MTE suspende registro de
380 sindicatos em quatro meses
Pamela Mascarenhas
Manoel
Messias acredita que novas regras combatem "fábrica de sindicatos" e
pede reforma sindical
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) suspendeu
o registro de 383 sindicatos e de 22 federações
com atuação irregular, desde
que as novas regras para criação e alteração de sindicatos entrou em vigor,
em abril deste ano. As informações são do secretário de Relações do Trabalho do
MTE, Manoel Messias
Nascimento Melo, ex-presidente da Central Única de
Trabalhadores (CUT). Ele reclama da urgência de
uma reforma no modelo dos
sindicatos, para que representem efetivamente os trabalhadores, e promete
uma ferramenta que pode ajudar a impedir a existência de sindicatos da mesma
categoria em uma mesma
localidade, para o final deste ano.
Manoel assumiu a secretaria do MTE, responsável
pela concessão de registros sindicais, em junho do ano passado, em meio à necessidade do então ministro
Brizola Neto de combater a "fábrica de sindicatos", com entidades
criadas apenas para arrecadar o imposto compulsório. Em fevereiro deste ano foi
então anunciada a nova regulamentação para criação e alteração de sindicatos,
que entrou em vigor em abril.
A suspensão dos registros de sindicatos foram
motivadas por irregularidades como CNPJ cancelado ou relacionado a outra empresa. Já as federações foram suspensas por não atender ao
número mínimo de entidades filiadas. "A existência de regras claras, a
exigência de certificação digital, tudo isso garante a existência
de sindicatos legítimos e impede de haja entidades criadas
artificialmente", reforça o secretário.
Manoel destaca ainda que houve uma redução no
número de processos solicitados. Enquanto em
2011 e 2012 foram abertos 1.600 processos, neste ano, a um trimestre para o
final de 2013, o valor não chega a 600 processos. "Isso significa que as
entidades estão tendo mais cuidado para solicitar registros e mudanças.
Adotamos procedimentos simples, que aumentaram em muito a qualidade do
processo. Estamos permanentemente verificando se as entidades estão
incorretas", ressalta.
O número de registros sindicais concedidos neste
ano, no entanto, já é maior que o registrado em 2012. Em 2010 e 2011,
foram outorgados, em cada ano, uma média de 240 registros. No ano passado, o
número caiu para 103 e, neste, já foram concedidos 104 registros. Messias
explica, todavia, que o número é reflexo do atendimento a processos anteriores
à implantação das novas regras.
O grande problema, porém, continua sendo o modelo de
atuação dos sindicatos e a constante fragmentação deles. O
secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, acredita que o surgimento de novos
sindicatos todos os dias revela que o Brasil está na contramão do resto do
mundo. A fragmentação, ele reforça, acaba atrapalhando tanto os trabalhadores
como as entidades. A solução seria o surgimento de uma legislação favorável à
fusão de sindicatos, como acontece em outros países, não o desmembramento.
"Se você pegar o código brasileiro, percebe
que podemos ter muito mais sindicatos do que já temos hoje. Os pedidos de
criação de entidades chegam e o ministério não tem como negar. É preciso uma
mudança na estrutura sindical. Já passou da hora de fazer essa mudança. Para
ter direito a criar um novo sindicato e ter acesso aos recursos, é necessário
que seja exigida dessas entidades uma representatividade mínima dos
trabalhadores. Tem que haver um certo entendimento entre as centrais sindicais
e o ministério para estabelecer novas regras para isso", alerta Sérgio.
Henrique André Ramos Wellen, doutor em Serviço
Social e professor da UFRJ, aponta problemas no modelo de atuação dos
sindicatos como a cobrança compulsória no salário dos brasileiros, que já é
baixo. Para ele, o sindicato, apesar de ser um instrumento indispensável para a
organização dos trabalhadores, tem um claro limite, que é a sua caracterização
corporativa e econômica.
"A cúpula dos sindicatos não somente negocia
pelo alto com empresários e representantes do governo, como a base social que
os elege fica ausente de requisitos básicos que possibilitem apreender essas
manobras veiculadas. Esses problemas terminam por impedir uma relação mais
próxima com o resto da população que, manipulada por entidades midiáticas,
termina se voltando contra as suas lutas. Isso se agrava pelas relações com o
estado, já que parte dos governantes busca se utilizar dos sindicatos como
massa de manobra a favor da sua aprovação eleitoral e, assim, apaziguar os
trabalhadores. Gera-se um vácuo na representação dos trabalhadores", declara
Wellen.
Manoel Messias defende a realização de uma reforma
sindical, para alterar o modelo dos sindicatos, sem negar que eles tenham um
papel importante nas conquistas trabalhistas ao longo da história. "Não
estamos debruçados nessa tarefa [reforma sindical], é preciso que haja vontade
das centrais sindicais dos trabalhadores, nem todas as centrais defendem a
reforma sindical",
A princípio, os sindicatos deveriam democratizar
seus procedimentos e renovar as questões grevistas, acredita Messias. Ele
reforça que contribuem para o modelo falho a liberdade de criação de entidades
e a contribuição compulsória dos trabalhadores.
Manoel informou que o Ministério trabalha para
desenvolver uma tabela de categorias de sindicato até o final do ano - para
combater a existência, por exemplo, de dois sindicatos que representem a mesma
categorias em um mesmo lugar, com nomes diferentes.
Todo ano, cada empregado destina um dia do seu
trabalho para o imposto sindical, que é repassado então para os sindicatos
registrados no Ministério do Trabalho. A instituição responsável pela
manutenção da conta-corrente da contribuição sindical urbana de cada entidade
sindical é a Caixa Econômica Federal. As informações referentes aos valores
creditados aos envolvidos no processo são protegidas pelo Sigilo Bancário. De
acordo com o relatório do DIEESE de apuração da representatividade sindical de
2013, o total de trabalhadores sindicalizados no Brasil é 7.569.865 (sete
milhões, quinhentos e sessenta e nove mil, e oitocentos e sessenta e cinco).
Adicionado por blog do SINPROCAPE - 04.09.2013 13h57m
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