjuntural”, diz.
Pesquisador da
Fundação Getulio Vargas (FGV) especializado em mercado de trabalho, Rodrigo
Leandro de Moura tem opinião diferente. Ele acredita que, apesar de o Brasil
ainda estar em pleno emprego, a reforma trabalhista é necessária para dinamizar
a economia do país. “Tanto o custo de admissão, como de treinamento e de
demissão do empregado, é alto no Brasil. Isso limita a competitividade das
empresas”, comenta.
Moura, no entanto,
diz que o país deve remodelar o sistema tributário, investir em infraestrutura
e melhorar as instituições antes de flexibilizar o sistema de trabalho. “Como a
economia está em pleno emprego, qualquer reforma no mercado de trabalho agora
enfrentaria grande resistência e o país deixaria de avançar em outros pontos
necessários para aumentar a competitividade”, observa.
Fundado por acadêmicos e executivos de
empresas, o Fórum Econômico Mundial é uma organização sem fins lucrativos que
tem o objetivo de melhorar o ambiente de negócios e debater os principais
problemas do mundo. Todos os anos, a organização promove um encontro em Davos,
nos Alpes Suíços, que reúne líderes mundiais, empresários, intelectuais e
jornalistas.
Adicionado por blog do SINPROCAPE - 09.09.2013 10h27m
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