Para Diap, ano eleitoral vai
dificultar pauta trabalhista
Temas considerados
prioritários pelas centrais, a redução da jornada de trabalho e o fim do fator
previdenciário terão dificuldades de avançar este ano no Congresso, avalia o
analista político Antônio Augusto de Queiroz, diretor do Departamento
Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap). O debate continuará nas
comissões, mas dificilmente seguirá ao plenário. "Vai ser um ano de pouca
deliberação, pouco resultado", afirma. Três fatores, basicamente, deverão
fazer com que a pauta se acumule para 2015: carnaval, Copa do Mundo e eleições.
No caso do fator
previdenciário, a dificuldade está relacionada ao receio do Planalto de aprovar
propostas que tenham impacto nas contas públicas. "O governo está muito
temeroso de que as agências (de classificação de risco) possam rebaixar as
notas do país, o que poderia ter efeito na campanha", observa o analista.
O fator integra o que ele classifica de "pauta-bomba".
Da mesma forma, a
proposta de redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais aparece
com poucas chances de evoluir entre os congressistas. "Ninguém deve tentar
tratar disso em ano eleitoral. Se o próprio Parlamento não teve condições de
votar em período mais arejado, não vai ser agora", comenta Queiroz.
Já um projeto de
lei combatido pelas centrais, o 4.330, sobre regulamentação da terceirização,
também pode ficar travado em 2014, pelo receio dos partidos de expor seus
parlamentares em um momento de buscar votos. Da mesma forma, iniciativas que
permitam ao negociado em acordos coletivos prevalecer sobre a legislação também
teria pequena possibilidade de avançar.
O diretor do Diap
vê mais chances em dois casos: o contrato especial para trabalho durante
eventos da Copa e das Olimpíadas de 2016 e a regulamentação do direito de greve
no serviço público, tema que vem sendo discutido em uma comissão especial e
enfrenta críticas das centrais. "Esse tem possibilidade, mas tem
resistência", afirma. A possibilidade seria maior, acredita, se o projeto
fosse de iniciativa do Executivo – que existe, mas não teria saído da gaveta
até agora por desacordo entre as várias áreas internas envolvidas.
De temas mais
relevantes, Queiroz acredita que apenas dois serão efetivados: a regulamentação
do serviço doméstico, em análise na Câmara, e a PEC do trabalho escravo, que
retornou à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O restante ficaria
mesmo para 2015, já sob novo governo e nova legislatura na Câmara (e um terço
renovado no Senado). (Fonte: Rede Brasil Atual)
DIAP
09 Janeiro 2014 23:26
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 13.01.2014 15h43m
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