blog do Noblat 12.10.2013 |
8h03m
Enviado por Ruy Fabiano
A credibilidade da política
brasileira é de tal ordem que linchá-la tornou-se um ativo eleitoral. Basta
falar mal dos partidos e dos políticos e pronto: está estabelecido o
diferencial do candidato em relação aos demais. Deu certo com Lula e com o PT.
Passaram duas décadas condenando a chamada
política tradicional, assegurando ao eleitor desiludido que, elegendo-os, seria
diferente. Não foi, como se sabe. Mas isso, estranhamente, não desmoralizou o
estratagema. Ei-lo de volta com a dupla Marina Silva e Eduardo Campos, a
novidade que nasceu velha.
Marina já o havia testado, com relativo
êxito, em 2010. Apresentou-se como a política que abomina a política, embora
munida do mesmo arsenal de campanha: financiamento de empresários (um deles seu
candidato a vice), alianças nos estados com expectativas de cargos, promessas
inexequíveis etc.
Nem poderia ser de outra maneira, mas a
candidata portava-se como se fosse. Nas manifestações de junho, em que
políticos e partidos foram os vilões, foi ela quem mais faturou a desilusão
geral. Seu próprio partido, a Rede de Sustentabilidade, evitava o nome
“partido”. Já por aí se distinguiria dos demais.
Distinguiu-se tanto que, desprezando as
exigências legais, não obteve o registro. Mas a falha técnica tornou-se um
discurso. A não obtenção do registro transformou-se em evidência de
conspiração. Não a queriam porque seria uma ameaça à política tradicional.
Pouco importou que a tese envolvesse a credibilidade de um tribunal. O
importante era manter a aura de pureza.
Eis, porém, que os prazos de filiação
impediam que a estratégia de vitimização fosse muito longe. Era preciso agir
rápido. E Marina, como se viu, tinha um plano B. Alguns, santa inocência,
supunham que ela ficaria de fora da eleição, denunciando seus métodos. Ela chegou
a flertar com a tese, mas por pouco tempo.
Dois dias depois, anunciava seu casamento
eleitoral, dentro da mais ortodoxa liturgia política, com o partido do
governador de Pernambuco, Eduardo Campos, do PSB. Deixou claro que era um rito
de passagem, uma hospedagem, enquanto seu partido não sai.
Ruy Fabiano é jornalista.
Adicionado por blog do SINPROCAPE - 13.10.2013 06h47m
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