Secretaria solicita ao MercadoLivre informações
sobre anúncio de venda de negros
Brasília – A Ouvidoria Nacional da Igualdade
Racial, vinculada à Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
(Seppir), informou hoje (9) que solicitou ao site de vendas
MercadoLivre informações sobre o autor de uma postagem que anuncia a venda de
negros por R$ 1. Segundo o ouvidor nacional, Carlos Alberto Silva Júnior, a
intenção é encaminhar os dados ao Ministério Público Federal para que seja
oferecida denúncia.
Por meio da assessoria de imprensa, o MercadoLivre
disse que ainda não recebeu o pedido de informações, mas está à disposição da
ouvidoria. O site informou que entregou os dados cadastrais e
de acesso do usuário à Polícia Civil do Rio de Janeiro, após notificação
oficial, para que o autor seja investigado.
Em nota divulgada à imprensa, a empresa de vendas
diz que o conteúdo foi retirado do ar na segunda-feira (6), após denúncia dos
usuários do site. O anúncio repercutiu nas redes sociais no domingo
(5). A nota do MercadoLivre diz que o site de vendas repudia o
conteúdo da postagem e que todos os anúncios publicados têm um botão de
denúncia. “Os usuários que infringem as regras do MercadoLivre têm seu cadastro
cancelado. Reiteramos que o MercadoLivre está sempre à disposição para
colaborar com as autoridades”, declara o texto.
O ouvidor nacional, Carlos Alberto Silva Júnior,
explica que quem fez a postagem pode ser enquadrado no Artigo 20 da Lei n°
7.716/1989, que prevê pena de reclusão de dois a cinco anos e multa para quem
praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor,
etnia, religião ou procedência nacional. Carlos Alberto destaca que quem
compartilhar o material ofensivo em blogs ou redes sociais com
intenção de denegrir ou discriminar pode responder pelos mesmos crimes.
Além da penalização de quem cria ou compartilha o
conteúdo, Silva Júnior defende a responsabilização dossites que, na
avaliação dele, deveriam ter dispositivos de segurança para barrar material
preconceituoso.
“Não é possível que uma plataforma dessa não
consiga oferecer nenhum tipo de filtro. É preciso que seja oferecida denúncia
para responsabilização da plataforma, o que, por enquanto, não aconteceu”, diz.
Segundo ele, a prerrogativa de responsabilizar plataformas que deixam passar
conteúdo discriminatório é do Ministério Público. “É uma ofensa à sociedade
como um todo. [A legitimidade para denunciar] cabe ao Ministério Público”,
destaca Silva Júnior.
No
ano passado, um anúncio semelhante ao atual, vendendo pessoas negras, foi
postado no MercadoLivre. Na ocasião, a Ouvidoria da Igualdade Racial também
solicitou os dados do usuário, que foram fornecidos. De acordo com Silva
Júnior, o Ministério Público ofereceu denúncia contra o autor da postagem.
Agência Brasil 09/01/2014 - 20h3
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 10.01.2014 07h31
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