Diretor da GM diz a Mantega que as demissões em fábrica de São José dos
Campos são irreversíveis
São Paulo – As demissões em uma das oito fábricas da General Motors
(GM), em São José dos Campos (SP), responsável pelo veículo modelo Classic, são
irreversíveis, disse na tarde de hoje (3) Luiz Moan, diretor de assuntos
institucionais da General Motors (GM) e presidente da Associação Nacional dos
Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A declaração de Moan foi dada a
jornalistas no prédio da presidência da República, na Avenida Paulista, em São
Paulo, após ele ter sido convocado para uma reunião pelo ministro da Fazenda,
Guido Mantega.
Moan disse que prefere conversar com o sindicato dos trabalhadores antes
que o número de demissões seja oficializado. No entanto, pressionado por
jornalistas, ele declarou que as demissões vão atingir 1.053 trabalhadores,
número que engloba os funcionários que já aderiram aos quatro Programas de
Demissão Voluntária (PDV) feitos durante todo o ano passado. Moan não confirmou
o número de empregados que já aderiram ao PDV. Os funcionários que não aderiram
ao PDV foram comunicados sobre a demissão no final de dezembro.
“Tivemos agora uma reunião com o ministro Guido Mantega, que está muito
preocupado com as notícias advindas da nossa fábrica em São José dos Campos”,
disse Moan. Segundo ele, durante a reunião, o ministro foi informado de que as
demissões são irreversíveis. “Não há a mínima chance de reversão”.
“Em apenas uma [das oito fábricas lá existentes], que é a de montagem de
veículos leves, estamos tendo dificuldade neste momento. Esta dificuldade
começou desde 2008 quando, nessa fábrica, montávamos quatro modelos de veículos
e, em função de insucesso na negociação da GM com o sindicato local, os
investimentos de reposição de novos modelos não foram feitos em São José dos
Campos”, explicou.
A unidade, que produzia o modelo Classic, encerrou a produção em agosto
do ano passado, informou Moan. “Desde agosto, a GM colocou esses funcionários
em licença remunerada e arcou com todos os salários até 31 de dezembro, para
cumprir um acordo que foi assinado com o sindicato”, disse.
O acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos foi
assinado em janeiro do ano passado, onde a empresa comunicou ao sindicato e ao
Ministério do Trabalho e Emprego que encerraria as atividades de montagem de
veículos de passageiros em dezembro de 2013. Segundo o diretor da empresa, o
acordo foi inteiramente cumprido. Por meio do acordo, destacou ele, a empresa
se comprometeu a garantir 750 postos de trabalho ligados diretamente à montagem
de veículos e mais 303 nas áreas de manuseio e de abastecimento da linha de
montagem.
A Agência Brasil procurou hoje representantes do
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e região, mas foi informada
de que o sindicato se encontra em recesso durante esta semana, mas uma nota do
sindicato do dia 30 de dezembro já criticava as demissões na GM, que tiveram
início dois dias antes da divulgação desta nota.
“A medida foi tomada no momento em que a fábrica não está em atividade,
com a ampla maioria dos trabalhadores em férias coletivas até o dia 20 de
janeiro, gozando do merecido descanso após um ano de intensa produção. O
Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à CSP-Conlutas,
sequer foi comunicado pela empresa sobre as demissões, o que caracteriza total
falta de transparência por parte da GM”, diz a nota.
O sindicato também
criticou o fato de, até este momento, não ter sido informado sobre o número de
trabalhadores que serão atingidos pela medida. No dia 8 de janeiro deve ocorrer
uma assembleia dos metalúrgicos.
Agência Brasil
03/01/2014 - 19h54
Adaptado pelo blog do SINPROCAPE - 04.01.2014 06h58
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