SINDICATO DOS EMPREGADOS, VENDEDORES E VIAJANTES DO COMÉRCIO, PROPAGANDISTAS, PROPAGANDISTAS VENDEDORES, PROMOTORES DE VENDAS E VENDEDORES DE PRODUTOS FARMACÊUTICOS DA CIDADE DE CARUARU, E REGIÕES DO AGRESTE E SERTÃO DE PERNAMBUCO,
FUNDADO EM 02/04/1989 - REGISTRO SINDICAL MTB/SRT 24330.009395/90 - DE 23/05/1989 - Email: sinprocape@sinprocape.org - fone:(81)3722-0063
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE
ASSIM NASCEU O SINPROCAPE - Em 06 de Março de 1987 foi fundada na cidade de Caruaru-PE, através do Propagandista Vendedor Sr. Pedro Tiago de Moura, a Associação dos Vendedores e Viajantes Propagandistas de Caruaru, neste mesmo ano, foi realizada uma consulta na Delegacia do Trabalho, tendo a frente o delegado Sr. Gentil Miranda, de como proceder para transformar a mesma em Sindicato, após várias consultas e procedimentos, no dia 02 de Abril de 1989 foi fundado o SINPROCAPE que nos dias atuais dispõem de sede própria na Rua Benjamin Larena, 169 – Bairro Divinópolis-Caruaru, Pernambuco, e assim continuamos trabalhando em prol de nossa categoria como nosso lema propõe : “UNIÃO E COMPROMISSO” .
quarta-feira, 4 de setembro de 2013
Especialistas apontam riscos de projeto que
legaliza a terceirização
Leonardo Sakamoto
A Câmara dos Deputados está prestes a aprovar um projeto que amplia os
casos em que pode ocorrer terceirização no Brasil.
- Ah, japa, mas eu não tenho nada a ver com isso.
Bem, se você não se preocupa com décimo-terceiro salário, adicional de
férias, FGTS e Previdência Social, então nem leia esse post. Tem umas histórias
legais sobre a Miley Cyrus para você se entreter.
Caso contrário, deveria saber que o projeto de lei 4330/2004, de
autoria do deputado federal Sandro Mabel (PMDB-GO), legaliza a contratação de
prestadoras de serviços para executarem atividades-fim em uma empresa. Ou seja,
de uma hora para outra, a empresa em que você trabalha pode pedir para você
abrir uma empresa individual e começar a dar nota fiscal mensalmente para fugir
de impostos e tributos.
Por exemplo, uma usina de cana contrata trabalhadores de outra empresa
para produzir cana para ela. Dessa forma, se livra dos direitos trabalhistas e
sociais a que seu empregado teria direito, jogando a batata quente para o colo
de uma pessoa jurídica menor. Que nem sempre vai honrar os compromissos
assumidos, agir corretamente ou mesmo pagar os salários. Antes da ação do poder
público para regularizar essa esbórnia, havia usinas no interior paulista sem
um único cortador de cana registrado, enquanto milhares se esfolavam no campo
para garantir o açúcar do seu cafezinho e o etanol limpo do seu tanque.
Casos famosos de flagrantes de trabalho escravo surgiram por problemas
em fornecedores ou terceirizados, como Zara, Le Lis Blanc, MRV, entre tantos
outros. O governo federal e o Ministério Público do Trabalho puderam
responsabilizar essas grandes empresas pelo que aconteceu na outra ponta por
conta de uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho, que garante a
responsabilidade sobre os trabalhadores terceirizados na atividade-sim.
O projeto de lei de Mabel quer mudar isso, entre outros pontos
polêmicos. Centrais sindicais afirmam que isso pode contribuir com a
precarização do trabalho. Reclamam que, transformado em lei, os chamados
“coopergatos” (cooperativas montadas para burlar impostos) e as pessoas-empresa
(os conhecidos “PJs”) irão se multiplicar e o nível de proteção do trabalhador
cair. Segundo eles, setores como empresas têxteis, de comunicações e do
agronegócio têm atuado pela legalização da terceirização em qualquer atividade
com pesados lobbies no Congresso Nacional.
“Ah, mas eu quero ser livre para fazer ser frila.” Beleza, fique à
vontade. Mas e quem tem um emprego fixo e quer alguma estabilidade e segurança,
condições conquistadas a duras penas e presentes na Consolidação das Leis do
Trabalho? Quem diz que a CLT é anacrônica ou não vive pelo salário ou precisa
fazer uma avaliação urgente sobre sua própria vida.
Recentemente, os trabalhadores tomaram um susto. Perceberam que não
podem contar com o ministro do Trabalho e Emprego, Manoel Dias (PDT). Ele deu
uma declaração defendendo a aprovação de uma forma que vai ao encontro do que
pediu o empresariado na comissão quadripartite (que incluiu também governo,
parlamentares e trabalhadores), montada para discutir o tema. Ministro do
Trabalho. E Emprego.
De acordo com um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos (Dieese) em parceria com a Central Única dos
Trabalhadores, em média um trabalhador terceirizado trabalha três horas a mais
por semana e ganha 27% menos que um empregado direto. No setor elétrico, por
exemplo, a taxa de mortalidade de um funcionário de uma prestadora é 3,21 vezes
superior ao de um trabalhador de uma empresa contratante.
A terceirização tresloucada transforma a dignidade em responsabilidade
de ninguém. Mais ou menos assim: Um consórcio contrata o Tio Patinhas para
tocar um serviço, que subcontrata a Maga Patalógica, que subcontrata o Donald,
que deixa tudo na mão de três pequenas empreiteiras do Zezinho, do Huguinho e
do Luizinho. Às vezes, o Zezinho não tem as mínimas condições de assumir turmas
de trabalhadores, mas conduz o barco mesmo assim. Aí, sob pressão de prazo e
custos, aparecem bizarrices. Depois, quando tudo acontece, Donald, Patalógica,
Tio Patinhas e o consórcio dizem que o problema não é com eles – afinal, eles
não rabiscaram carteira de trabalho alguma. E aí, ninguém quer pagar o pato –
literalmente. Ficam os trabalhadores a ver navios, como Patetas.
Aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Câmara
dos Deputados (em caráter terminativo), vai para o Senado. E de lá para a
sanção presidencial. Aposto um santinho de campanha que, se isso ocorrer este
ano, Dilma vai fazer média e não vetará os dispositivos danosos ao trabalhador.
A menos que o mesmo trabalhador faça barulho.
Solicitei a três atores do direito, especialistas no tema, que
explicassem as consequências negativas para os trabalhadores caso o projeto de
lei seja aprovado. Dêem uma olhada nas avaliações. Se após isso, continuarem
achando que não nada lhe diz respeito ou que a discussão sobre direito do
trabalhador é coisa de comunista, faça-me um favor: não se sinta culpado quando
seu filho ou filha perguntar, daqui a uns anos, algo do tipo “mãe, pai, o que é
emprego?”
Rafael
de Araújo Gomes, procurador do trabalho da 15a Região
A consequência da aprovação de projetos sobre o tema em trâmite no
Congresso Nacional é que poderá uma empresa, se assim desejar, terceirizar não
apenas parte de suas atividades, mas todas elas, não permanecendo com qualquer
empregado. Teríamos então uma empresa em funcionamento, com atividade
econômica, mas sem nenhum funcionário.
Tomemos, para melhor visualização de tal disparate, autorizado pelos
projetos, o caso do banco Bradesco, empresa com capital social superior a 30
bilhões de reais e mais de 70 mil empregados.
Aprovada a terceirização nos moldes pretendidos, nada haverá na
legislação que impeça o Bradesco de livrar-se de todos os seus empregados,
permanecendo com nenhum, mediante a terceirização de todas as funções. Se tal
opção for economicamente vantajosa ao banco, ela poderá ser adotada. Teremos
então uma empresa com capital social, faturamento e lucro da ordem de vários
bilhões de reais, e nenhum empregado, ou seja, nenhum ônus trabalhista.
Parece o cenário com o qual sonharam os banqueiros de todas as épocas em
seus devaneios mais loucos, não? Todos os lucros, e nenhuma responsabilidade.
Pois tal sonho de qualquer capitalista poderá enfim se transformar em
realidade, em nome da “modernidade” e da “competitividade”.
Renato
Bignami, auditor fiscal do trabalho em São Paulo
Ao autorizar, via processo legislativo, a subcontratação da principal
(ou principais) atividade(s) de determinada empresa, sem que haja uma
contrapartida jurídica de manutenção da garantia do equilíbrio contratual, a
exemplo da responsabilização solidária, o legislador está dando um tiro de
misericórdia no direito do trabalho.
Todas as relações irão se dar com base no direito civil/mercantil,
privatistas ao extremo. Futuramente não haverá mais empregados. Quem irá
contratar uma pessoa que reclama, que fica grávida, que falta ao serviço, que
não abaixa a cabeça e atende a todo tipo de ordem, e que, além do mais, custa o
dobro e possui direitos pétreos, como limite de jornada de trabalho e piso
salarial? Irá naturalmente contratar uma empresa terceirizada, que, por sua
vez, também irá contratar uma quarteirizada e que, em última análise,
contratará um micro-empreendedor individual, por exemplo, sem que isso possa
ser considerado fraude, à luz da legislação proposta pelo deputado federal
Sandro Mabel.
Trata-se da externalização total e completa dos riscos da atividade
econômica sem que haja um mínimo de divisão dos lucros dela advindos, via
valorização do trabalho. Nossa sociedade terá uma lei que valoriza a liberdade
de empresa (princípio da livre iniciativa) ao extremo, sem garantir a proteção
que o direito do trabalho buscou construir, no decorrer dos últimos 90 anos. No
entanto, devemos sempre lembrar que a Constituição é clara, no artigo 1º,
inciso IV, ao afirmar que o Brasil constitui-se em um Estado Democrático de
Direito que tem por fundamento os valores sociais do trabalho e da livre
iniciativa, em iguais proporções. O PL 4330 subverte esse princípio e
“desregula” a balança, em nítido desvalor do trabalho. Caso o PL seja
convertido em lei será o caos e seguramente não colaborará nem para garantir
segurança jurídica aos empresários e, muito menos, para construir coesão
social, tão necessária nos dias de hoje, em que vemos a população sair às ruas
clamando por melhores condições de vida.
Por fim, teremos a legislação mais liberal do mundo ocidental, mais
ainda que a lei chilena e seguramente mais que qualquer ordenamento europeu
(todos garantem, pelo menos, que haja solidariedade jurídica entre os elos).
Iremos de encontro à Recomendação 198, da Organização Internacional do
Trabalho, que sugere um maior nível de proteção à relação de emprego, e uma
valorização crescente do princípio da primazia da realidade como fundamental na
determinação da relação de trabalho. Enfim, o PL legitima todo tipo de fraude a
que estamos acostumados a denunciar e a atacar, no curso da atividade
inspecional. Um verdadeiro retrocesso.
Marcus
Barberino, juiz do Trabalho da 15a Região
O pior cenário é não haver nenhuma defensa ao direito de negociação
coletiva e de representação sindical. Ao permitir o deslocamento de uma
atividade estratégica da empresa para qualquer prestador de serviço, você está
alterando de modo unilateral a formação dos contratos coletivos de trabalho e,
por via indireta, dos contratos individuais.
Outra dimensão dramática é não estabelecer a solidariedade entre
prestadores e tomadores. Se eles criam os riscos não podem ter limitação quanto
à responsabilidade dos riscos em face de terceiros.
A questão, tal como posta, acaba por colocar o crédito do trabalhador em
posição de proteção jurídica inferior a de um particular (pois aqui incide as
regras do Código Civil) e da União (cuja violação de créditos tributários
implica responsabilidade solidária dos devedores).
Enfim é a mercantilização tão violenta quanto na época da revogação da
“poor law”
Adicionado por blog do SINPROCAPE - 04.09.2013 07h05m
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